Artigos

Sugestões para os 500 anos da Reforma – parte 2: músicas

Com as festividades dos 500 anos da Reforma Protestante, continuamos com a série de três artigos que pretendem apresentar sugestões quanto aos momentos litúrgicos, canções e vestes litúrgicas para as celebrações nas Igreja Locais, Presbitérios e Sínodos de nossa Igreja. O intuito não é que todas celebrações sejam iguais, mas sim que se tenha algumas ideias e recursos para auxiliar os liturgistas na elaboração de suas celebrações. Assim, nesta segunda parte, apresento as sugestões de cânticos. Embora a tentação aqui seja indicar canções do Cantai Todos os Povos, não o farei, pois creio que os liturgistas, naturalmente, incluirão hinos na liturgia, principalmente o CTP 409, Castelo Forte. A ideia deste artigo é apresentar canções contemporâneas para louvor a Deus, publicadas de 2001 para cá, lançando nossos olhos para fora do meio Presbiteriano Independente.

É de coração

De Gerson Borges, álbum É de coração, 2008 (https://www.facebook.com/gerson.borges)

A canção expressa o que toda Igreja deve ter em mente ao louvar e dedicar sua vida a Deus: “Se as palavras não mostrarem / Como é grande a minha gratidão / Mesmo assim, Senhor / Receba o meu louvor / É de coração”. É o convite a louvar a Deus com gratidão no coração e dedicando tudo ao Senhor de nossas vidas.

Na glória do poder

De Stênio Marcius, álbum A beleza do rei, 2010 (http://www.tantopradizer.com)

Uma canção que exalta a volta de Jesus, num ritmo bem brasileiro, relatando como toda a criação irá se mover e se comover com a chegada daquele que virá na glória do poder. Trata-se de uma canção que aponta para a nossa missão de clamarmos Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Tu és Santo

De Ronaldo Bezerra, álbum Ao vivo, 2009 (http://www.ronaldobezerra.com.br)

O cântico de Ronaldo Bezerra, pastor da Comunidade da Graça, apresenta a majestade de glória de Jesus, o único digno de louvor e adoração. Além disso, é a declaração da comunidade de fé que seguiremos os caminhos de Jesus todos os dias de nossas vidas.

Tua graça me basta

De Vineyard Brasil, álbum Mais do que paixão, 2004 (http://www.vineyardmusic.com.br)

Claramente inspirado em 2Coríntios 12.9, Tua graça me basta é uma canção que nos desafia a viver debaixo da graça de Deus, que é poder sobrenatural e presente de Deus para nós, nos capacitando e dando forças para prosseguir em nossa jornada.

Maranata

De Ministério Avivah da Igreja Batista Palavra Viva, 2016 (http://clicpalavraviva.com.br)

O cântico exalta a esperança e a certeza da volta de Jesus, declarando que somente ele é a luz e a salvação de nossas vidas. Assim, se andarmos com Cristo, estaremos seguros e certos de que com ele viveremos.

Santo Espírito

De Paulo César Baruk, 2016 (http://www.baruk.com.br)

A canção enfatiza a presença do Espírito Santo na vida do cristão e expressa o desejo de ser inundado pela glória de Deus em nossos corações. Ela aponta para a necessidade que temos de clamar pela presença do Espírito Santo em cada momento de nossa vida como Igreja.

Entendo os cânticos contemporâneos como uma expressão mais atual da fé cristã na condução do culto a Deus. Observei as letras das canções e o estilo musical das mesmas antes de selecioná-las e sugeri-las. A ideia é que os tradicionais hinos comunitários e do coral sejam parte do culto tanto quanto os cânticos contemporâneos.

 

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP
sml@ipib.org – gcalecrim@gmail.com


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.

Artigos

Sugestões para os 500 anos da Reforma – parte 1: textos litúrgicos

Com as festividades dos 500 anos da Reforma Protestante, iniciamos agora uma série de três artigos que pretendem apresentar sugestões quanto aos momentos litúrgicos, canções e vestes litúrgicas para as celebrações nas Igreja Locais, Presbitérios e Sínodos de nossa Igreja. O intuito não é que todas celebrações sejam iguais, mas sim que se tenha algumas ideias e recursos para auxiliar os liturgistas na elaboração de suas celebrações. Assim, nesta primeira parte, apresento as sugestões de textos litúrgicos para a Adoração, Confissão, Louvor, Santa Ceia, Ofertório e Envio.

Adoração

A adoração é o momento inicial do Culto. Recomendamos aqui uma leitura bíblica do texto do Salmo 78, que exalta os poderosos feitos de Deus e seu agir ao longo da história. Recomendamos a leitura alternada, que pode ser entre vozes masculinas e femininas, ou oficiante e congregação. Por se tratar de um salmo longo, 72 versículos, opcionalmente pode-se separar os versos iniciais, 1-8, como destaque.

Confissão

O momento de confissão de pecados deve ser marcado pelo reconhecimento de nossos erros, como Igreja, na proclamação do Evangelho. Assim, propomos a leitura de Efésios 2.1-10 antes do momento de oração silenciosa, um texto clássico da Reforma Protestante e que expressa bem o motivo da nossa salvação. Após a oração de confissão de pecados, propomos a leitura de Efésios 2.11-22.

Louvor

Uma vez perdoados, somos chamados a louvar a Deus por tão grande amor e misericórdia. Vamos tratar das sugestões de cânticos no próximo artigo, por isso, aqui, quero propor que, antes dos cânticos de louvor, seja feita a leitura de Isaías 57.15, enfatizando que o poder do Espírito Santo é quem vivifica nossas vidas, mantendo nossa Igreja fiel à palavra e à herança reformada

Santa Ceia

Para a celebração da Ceia do Senhor recomendamos que se faça uso da liturgia da página 337 do Manual do Culto da IPIB (2ª edição). Mesmo que sua Igreja tenha o costume de celebrar a ceia com fórmulas litúrgicas mais condensadas, uma boa explicação sobre esta parte da liturgia, antes de celebrá-la, é uma oportunidade de mostrar à comunidade como o zelo de João Calvino e outros reformadores com a Ceia foi importante para a preservação da fidelidade bíblica da mesma.

Ofertório

Queremos desafiar as Igrejas, Presbitérios e Sínodos, em suas celebrações, a realizarem um momento de ofertório com recursos revertido para a Secretaria de Evangelização da IPIB. Tal momento deve ser feito tendo em mente o envio dos missionários por João Calvino ao Brasil, ainda na primeira metade do século XVI. Mais que parte de nossa história, o investimento e envio de missionários é parte de nosso princípio de fé.

Envio

Estamos nos preparando para o encerramento da celebração, assim, apontamos para o desafio de vivermos nossa fé com fidelidade bíblica. Para tal, sugerimos a leitura em uníssonos de Hebreus 11.32-40, olhando para os heróis da fé, não nomeados, e vendo neles a inspiração para nossa jornada cristã, sabendo que fomos chamados por Deus para vivermos e proclamarmos o Evangelho em nossa geração.

 

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP
sml@ipib.org – gcalecrim@gmail.com


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.

Sermões

Deus fala: Ele fala

1“Ouçam em silêncio diante de mim, povos do outro lado do mar; preparem seus argumentos mais convincentes. Venham agora e falem; o tribunal está pronto para ouvir seu caso. 2“Quem instigou esse rei que vem do leste e o chamou para o justo serviço de Deus? Quem lhe dá vitória sobre muitas nações e permite que ele pisoteie seus reis? Com sua espada, reduz exércitos a pó; com seu arco, dispersa-os como palha ao vento. 3Ele os persegue e segue adiante em segurança, mesmo que caminhe em território desconhecido. 4Quem realizou feitos tão poderosos e chamou cada nova geração, desde o princípio dos tempos? Eu, o SENHOR, o Primeiro e o Último, somente eu.”

