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Tempo de gratidão

Artigo escrito para a edição de 9 de dezembro de 2017 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Exílio. Quando falamos esta palavra, os mais antigos lembrar-se-ão dos exilados políticos, da época da ditadura militar. Os mais jovens talvez a desconheçam. Exílio não é associado apenas ao desterrar-se alguém, mas também à solidão e ao retirar-se do convívio social. Falo do exílio pois o texto da nossa meditação de hoje é um cântico de alegria pelo retorno do exílio. Hoje vamos falar do Advento: tempo de gratidão.

1Quando o SENHOR trouxe os exilados de volta a Sião, foi como um sonho. 2Nossa boca se encheu de riso, e cantamos de alegria. As outras nações disseram: “O SENHOR fez coisas grandiosas por eles”. 3Sim, o SENHOR fez coisas grandiosas por nós; que alegria! 4Restaura, SENHOR, nossa situação, como os riachos revigoram o deserto. 5Os que semeiam com lágrimas colherão com gritos de alegria. 6Choram enquanto lançam as sementes, mas cantam quando voltam com a colheita. (Salmo 126)

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O preço de ser justo

Artigo escrito para a edição de 2 de dezembro de 2017 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Qual deve ser a nossa reação diante da corrupção? Quando olhamos para o noticiário e vemos a quantidade de notícias de corrupção, se sobrepondo umas as outras, qual deve ser a nossa reação? Buscar a justiça é diferente de desejar justiça. Quando desejamos justiça, é apenas um desejo, mas quando a buscamos, agimos para tal, e isto nos trará consequências.

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Não é de hoje

Artigo escrito para a edição de 25 de novembro de 2017 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Na última terça-feira, 21 de novembro, o Banco Mundial publicou um relatório onde aponta proposta de ajustes fiscais no país. Em resumo, o relatório diz o que todos nós já desconfiámos: as políticas fiscais do Brasil favorecem a minoria rica em detrimento da maioria pobre. Como solução o Banco Mundial aponta para ajustes fiscais para que os que realmente necessitam tenham acesso ao que precisam. Não é de hoje que isso acontece.

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O outro

Este texto foi publicado, anos atrás, no meu outro site. Retomo aqui dentro do contexto atual. Nada foi alterado de então.

ARTIGOS-O-Outro

Esquerda, centro, direita ou apolítico. Católico, evangélico, espírita ou ateu. Heterossexual, Homossexual, Bissexual ou assexual. As reduções são burras, mas são necessárias para dar o ponta pé inicial neste texto. O assunto não é política, religião ou sexo, o assunto é o outro. Sim, o outro, aquele ser fora de você que vive, mora e anda por este planeta que chamamos terra. Este outro, que é um ser humano que pensa, possuí opiniões e as expressa de sua maneira, tal qual você, que me lê. Este ser humano que é vivo, possuí preferências políticas, religiosas e sexuais, além de muitas outras preferências, como colocar o arroz por cima do feijão ou tomar café com leite ao invés de puro. Enfim, o assunto é o outro.

O outro tem causado muito incômodo. Ele anda falando demais por aí, sabe, se expressando. Abriu uma conta no Twitter e no Facebook e fica escrevendo sobre o que gosta de comer, que o calor incomoda, que o programa de TV tal é para burros, que o partido político dele é melhor que o do outro, que o Governo é corrupto, que o time dele é o melhor do mundo. Enfim, o outro está despejando disparates internet a fora e, caro leitor, você tem que dar um jeito nisso, afinal, quem o outro pensa que é para pensar diferente de você? Por acaso sabe ele o que você sabe? Estudou ele o que você estudou? Tem ele os diplomas que você tem? Sabe ele a ortografia correta do português corrente? Oras, quem o outro pensa que é, incomodando você, caro leitor?

Agora, sabe da última? O outro resolveu criar um blog. Um blog! Quem o outro pensa que é para escrever tratados sobre o que pensa? Você vai ficar aí parado, caro leitor? Vai lá comentar o disparate que ele escreve e publica! Só falta agora o outro querer criar um canal de vídeos no YouTube! O outro precisa se colocar no lugar dele, ficar despejando estes absurdos está incomodando demais a internet, quem ele pensa que é? Aqui, quem despeja conteúdo é você, caro leitor, não o outro. O outro é só … é só … é só … é só mais um querendo se aparecer nas redes sociais.

É, caro leitor, o outro anda causando muito incômodo por aí. Tem gente o xingando em tudo quanto é lugar, associando sua imagem a antigos ditadores e o que é pior, soltando indiretas nas redes sociais, visando o outro. Ah, o outro, este odiado ser que ousa afrontar as nossas ideias e nos desperta o desejo de vencer, de estar certo a qualquer preço, de jogar-lhe nossas verdades na cara, sem pudor, educação ou ética. Ah, o outro, que poderia bem ser você ou eu, caro leitor. Cuidado para não ser o outro.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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Deslizes

Já não existe nem o certo, nem o errado…

Tomo o título e um verso da canção de Raimundo Fagner para um desabafo gramático-ortográfico. Sinto que preciso voltar aos bancos da sala de aula, quiçá numa dessas escolas de reforço escolar, para reaprender as regras gramaticais e ortográficas. Não me preocupam os erros cometidos por deslizes, com certeza você lerá um deles aqui, mas sim aqueles que estão se perpetuando entre postagens de textinhos no Twitter e textões no Facebook.

As vírgulas, os pontos, as concordâncias. Esqueça tudo. Está cada dia mais difícil entender uma frase. Til, agudo, circunflexo. Esqueça também. Nada faz sentido mais. Por falar em mais, qual a diferença entre “mas” e “mais”? Haja interpretação de contexto para se perceber qual deveria ter sido usado, mas não foi.

Escrever corretamente ficou para os burocratas, advogados, escritores e os “metidos a intelectuais”. Saber escrever bem anda de mãos dadas com saber ler bem. Quem lê um texto bem escrito sabe escrever bem. No entanto, temos um monte de gente capaz de encontrar solução para os corruptos, os conservadores, os liberais, os atrasos da nação e as mazelas políticas, mas são incapazes de ler um texto e tirar conclusões plausíveis do mesmo. Da mesma forma, são incapazes de usar corretamente uma virgula ou concordar o sujeito com o verbo e o objeto. Assim, retomo o verso supracitado e concluo que, em questões de escrita, “Já não existe nem o certo, nem o errado…”.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil