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Mudança

Somos temporais. Lidamos com o tempo e, muitas vezes, lutamos com ele. O tempo passa. O sábio escreveu “E sei que tudo que Deus faz é definitivo; não se pode acrescentar ou tirar nada. O propósito de Deus é que as pessoas o temam” (Eclesiastes 3.14). Tudo o que Deus faz é definitivo. Ele assim o determinou e assim acontece. Um pouco antes, o mesmo sábio afirmou que “E, no entanto, Deus fez tudo apropriado para seu devido tempo. Ele colocou um senso de eternidade no coração humano, mas mesmo assim ninguém é capaz de entender toda a obra de Deus, do começo ao fim. Concluí, portanto, que a melhor coisa a fazer é ser feliz e desfrutar a vida enquanto é possível” (Eclesiastes 3.11-12).

A melhor coisa a se fazer é ser feliz. A nossa vida, por vezes, toma rumos inesperados. Deus nos conduziu, em 2013, de São Paulo para Araraquara. Aprouve a Deus, em 2018, nos levar de volta para São Paulo. Assim, no próximo ano não serei mais pastor da IPI Araraquara, SP, mas assumirei, com a graça de Deus, a IPI Tucuruvi, em São Paulo, SP.

Deus conduziu todo o processo, da decisão de minha saída de Araraquara ao convite pela Igreja do Tucuruvi, ensinando a mim e minha família como confiar e crer que ele tudo provê.

Araraquara estará marcada eternamente em nossos corações. Nosso menino Antônio cresceu até os cinco anos aqui, deu seus primeiros passos e aprendeu suas primeiras palavras. Nosso menino José nasceu aqui, um araraquarense que Deus nos deu para nos ligar eternamente com a cidade que aprendemos a amar.

À IPI Araraquara, minha gratidão por cinco anos de amizade e muita confiança, firmados na Palavra de Deus. Nossa amizade é para a eternidade.

À IPI Tucuruvi, minha gratidão por confiar em mim e pelo convite. Caminharemos juntos, com a graça de Deus!

Estamos de volta à São Paulo.

Família Alecrim
Giovanni, Tatiana, Antônio e José

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Artigos, Sermões

500 anos da Reforma Protestante do Século XVI

Pois não me envergonho das boas-novas a respeito de Cristo, que são o poder de Deus em ação para salvar todos os que creem, primeiro os judeus, e também os gentios. As boas-novas revelam como opera a justiça de Deus, que, do começo ao fim, é algo que se dá pela fé. Como dizem as Escrituras: “O justo viverá pela fé”. (Nova Versão Transformadora)

Sempre que leio o texto de Romanos 1.16-17 eu me recordo de minha adolescência quando, na casa de minha avó, numa tarde de inverno paulistano, eu me debrucei sobre uma Bíblia que acabara de ganhar de minha tia-avó Diva e abri no texto de Romanos, que havia sido tema da aula de Escola Dominical no domingo anterior. Uma nota de rodapé, associada ao final do verso 17, apontava para um outro texto: Habacuque 2.4, que diz “Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé”. Esta sequência de versículos caiu como uma bomba em meus pensamentos, dinamitando paredes que bloqueavam minha compreensão e trazendo luz para meus questionamentos mais sinceros sobre a vida na Igreja e a vida com Deus. O fato de ter nascido numa família cristã não me livrou, em nenhum momento, das aflições e questionamentos sobre Deus, igreja e família.

Quando me debrucei a escrever estas palavras, me lembrei que os estudos daqueles dias, sobre o texto de Romanos e de Habacuque me levaram a reconhecer três pilares que, hoje, olhando para os 500 anos da Reforma, reconheço como essência daquela retomada do povo de Deus de sua vida com o Pai. Quero falar com você, hoje, sobre a prática da oração, a vida de louvor e o testemunho. Vamos conversar sobre como os reformadores viveram tais pilares e como nós devemos vive-los hoje. Comecemos pela prática da oração.

