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Que a poesia nos mostre o caminho

Parafraseio o verso de Oswaldo Montenegro para abrir este texto pois é na poesia que sempre encontrei eco para minha alma, quando não lendo, escrevendo. Deus me conduz, sempre, à poesia, quando a aflição é grande e incompreensão é maior ainda. Mais poesia, por favor, para aguentar a loucura desses dias e dessas palavras que escrevo em tom de desabafo. Se ao final deste texto você tiver algo a me dizer, não me diga, ore. Ore por mim, por você, por nós. Estamos precisando.

Faltam pouco mais de vinte minutos para a meia noite, de um dos dias mais importantes para a história do protestantismo, quando me assento para escrever estas palavras. O que me traz ao teclado é o sentimento que sempre me moveu a escrever quando a alma, inquieta e perturbada, não consegue aquietar-se e alinhar o pensamento: angústia. Sempre que a angústia toma conta do meu coração recorro às palavras do Salmista. Há um salmo, em particular, que leio, o Salmo 13, aqui, na Tradução Contemporânea A Mensagem:

Por muito tempo, ó Eterno —
Tu me ignoraste por muito tempo.
Por muito tempo, eu só conseguia ver
tua nuca. Por muito tempo,
Carreguei esse enorme fardo de problemas,
vivia com o estômago doendo.
Por muito tempo, meus arrogantes inimigos
me olhavam do alto de sua soberba.
Dá uma boa olhada em mim, ó Eterno, meu Deus!
Quero olhar a vida de frente,
Para que nenhum inimigo tire vantagem de mim
ou dê risada quando eu cair de cara no chão.
Eu me atirei em teus braços —
e celebro teu resgate.
Canto com todas as minhas forças,
depois de tantas orações respondidas.

Este Salmo diz muito sobre minha caminhada de vida. As dificuldades sempre me levam a ele. Não foi diferente hoje. Ele fala de uma pessoa que está cansada de sofrer e que, diante da dor e do sofrimento, encara o fato de que precisa voltar a viver e, ao fazê-lo, sabe que só o Eterno pode dar vida.

Ao longo das últimas semanas somei-me à árdua jornada de um grupo de cristãos em ouvir e acolher pessoas que estão sendo vítimas de assedio moral por conta das eleições. Tenho recebido, antes e depois do segundo turno, contatos de pessoas de todo o Brasil que estão sendo olhadas com soberba. Não tem espectro político aqui. Não tem PTRalha e Bolsominion. Ouvi e li muita coisa aconselhando as pessoas. Pais tirando prato da mesa e mandando filho arrumar comida na casa dos amigos comunistas. Filho dizendo que não vai mais ver a mãe porque ela ia votar no Bolsonaro. Não tem santo nessa história. Essas foram apenas algumas das coisas que ouvi e li nos atendimentos pastorais que fiz. Gente angustiada, oprimida, cansada do discurso de ódio e de pavor ao seu redor.

No meio disso tudo tive que lidar com a triste realidade de ter amigos tripudiando de mim por não declarar apoio a um candidato e outra parte a condenar meu não apoio a ele. Até de “pastor de satanás” fui chamado nesse processo e, diante disso tudo, a única coisa que me vinha à mente era a sentença do verso inicial do Salmo 13, mas do meu jeito: Deus, eu estou te ouvindo, o Senhor está me ouvindo? Estou ouvindo o povo, conversando com as pessoas, mas meu coração está doendo por tudo que estou vendo e lendo. Deus, eu estou te ouvindo, o Senhor está me ouvindo? Essa angústia toda está me consumindo, está doendo em mim, meu coração não está entendendo o teu povo gritando ódio ao invés de libertação. Deus, eu estou te ouvindo, o Senhor está me ouvindo?

Toda essa dor do outro doeu muito em mim. Ver que há, em pessoas tão longe, e ao mesmo tempo tão próximas, dores e dissabores tão intensos me fez olhar para minha dor pessoal e ver que minha dor não é nada. No entanto, tanta dor me tirou, por um instante, o brilho dos olhos, o amor pela vida e eu me achei exausto. Ao longo do dia, Deus colocou dois bons ouvidos para me ouvir, a quem eu louvo pela vida deles, embora não tenha dito nem cinco porcento do que tenho a dizer. Mas foi o refrigério. À noite, me deparei com um texto de uma irmã de fé e caminhada cristã que me fez sorrir pela beleza de Cristo naquelas palavras. Foi a hora do refrigério.

