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Tempo de gratidão

Artigo escrito para a edição de 9 de dezembro de 2017 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Exílio. Quando falamos esta palavra, os mais antigos lembrar-se-ão dos exilados políticos, da época da ditadura militar. Os mais jovens talvez a desconheçam. Exílio não é associado apenas ao desterrar-se alguém, mas também à solidão e ao retirar-se do convívio social. Falo do exílio pois o texto da nossa meditação de hoje é um cântico de alegria pelo retorno do exílio. Hoje vamos falar do Advento: tempo de gratidão.

1Quando o SENHOR trouxe os exilados de volta a Sião, foi como um sonho. 2Nossa boca se encheu de riso, e cantamos de alegria. As outras nações disseram: “O SENHOR fez coisas grandiosas por eles”. 3Sim, o SENHOR fez coisas grandiosas por nós; que alegria! 4Restaura, SENHOR, nossa situação, como os riachos revigoram o deserto. 5Os que semeiam com lágrimas colherão com gritos de alegria. 6Choram enquanto lançam as sementes, mas cantam quando voltam com a colheita. (Salmo 126)

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Mudança

Somos temporais. Lidamos com o tempo e, muitas vezes, lutamos com ele. O tempo passa. O sábio escreveu “E sei que tudo que Deus faz é definitivo; não se pode acrescentar ou tirar nada. O propósito de Deus é que as pessoas o temam” (Eclesiastes 3.14). Tudo o que Deus faz é definitivo. Ele assim o determinou e assim acontece. Um pouco antes, o mesmo sábio afirmou que “E, no entanto, Deus fez tudo apropriado para seu devido tempo. Ele colocou um senso de eternidade no coração humano, mas mesmo assim ninguém é capaz de entender toda a obra de Deus, do começo ao fim. Concluí, portanto, que a melhor coisa a fazer é ser feliz e desfrutar a vida enquanto é possível” (Eclesiastes 3.11-12).

A melhor coisa a se fazer é ser feliz. A nossa vida, por vezes, toma rumos inesperados. Deus nos conduziu, em 2013, de São Paulo para Araraquara. Aprouve a Deus, em 2018, nos levar de volta para São Paulo. Assim, no próximo ano não serei mais pastor da IPI Araraquara, SP, mas assumirei, com a graça de Deus, a IPI Tucuruvi, em São Paulo, SP.

Deus conduziu todo o processo, da decisão de minha saída de Araraquara ao convite pela Igreja do Tucuruvi, ensinando a mim e minha família como confiar e crer que ele tudo provê.

Araraquara estará marcada eternamente em nossos corações. Nosso menino Antônio cresceu até os cinco anos aqui, deu seus primeiros passos e aprendeu suas primeiras palavras. Nosso menino José nasceu aqui, um araraquarense que Deus nos deu para nos ligar eternamente com a cidade que aprendemos a amar.

À IPI Araraquara, minha gratidão por cinco anos de amizade e muita confiança, firmados na Palavra de Deus. Nossa amizade é para a eternidade.

À IPI Tucuruvi, minha gratidão por confiar em mim e pelo convite. Caminharemos juntos, com a graça de Deus!

Estamos de volta à São Paulo.

Família Alecrim
Giovanni, Tatiana, Antônio e José

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O preço de ser justo

Artigo escrito para a edição de 2 de dezembro de 2017 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Qual deve ser a nossa reação diante da corrupção? Quando olhamos para o noticiário e vemos a quantidade de notícias de corrupção, se sobrepondo umas as outras, qual deve ser a nossa reação? Buscar a justiça é diferente de desejar justiça. Quando desejamos justiça, é apenas um desejo, mas quando a buscamos, agimos para tal, e isto nos trará consequências.

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A liturgia dos primeiros cristãos

Quando falamos de liturgia não estamos falando de ontem. Atrás de nós existem dois mil anos de liturgia cristã e mais de um milênio de liturgia judaica, que influenciou diretamente o culto cristão. Jesus e seus discípulos praticavam o culto judaico. As primeiras comunidades cristãs participaram por um tempo da sinagoga. Logo seria natural uma influência judaica no culto cristão.

Quando falamos da história da liturgia cristã, precisamos lembrar que temos apenas algumas fontes onde consultar: O Novo Testamento (principalmente Atos 2.42-47 e 1Coríntios 11.17-34), a Didaqué (O mais antigo estatuto eclesiástico do cristianismo), os escritos de Justino Mártir, que viveu em torno de 150 d.C., os escritos de Hopólito, bispo de Roma por volta de 200 d.C e também os documentos dos Patriarcados (Patriarcados eram grandes regiões eclesiásticas chefiadas por um patriarca, existiam cinco no início: Jerusalém, Alexandria, Antioquia, Constantinopla e Roma) . Estas fontes históricas nos dão uma pista de como era a estrutura fundamental da liturgia cristã em seu início. É preciso lembrar também que, logo em seu início, a igreja dividiu-se em duas, uma no Ocidente e outra no Oriente. Divisão que fez as liturgias tomarem rumos diferentes nas igrejas.