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Sugestões para os 500 anos da Reforma – parte 3: vestimentas

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A pedido da Aliança de Igrejas Presbiteriana e Reformadas da América Latina – AIPRAL, escrevi a seguinte sugestão de vestimentas para as celebrações dos 500 anos da Reforma Protestante.

Com as festividades dos 500 anos da Reforma Protestante, nossa ideia quanto às vestimentas não é estabelecer uma regra única, ou um modelo único, mas sim apresentar quatro sugestões que perpassam a história da fé reformada desde seu início até os dias de hoje e que, acreditamos, devam ser representadas nas celebrações. A ideia é que na celebração dos 500 anos não se tenha uma uniformidade de vestimentas, mas sim a diversidade histórica e litúrgica, tão característica de nossas comunidades latino-americanas.

Litúrgico

A ideia é que a pregadora ou pregador da celebração esteja trajando a vestimenta litúrgica tradicional reformada. Toga, estola, gola clerical. A toga deve ser a modelo genebrina, preferencialmente na cor preta, conforme a usada por João Calvino. A estola sugerimos o uso da cor vermelha, própria para as festividades. No entanto, se pode usar uma estola multicor ou branca com símbolos reformados. A gola clerical pode ser usada a tradicional ou a que possui duas faixas brancas para baixo. Não estimulo o uso da gravata por pregadores, no caso desta celebração específica, por estarmos fazendo referência aos primórdios da Reforma. Demais componentes da mesa, que não seja a pregadora ou pregador, podem usar togas das mais variadas cores e estolas na cor vermelha, própria para as festividades.

Tradicional

É salutar que os componentes da mesa da celebração expressem a diversidade histórica das Igrejas Reformada, assim, ao invés de estimular uma única forma de vestimenta, sugerimos que pastores e pastoras procurem expressar em suas vestes a historicidade da fé reformada. O uso do terno com gola clerical ou gravata pelos pastores, ou tailleur pelas pastoras, é parte da história de muitas de nossas comunidades latino-americanas. Igrejas mais tradicionais e menos litúrgicas fazem uso de tal vestimenta e devem estar representadas.

Contemporâneo

Recentemente muitos pastores e pastoras têm usado apenas a camisa clerical, às vezes até sem o clerigma, e uma calça social ou de sarja. Outros tipos de vestimenta, como camisas xadrez e calça jeans, ou outros modelos que pastores e pastoras vem adotando não devem ser proibidos. Tal uso deve ser estimulado visando expressar nossa diversidade litúrgica.

Contextualizada

Uma das principais características da Igreja Reformada na América Latina é sua contextualização cultural. Assim, é salutar que comunidades inseridas em contextos culturais específicos sejam representadas conforme sua realidade cultural.

Concluindo

O objetivo, conforme dissemos no início deste texto, não é criar uma regra a ser seguida, mas contemplar a diversidade. Estimulo você a dialogar com a comunidade e as comunidades que participarão das celebrações, visando representar o máximo possível a diversidade de nossa fé em nossa região. Uma conversa preliminar com pastoras e pastores também se faz necessária para estabelecer a liberdade e a linearidade dos que participarão das celebrações. Desejamos que nossas Igrejas, mais que celebrar a história, se vejam como parte dela, da construção da fé reformada na América Latina.

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP
sml@ipib.org – gcalecrim@gmail.com


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.

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5 lições que o conservadorismo teológico tem me ensinado

Do início de minha caminhada teológica, até o presente momento, fiz uma jornada de desconstruir e reconstruir minha forma de ler e interpretar a Palavra de Deus. Tal exercício é fundamental, independentemente de sua linha teológica. Quando olho para o que produzo de teologia, o que me influencia e o que cala em minha mente e coração, claramente não me identifico com a maioria conservadora que toma conta dos rincões reformados (e ditos reformados) brasileiros. Por outro lado, os meus amigos progressistas e liberais teologicamente tendem a dizer que, por vezes, sou conservador demais. Eu amo cada um deles do mesmo jeito, apesar de tal definição.

Faço todo esse arrazoado para entrar no tema do artigo. Tenho convivido com pastores e líderes alinhados ao lado mais conservador da força (não resisti o trocadilho com Star Wars) e percebi que existem coisas que precisamos — progressistas, liberais e demais correntes — aprender com eles. Vamos a elas.

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Sugestões para os 500 anos da Reforma – parte 2: músicas

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Com as festividades dos 500 anos da Reforma Protestante, continuamos com a série de três artigos que pretendem apresentar sugestões quanto aos momentos litúrgicos, canções e vestes litúrgicas para as celebrações nas Igreja Locais, Presbitérios e Sínodos de nossa Igreja. O intuito não é que todas celebrações sejam iguais, mas sim que se tenha algumas ideias e recursos para auxiliar os liturgistas na elaboração de suas celebrações. Assim, nesta segunda parte, apresento as sugestões de cânticos. Embora a tentação aqui seja indicar canções do Cantai Todos os Povos, não o farei, pois creio que os liturgistas, naturalmente, incluirão hinos na liturgia, principalmente o CTP 409, Castelo Forte. A ideia deste artigo é apresentar canções contemporâneas para louvor a Deus, publicadas de 2001 para cá, lançando nossos olhos para fora do meio Presbiteriano Independente.

É de coração

De Gerson Borges, álbum É de coração, 2008 (https://www.facebook.com/gerson.borges)

A canção expressa o que toda Igreja deve ter em mente ao louvar e dedicar sua vida a Deus: “Se as palavras não mostrarem / Como é grande a minha gratidão / Mesmo assim, Senhor / Receba o meu louvor / É de coração”. É o convite a louvar a Deus com gratidão no coração e dedicando tudo ao Senhor de nossas vidas.

Na glória do poder

De Stênio Marcius, álbum A beleza do rei, 2010 (http://www.tantopradizer.com)

Uma canção que exalta a volta de Jesus, num ritmo bem brasileiro, relatando como toda a criação irá se mover e se comover com a chegada daquele que virá na glória do poder. Trata-se de uma canção que aponta para a nossa missão de clamarmos Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Tu és Santo

De Ronaldo Bezerra, álbum Ao vivo, 2009 (http://www.ronaldobezerra.com.br)

O cântico de Ronaldo Bezerra, pastor da Comunidade da Graça, apresenta a majestade de glória de Jesus, o único digno de louvor e adoração. Além disso, é a declaração da comunidade de fé que seguiremos os caminhos de Jesus todos os dias de nossas vidas.

Tua graça me basta

De Vineyard Brasil, álbum Mais do que paixão, 2004 (http://www.vineyardmusic.com.br)

Claramente inspirado em 2Coríntios 12.9, Tua graça me basta é uma canção que nos desafia a viver debaixo da graça de Deus, que é poder sobrenatural e presente de Deus para nós, nos capacitando e dando forças para prosseguir em nossa jornada.

Maranata

De Ministério Avivah da Igreja Batista Palavra Viva, 2016 (http://clicpalavraviva.com.br)

O cântico exalta a esperança e a certeza da volta de Jesus, declarando que somente ele é a luz e a salvação de nossas vidas. Assim, se andarmos com Cristo, estaremos seguros e certos de que com ele viveremos.

Santo Espírito

De Paulo César Baruk, 2016 (http://www.baruk.com.br)

A canção enfatiza a presença do Espírito Santo na vida do cristão e expressa o desejo de ser inundado pela glória de Deus em nossos corações. Ela aponta para a necessidade que temos de clamar pela presença do Espírito Santo em cada momento de nossa vida como Igreja.

Entendo os cânticos contemporâneos como uma expressão mais atual da fé cristã na condução do culto a Deus. Observei as letras das canções e o estilo musical das mesmas antes de selecioná-las e sugeri-las. A ideia é que os tradicionais hinos comunitários e do coral sejam parte do culto tanto quanto os cânticos contemporâneos.

 

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP
sml@ipib.org – gcalecrim@gmail.com


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.