Ao longo desses dias fui atacado, criticado, chacoalhado por todos os lados. Gente que defende Bolsonaro me acusando de “passar pano para bandido”. Gente que defende PT me acusando de “passar pano para torturador”. E no meio de tudo estou eu, politicamente não alinhado com nenhum dos dois, profundamente democrata e representativo, afinal sou pastor PRESBITERIANO.

Por isso, faço do clamor do salmista o meu clamor: Dá uma boa olhada em mim, ó Eterno, meu Deus! Quero olhar a vida de frente. Não quero permitir que os relatos de ódio sejam maiores que os abraços de paz. Não sou capaz de tirar a angústia de cada um que ouvi, ouço e atendo, mas Cristo é, e por isso eu clamo a ti, ó Deus, que teu Filho nos mostre o caminho, mesmo quando não há um. E encerro aqui com três poesias, uma do salmista, uma de Oswaldo Montenegro e uma minha. Só a poesia pode nos ajudar a reencontrar a beleza da alma nessa hora.

Salmo 133, Salmo de Davi

Como é bom e agradável
quando os irmãos vivem em união!
Pois a união é preciosa como o óleo da unção,
que era derramado sobre a cabeça de Arão
e descia por sua barba,
até a bainha de suas vestes.
É revigorante como o orvalho do monte Hermom
que desce sobre os montes de Sião.
Ali o SENHOR pronuncia sua bênção
e dá vida para sempre.

Metade, de Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
pois metade de mim é o que eu grito
a outra metade é silêncio

Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
pois metade de mim é partida
a outra metade é saudade.

Quer as palavras que falo
não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
pois metade de mim é o que ouço
a outra metade é o que calo

Que a minha vontade de ir embora
se transforme na calma e paz que mereço
que a tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
a outra metade um vulcão

Que o medo da solidão se afaste
e o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso
que me lembro ter dado na infância
pois metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o seu silêncio me fale cada vez mais
pois metade de mim é abrigo
a outra metade é cansaço

Que a arte me aponte uma resposta
mesmo que ela mesma não saiba
e que ninguém a tente complicar
pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
pois metade de mim é plateia
a outra metade é canção.

Que a minha loucura seja perdoada
pois metade de mim é amor
e a outra metade também

Habitação, de Giovanni Alecrim

Quando pensei que haveria empatia,
encontrei indiferença
Quando pensei que haveria solidariedade,
encontrei condenação
Quando pensei que haveria mutualidade,
encontrei inimizade
Quando pensei que haveria acolhimento
encontrei rejeição

Mas não tem nada não, meu irmão,
Sua escolha política não pode
Te transformar em meu inimigo,
Mesmo que me vires as costas
Mesmo que me cerres o punho
Mesmo que me negues o ouvido
Mesmo que me empurres para longe.

Jesus veio morar no meio de nós,
e é comigo e contigo, irmão
que ele veio habitar.
Que Cristo habite em ti.
Que Cristo habite em mim.
Que Cristo habite em nós.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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O cristão e a necessidade do diálogo

O direito de firmar posição é um direito inegociável na democracia. Você pode ter sua opinião sobre o assunto que tiver e, mesmo que sua opinião seja racista, exclusivista e incoerente. A sua opinião é sua e ninguém tem o direito de tirá-la. Mas, como tudo na vida, existe um senão e o senão aqui está nas relações sociais, que são complexas, variáveis dentro de fatores como região, pessoas e grupos além de outras complexidades que existem no tecido social. Vivemos dias tensos no país, e não, não começou em 2018, nem em 2016, foi semeado na criação do “eles contra nós” na virada do século XX para o XXI. De lá para cá, o cenário político criou rivalidades e as redes sociais permitiram que surgissem pessoas capazes de influenciar massas. Uma serie de fatores fizeram com que trocássemos o consenso e o diálogo – construir ponte, diria Ju Wallauer do PodCast Mamilos – pelo embate em busca da destruição e aniquilação do outro. Quando vejo pessoas pedindo o fim do partido de oposição às suas ideias, eu não vejo um debate de projetos e de ideologias para uma construção social, o que vejo é a necessidade da eliminação do outro para que nada nem ninguém impeça o meu ponto de vista de ser o correto. Nesse contexto, famílias se dividem, amizades encerram e até mesmo nas igrejas as pessoas deixam de falar uma com as outras.

É aqui que eu quero chegar. Eu vejo mais postagens de pessoas cristãs sobre política do que a ação política dessas pessoas. Falar de política, problematizar, relativizar, teorizar e enfrentar é fácil. Difícil está em colocar em prática o que se teoriza. Vejo poucos cristãos que dizem querer combater a corrupção agindo de forma a, de fato, combatê-la. Como exemplo dou o simples fato de pedir Nota Fiscal de suas compras, com o intuito de não permitir que o comerciante venha a sonegar. Apenas isso. Sem contar uma infinidade de exemplos que poderia dar aqui. O testemunho cristão é uma das formas como pregamos o evangelho. Tenho visto cristão pregando intolerância, rechaçando pecadores, condenando pessoas ao inferno e, acredite se quiser, desejando a morte de pessoas. Não sei qual o cristo que elas servem, pois, o Cristo, Jesus, Filho de Deus, não é. Servem interesses pessoais em primeiro lugar e acomodam-se em políticos para justificar seus posicionamentos pessoais para, por fim, fundamentar sua inercia na proclamação do evangelho. Triste? Sim, mas é o retrato da realidade da maioria das igrejas cristãs pelo Brasil. Os grupos de WhatsApp tornaram-se em redutos políticos para firmar posição sem se abrir para o diálogo. As rodas de conversas, quando chegam no assunto política, tendem a se diluir caso haja divergências. Enfim, falta aquilo que é mais precioso para a democracia e que aprendemos com Jesus: o diálogo com o diferente. Sim, Jesus conhecia bem os seus conterrâneos – fariseus, saduceus, zelotes, sacerdotes, etc. – e com eles dialogou. Somos tentados a pensar que ele sempre teve embates com os Fariseus, mas temos relatos de que, nesses embates, havia diálogo, havia firmar de posição sem deixar de construir pontes para transformação de vidas. Nunca foi via de mão única, sempre foi dialogada. Com os diferentes, não apenas de opinião social e religiosa, mas de nação, ele nunca se furtou a dialogar. Mulher samaritana, mulher sírio-fenícia, centurião romano, helênicos, apenas para citar alguns dos diferentes com quem Jesus dialogou. Se Jesus dialogou, por que nós não podemos dialogar? Porque muitos consideram que seu ponto de vista é tão fundamental que não pode ser mudado, provado, dialogado e reconsiderado e o pior, consideram que, se as pessoas não concordam com o seu ponto de vista, elas são inimigas.

Concluo este texto, em tom de desabafo, dizendo que estou cada dia mais convicto que os cristãos genuínos não estão interessados nesses debates, não estão interessados no firmar de posições ou de brigar nas redes sociais por causa de política, mas antes, estão preocupados em viver o evangelho. Quem muito grita, pouco faz, pois perde tempo gritando. Enquanto assistimos o fundamentalismo religioso firmando posição, enquanto assistimos líderes religiosos dizendo em quem você deve votar, enquanto assistimos líderes políticos dizendo amém para todos os deuses, vemos uma imensa massa de membros de igrejas, de todos os tipos – Reformados, Pentecostais, Neopentecostais, Católicos – se rendendo à falácias ao invés de se renderem ao Evangelho. Eu sigo me policiando e controlando para “Que as palavras da minha boca e a meditação do meu coração sejam agradáveis a ti, SENHOR, minha rocha e meu redentor! (Salmo 19.14)

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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O Cabo e a Igreja no monte

Desde 13 de agosto um candidato à presidência do Brasil está recluso, num monte, em contato com o mundo exterior apenas pela internet, orando e jejuando. De tradição pentecostal, imerso em contatos com as igrejas neopentecostais, os discursos e participações de Daciolo soam como um culto neopentecostal, e não como um político. Sempre de Bíblia na mão e com o sotaque e fala de pastor carioca, ele não hesita em usar o nome de Deus em seus argumentos.