O culto cristão em seu início foi fortemente influenciado pela sinagoga. Mas antes de falarmos da influência da sinagoga, vamos falar de algo genuinamente cristão. Em Atos 2.42 lemos que “E todos continuavam firmes, seguindo os ensinamentos dos apóstolos, vivendo em amor cristão, partindo o pão juntos e fazendo orações.” Este partir do pão constitui no que hoje chamamos de Eucaristia ou Santa Ceia.

A Santa Ceia era, ao mesmo tempo, uma refeição e uma celebração litúrgica. A comunidade se reunia na casa de alguém para comer junto. O dono da casa começava a refeição levantando um dos pães e proferindo uma oração de louvor. Depois disto transcorria a refeição normalmente, para no final o dono da casa erguer um cálice de vinho e proferir uma oração de louvor, gratidão e súplica. O fato de o dono da casa erguer o vinho no final da refeição não quer dizer que eles não bebiam antes. Num momento posterior, a refeição passa a ser celebrada antes do partir do pão e do beber do cálice, até, por fim, ser extinta da liturgia definitivamente.

O termo Santa Ceia significa ação de graças. Sua origem vem, provavelmente, da oração que era feita no partir do pão e no levantar o cálice. A Didaqué registra que a comunidade cristã celebra a Santa Ceia no domingo. Falando da sinagoga, sua principal influência na liturgia cristã é a Liturgia da Palavra. Em sua forma original a Liturgia da Palavra era composta por leituras bíblicas, interpretação e oração de intercessão. Aos poucos a Liturgia da Palavra passou a ser combinada com a Liturgia da Santa Ceia, formando a primeira estrutura litúrgica que temos notícia, documentada por Justino Mártir (150 d.C.), o que nos leva a crer que ela existia antes desta data.

A liturgia, fundamentalmente, era assim composta:

  • Liturgia da Palavra
    • Leituras bíblicas
    • Interpretação
    • Oração de intercessão
  • Liturgia da Santa Ceia
  • Preparo da mesa
  • Oração eucarística
  • Distribuição

Esta estrutura tem profundo significado para nós, Igreja de Cristo, pois é a estrutura mais antiga que temos no culto cristão, remontam diretamente aos pais da Igreja e foram alteradas apenas por algumas tradições posteriores à Reforma Protestante, mas não por Lutero, nem por Calvino. Esta estrutura básica permaneceu inalterada por mais de dezesseis séculos! É o que há de mais genuinamente cristão, pois é o que está mais próximo dos tempos de Jesus e dos discípulos. Quando celebramos a Liturgia da Palavra e a Liturgia da Santa Ceia, estamos nos ligando diretamente com esses primeiros cristãos e reconhecendo o valor destes para a existência de nossa comunidade hoje.

A interpretação da Palavra e a celebração da Santa Ceia são os pilares do culto cristão. Remover qualquer um deles é deixar o culto incompleto. Um culto cristão sem a interpretação da Palavra é renegado a um mero ajuntamento em torno de ideias comuns, sem o entendimento e compreensão da Palavra de Deus. Um culto cristão sem a celebração da Santa Ceia é renegado a um ouvir a Palavra, mas não exercer a comunhão a que esta Palavra nos exorta. Portanto, um culto cristão sem Liturgia da Palavra e sem Liturgia da Santa Ceia, é um culto incompleto. O esforço nos últimos anos nos movimentos reformados é de retorno à estrutura litúrgica fundamental. Celebrar a Santa Ceia dominicalmente não é banalizá-la, antes, é reafirmar que somos cristãos e que preservamos o hábito de nos reunirmos à mesa com Jesus em seu dia, o dia do Senhor, o domingo.

Pela Coroa Real do Salvador

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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Não é de hoje

Artigo escrito para a edição de 25 de novembro de 2017 do Jornal Info o Povo do Estado do Rio de Janeiro.

Na última terça-feira, 21 de novembro, o Banco Mundial publicou um relatório onde aponta proposta de ajustes fiscais no país. Em resumo, o relatório diz o que todos nós já desconfiámos: as políticas fiscais do Brasil favorecem a minoria rica em detrimento da maioria pobre. Como solução o Banco Mundial aponta para ajustes fiscais para que os que realmente necessitam tenham acesso ao que precisam. Não é de hoje que isso acontece.

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