5Os povos do outro lado do mar observam com temor; terras distantes estremecem e se aprontam para a guerra. 6Cada um encoraja seu amigo, dizendo: “Seja forte!”. 7O escultor anima o ourives, e o que faz moldes ajuda na bigorna. “Muito bem”, dizem, “está ficando bom.” Com todo o cuidado, juntam as partes e fixam o ídolo com pregos, para que não tombe. 8“Quanto a você, meu servo Israel, Jacó, meu escolhido, descendente de meu amigo Abraão, 9eu o chamei de volta dos confins da terra e disse: ‘Você é meu servo’. Pois eu o escolhi e não o lançarei fora. 10Não tenha medo, pois estou com você; não desanime, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; com minha vitoriosa mão direita o sustentarei.

11“Sim, todos os seus furiosos inimigos ficarão confusos e humilhados. Quem se opuser a você morrerá e não dará em nada. 12Você procurará e não encontrará aqueles que tentaram conquistá-lo. Quem o atacar será reduzido a nada. 13Pois eu o seguro pela mão direita, eu, o SENHOR, seu Deus, e lhe digo: ‘Não tenha medo, estou aqui para ajudá-lo. 14Embora você não passe de um verme, ó Jacó, não tenha medo, pequenino Israel, pois eu o ajudarei. Eu sou o SENHOR, seu Redentor, eu sou o Santo de Israel’. 15Você será um novo instrumento de debulhar, com muitos dentes afiados. Despedaçará seus inimigos e transformará os montes em palha. 16Você os lançará para o alto, e o vento os levará embora; um redemoinho os espalhará. Então você se alegrará no SENHOR e se gloriará no Santo de Israel.

17“Quando os pobres e necessitados procurarem água e não a encontrarem, e tiverem a língua ressequida de sede, eu, o SENHOR, os ouvirei; eu, o Deus de Israel, jamais os abandonarei. 18Abrirei rios para eles nos planaltos e lhes darei fontes de água nos vales. Encherei o deserto de açudes e a terra seca, de mananciais. 19Plantarei árvores no deserto: cedro, acácia, murta, oliveira, cipreste, abeto e pinheiro. 20Assim, todos que virem esse milagre entenderão o que ele significa: o SENHOR fez isso, o Santo de Israel o criou.

21“Apresentem a causa de seus ídolos”, diz o SENHOR. “Que eles mostrem o que são capazes de fazer”, diz o Rei de Israel. 22“Que nos digam o que aconteceu há muito tempo, para que analisemos as provas, ou digam o que o futuro reserva, para que saibamos o que acontecerá. 23Sim, anunciem o que acontecerá nos dias por vir; então saberemos que são deuses de fato. Façam alguma coisa, boa ou má! Façam algo que cause espanto e nos encha de medo. 24Mas não! Vocês são menos que nada e nada podem fazer; os que escolhem vocês contaminam a si mesmos.

25“Eu, porém, levantei um líder que virá do norte; desde o leste ele invocará meu nome. Eu lhe darei vitória sobre os líderes dos povos; ele os pisará como o oleiro pisa o barro.

26“Quem lhes falou desde o começo que isto aconteceria? Quem previu estas coisas e os fez admitir que tinha razão? Ninguém disse coisa alguma, nem uma só palavra! 27Eu fui o primeiro a dizer a Sião: ‘Veja! O socorro está a caminho!’. Enviarei a Jerusalém um mensageiro com boas notícias. 28Nenhum de seus ídolos lhes disse isso, nenhum deles respondeu quando perguntei. 29São objetos tolos e sem valor; todos os seus ídolos são vazios como o vento.” (Isaías 41)

O livro de Isaías é uma fascinante coleção de textos produzidos ao longo de um vasto período histórico e comumente divididas em três partes. A redação final do livro uniu estes textos dando encadeamento e composição para que possamos compreendê-lo hoje como abrangendo três grandes períodos da história de Judá: monarquia, exílio e restauração. O nosso texto pertencente ao Deuto-Isaías, o segundo livro, cujas profecias proferidas datam de entre 550-540 a.C. O autor, neste período, fala aos remanescentes do exílio, aqueles que ficaram em Judá e não foram levados para a Babilônia. É neste contexto que temos um interessante discurso de Javé.

Em nosso texto, o capítulo 41, Javé está lançando um desafio aos outros povos para que eles tragam os seus deuses para confrontá-lo. Ele chega a falar, para mim, num tom de deboche, que o ourives, o escultor e o modelador “com todo cuidado” fixam o ídolo com pregos para que não tombe. Como que dizendo “que deus é esse que precisa ser fixado para não cair, que não pode se mover”. Em seguida, Javé faz outro desafio, incitando os outros deuses a falar do passado e do futuro. A partir daí, Javé passa a dizer como cuidará e restaurará seu povo e sua palavra é palavra de vida e restauração.

Quando pensamos nesta série de mensagens, tínhamos em mente o fato de que a maioria de vocês sabe que Deus fala. Pelo menos é o que penso, pois se você é de fato um cristão, você saberá que ele fala pois você conversa com ele. No entanto, muitos de nós, tomados pela sistematização de nossa relação com Deus, pode ser levado a crer que Deus está mudo. O desafio desta série é mostrar a você que ele fala, e isto faz toda diferença em nossas vidas. Assim, hoje vamos conversar sobre o fato de Deus falar. Vamos ver que, antes da fala, há o silêncio; que não há outro Deus que fale e que sua palavra é vida.

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Sermões

Padrão bíblico de vida cristã

11Irmãos, encerro minha carta com estas últimas palavras: Alegrem-se. Cresçam até alcançar a maturidade. Encorajem-se mutuamente. Vivam em harmonia e paz. Então o Deus de amor e paz estará com vocês. 12Saúdem uns aos outros com beijo santo. 13Todo o povo santo lhes envia saudações. 14Que a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês. (2 Coríntios 13.11-14)

No texto de 2 Coríntios, escrito por volta de 55d.C., o apóstolo Paulo agradece aos irmãos pela mudança de atitude que eles tiveram e os encorajam a permanecerem fieis ao Evangelho. O texto que lemos é o encerramento desta carta e quero tecer breves considerações sobre algumas recomendações que o apóstolo faz.

Alegrem-se

Alegrem-se. A exortação de Paulo à alegria não é novidade. É nesta carta que Paulo fala de seu espinho na carne e a resposta do Senhor é direta “Minha graça é tudo de que você precisa. Meu poder opera melhor na fraqueza” (2Coríntios 12.9). A alegria do cristão não deve ser vinculada a circunstâncias ou problemas que venham a enfrentar por longo período. A alegria é fruto da graça de Deus derramada sobre nós, por isso, alegrem-se!

Cresçam

Cresçam até alcançar a maturidade. Não se chega à maturidade da noite para o dia. Também não é um processo imposto “goela abaixo”. É uma caminhada diária de fidelidade à Palavra de Deus. Oração, comunhão e perseverança são necessárias para se alcançar a maturidade. Tais práticas se alinham com o amor, justiça e misericórdia de Deus que devem ser vistas e praticadas por aqueles que são cristãos.

Encorajem-se

Encorajem-se mutuamente. Sabemos que alcançar a maturidade exige trabalho. Por isso, não caminhamos sozinhos. Somos uma Igreja, o que pressupõe que devamos nos relacionar com sinceridade e desenvolvamos relacionamentos saudáveis. Encorajar é mais que compartilhar um versículo bíblico, é ir até o meu irmão, ouvir suas dificuldades, ler a Bíblia com ele e orar com ele. Encorajar é estar ao lado, sendo apoio constante em toda situação.

Vivam

Vivam em harmonia e paz. Como é difícil buscar a harmonia e a paz. Somos levados a buscar nossas vontades, mas aqueles que são alcançados pela graça de Deus e transformados pelo poder do seu Espírito conseguem reconhecer seus erros e trilhar o caminho da paz. Harmonia e paz não são sensações que devemos buscar, mas sim uma escolha de vida que devemos praticar. Por isso Paulo exorta: vivam em harmonia e paz.