A candidatura de Cabo Daciolo é uma síntese da realidade evangélica brasileira. Totalmente desconectada da realidade social, imersa em sua realidade religiosa, presa no monte com suas tendas armadas e sem contato com o povo, que clama no pé do monte, por socorro. Interessante que a relação bíblica com os montes é sempre de habitação e manifestação de Deus e não dos homens. O lugar do homem não é no topo do monte, mas antes, no pé dele. Assim, o lugar de Moisés não é no Sinai, mas junto ao povo, para que a Lei trouxesse transformação. Para o profeta Habacuque, o monte é de onde vem o Senhor, Javé, para exercer a justiça, o profeta não deseja estar no monte, deseja que Deus venha até ele para promover transformação. O salmista canta que ele eleva os olhos para os montes para saber de onde lhe virá o socorro. É a mesma perspectiva de Habacuque: a salvação vem do Senhor, quando ele sair de sua habitação, o monte, a salvação virá. Nos evangelhos, temos o monte da transfiguração, onde Pedro, Tiago e João desejam armar as tendas e ali ficar para sempre. Mas não é ali o lugar de quem é chamado e enviado por Deus. Jesus mostra que quem é seu seguidor e carrega seu nome, Cristo-cristão, é gente do povo, que ama o povo e deseja estar com o povo. E isso não era nenhum ensino novo. Moisés desceu para orientar e corrigir o povo. Habacuque desejava a vinda de Javé do monte para corrigir e salvar o povo. Jesus desceu o monte para ensinar, curar e libertar o povo. O monte era evento, o povo era a rotina.

A igreja tem se prendido ao monte. Chamamos este monte, hoje, de templo ou evento. Temos uma imensidão de crentes, em igrejas pentecostais, neopentecostais, tradicionais, conservadoras, liberais, que têm vivido uma fé pautada em estar no templo e em torno do templo. É o monte, é bom estar lá, é lá que é o meu refúgio quando tudo está mal. Acontece que este templo, físico, com CEP e tudo mais, se estende para a vida das pessoas. Elas não são capazes de olhar ao redor do monte, ao redor delas mesmas e ver os que clamam, os que pedem, os que sofrem com as injustiças do mundo e, pior, os que estão perdidos em seus medos e anseios. Atente que a rotina de igreja, do dia a dia da igreja pode levar você e eu a nos esquecermos do que é primordial para a vida cristã: o contato com o povo. Jesus veio para buscar e salvar o perdido, não para ficar no monte. Jesus nos enviou a pregar o evangelho a toda criatura, isso se dá no templo? Também, mas não somente. Se dá no dia a dia e precisamos entender e compreender a urgência de sair do monte e estar em contato com o povo. O resumo de tudo que escrevo aqui é: sem contato com o povo não se prega o evangelho. Conecte-se, una-se, junte-se, comprometa-se com as pessoas. Não estou dizendo para você deixar de ir à igreja, estou dizendo que Igreja é gente, sem gente não tem igreja. Evangelize, fale do amor de Deus, viva este amor. Desça do monte!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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MC Diguinho: respeito e dignidade

Artigo escrito para a edição de 28 de janeiro de 2018 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

O polêmico funk de MC Diguinho foi pauta esta semana nos mais diversos círculos. Sites de entretenimento, grupos religiosos, movimentos de defesa dos direitos da mulher, enfim, de toda parte houveram manifestações contrárias à letra e questionando os limites do artista e seu trabalho. O funk, em si, já é um estilo musical bastante controverso. Na mesma medida que diverte, traz consigo letras que objetificam a mulher, idealizam a vida criminosa e expõe comportamentos e mazelas de uma parcela considerável da população.

Há uma preocupação da classe artística, desde o ano passado, com o policiamento e cerceamento da produção de arte no país. Há limite para a arte? Como fica o “eu lírico” nestas obras? Difícil responder, até mesmo porque há quem não considere o funk como música e, portanto, não é arte. A discussão hoje, neste espaço, no entanto, não tomará este rumo. O que quero aqui é trazer o olhar de Jesus para a mulher e, especificamente, nesta questão da objetificação da mesma. O episódio é conhecido de muitos cristãos. Não cristãos com certeza já ouviram a frase “aquele que não tem pecados atire a primeira pedra”. Estou falando do encontro de Jesus e a mulher pega em adultério.

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O garoto da foto

Artigo escrito para a edição de 13 de janeiro de 2018 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Como uma foto de um menino sozinho despertou discussões sobre amizade, fé e esperança.

A foto de Lucas Landau rodou o Brasil. Foi assunto nas redes sociais, nas conversas entre amigos e até destaque nos jornais televisivos. A cena do menino, de pé na praia, recém-saído da água, com frio natural de quem, molhado, se expõe ao tempo sem sol, escuro, mas com o olhar fixo e fascinado com o explodir dos fogos à beira mar. Ao fundo, a multidão se abraçava, comemorava a chegada de 2018, ignorando que ali, poucos metros mar a dentro, uma criança se fascinava com a chegada de um novo ano. A iluminação, o foco, a composição da imagem, tudo mérito de Landau, que brilhantemente captou aquele momento e nos possibilitou, como ele mesmo afirmou, diversas interpretações daquele momento.

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