Conclusão

Concluindo. Tudo o que vimos aqui são características de uma Igreja que procura viver a vontade de Deus. Não se alcança este padrão encobrindo erros, problemas, conflitos, pecados e dificuldades. Tais características são subprodutos do compromisso cristão de se encarar e resolver os problemas da comunidade, sem deixar que nada fique sem tratar, o que exige fidelidade do povo. O desafio é trabalhar arduamente para que nossos problemas sejam superados, tendo em mente a paz como objetivo. Para tal, o caminho é aplicar a Palavra de Deus e não apenas ouvi-la. Que Deus nos capacite e nos abençoe.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Sermões

Melhorando nossos relacionamentos: Menor para ser maior

1Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que havia chegado sua hora de deixar este mundo e voltar para o Pai. Ele tinha amado seus discípulos durante seu ministério na terra, e os amou até o fim. 2Estava na hora do jantar, e o diabo já havia instigado Judas, filho de Simão Iscariotes, a trair Jesus. 3Jesus sabia que o Pai lhe dera autoridade sobre todas as coisas e que viera de Deus e voltaria para Deus. 4Assim, levantou-se da mesa, tirou a capa e enrolou uma toalha na cintura. 5Depois, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés de seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura. 6Quando Jesus chegou a Simão Pedro, este lhe disse: “O Senhor vai lavar os meus pés?”. 7Jesus respondeu: “Você não entende agora o que estou fazendo, mas algum dia entenderá”. 8“Lavar os meus pés? De jeito nenhum!”, protestou Pedro. Jesus respondeu: “Se eu não os lavar, você não terá comunhão comigo”. 9Simão Pedro exclamou: “Senhor, então lave também minhas mãos e minha cabeça, e não somente os pés!”. 10Jesus respondeu: “A pessoa que tomou banho completo só precisa lavar os pés para ficar totalmente limpa. E vocês estão limpos, mas nem todos”. 11Pois Jesus sabia quem o trairia. Foi a isso que se referiu quando disse: “Nem todos vocês estão limpos”. (João 13.1-11)

O texto de nossa meditação é um marco de virada no relato de João. Aqui, o evangelista começa uma nova seção textual que vai até o capítulo 17. Aqui, Jesus se volta para o seu círculo de amigos, seus discípulos mais íntimos. O mestre sabia qual seria seu fim, e por isso, aqui ele passa a instruir os doze acerca da formação e da missão da Igreja, que se forma pela atuação dos primeiros mensageiros de Jesus. A preparação destes é essencial e o Mestre sabia disso. Temos como marco inicial da Igreja o envio, já com Jesus ressurreto, e aqui, Jesus está semeando, mais uma vez, a semente do Evangelho que haveria de ser proclamado.

Quero destacar algo que me chama atenção neste texto. A riqueza de detalhes que João usa para registrar, no verso 4 e 5, ainda que de maneira tão sucinta. Há uma razão para isto. Na sentença anterior, Jesus afirma que “o Pai lhe dera autoridade sobre todas as coisas e que viera de Deus e voltaria para Deus”. Agora, Jesus passa a lavar os pés dos discípulos. Ao narrar esta transição, João faz questão de pontuar a indumentária e o procedimento de uma pessoa que lava os pés dos outros. É necessário? Talvez até não fosse, mas faz todo o sentido para a mensagem que Jesus quer passar, que João aqui demonstre como o filho de Deus agora se coloca como servo. Ele é o maior, mas se faz menor diante de todos.

É olhando para o lava-pés que vamos procurar entender como nossos relacionamentos podem ser melhorados, entendendo que é preciso ser menor para ser maior. Para tal, precisamos compreender que não somos o umbigo do mundo, devemos entender que devemos nos vestir de servos e que para tal a humildade é uma escolha diária.

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