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Deslizes

Já não existe nem o certo, nem o errado…

Tomo o título e um verso da canção de Raimundo Fagner para um desabafo gramático-ortográfico. Sinto que preciso voltar aos bancos da sala de aula, quiçá numa dessas escolas de reforço escolar, para reaprender as regras gramaticais e ortográficas. Não me preocupam os erros cometidos por deslizes, com certeza você lerá um deles aqui, mas sim aqueles que estão se perpetuando entre postagens de textinhos no Twitter e textões no Facebook.

As vírgulas, os pontos, as concordâncias. Esqueça tudo. Está cada dia mais difícil entender uma frase. Til, agudo, circunflexo. Esqueça também. Nada faz sentido mais. Por falar em mais, qual a diferença entre “mas” e “mais”? Haja interpretação de contexto para se perceber qual deveria ter sido usado, mas não foi.

Escrever corretamente ficou para os burocratas, advogados, escritores e os “metidos a intelectuais”. Saber escrever bem anda de mãos dadas com saber ler bem. Quem lê um texto bem escrito sabe escrever bem. No entanto, temos um monte de gente capaz de encontrar solução para os corruptos, os conservadores, os liberais, os atrasos da nação e as mazelas políticas, mas são incapazes de ler um texto e tirar conclusões plausíveis do mesmo. Da mesma forma, são incapazes de usar corretamente uma virgula ou concordar o sujeito com o verbo e o objeto. Assim, retomo o verso supracitado e concluo que, em questões de escrita, “Já não existe nem o certo, nem o errado…”.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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O culto Reformado e os 500 anos da Reforma

Em setembro de 2016 publicamos em O Estandarte um artigo falando da liturgia que Martinho Lutero e João Calvino desenvolviam em suas respectivas igrejas. Ali estão expressas, em linhas gerais, as pequenas mudanças promovidas pelos Reformadores diante da nova realidade eclesiástica que se apresentava. Passados 500 anos, assistimos em nosso tempo uma retomada dos valores Reformados na teologia e nos sermões, porém, tal retomada parece estar distante da realidade de culto da maioria das Igrejas, que acrescentam elementos Reformados às suas mensagens, fazem menção à reforma, mas não adotam alguns princípios de culto que Lutero e Calvino preservaram em seu tempo. Vamos a dois deles

Como eixo principal de sua liturgia, Lutero mantém o princípio de instrução valorizando os Dez Mandamentos, o Credo Cristão e o Pai-nosso e ressaltando a importância da leitura e exposição das Escrituras nos cultos diários e dominicais. O culto é, para Calvino, o momento onde o homem se aproxima de Deus. Para Calvino “ir ao púlpito é pisar em terra santa. Ter diante de si a Bíblia aberta exige não tratar as coisas sagradas com leviandade”. (Steven Lawson em A Arte Expositiva de João Calvino).

Em muitas de nossas igrejas, quer de liturgia mais tradicional, quer de liturgia contemporânea, a leitura bíblica é restrita ao momento da proclamação da Palavra. Um ou outro pequeno trecho é lido em algum momento do culto, geralmente não mais que um versículo, antes de uma oração de confissão ou dos cânticos de louvor. Se há um elemento de unidade que percorre todo o culto Reformado é a Palavra de Deus. É pela Palavra que entendemos que a estrutura fundamental da liturgia foi elaborada. Adoração, confissão, perdão, louvor, gratidão, pregação, sacramentos da Ceia e Batismo e envio são fundamentos bíblicos que compõem o culto Reformado.

Quando olhamos para as mudanças promovidas por Lutero e Calvino em suas paróquias, vemos que o movimento da liturgia em direção a uma maior inserção do texto bíblico é uma das maiores contribuições a serem consideradas. Liturgias contemporâneas e tradicionais vêm sendo moldadas sem levar em consideração a ligação dos momentos do culto com a Palavra. Calvino considerava tão importante o Evangelho para a vida do cristão que tudo o que leva o homem a prestar a atenção em algo que não seja o Evangelho, ele abole do culto em Genebra.

Neste momento histórico em que os 500 anos da Reforma estão tão visíveis em nossas comunidades, precisamos retomar o princípio litúrgico que Calvino e Lutero nos legaram. O elemento unificador dos nossos cultos, quer contemporâneo, quer tradicional, é o Evangelho. A Palavra não pode ser apenas um momento do culto, dever ser parte do todo. É preciso que o povo leia a Palavra e eu recomendo que tal leitura não seja passiva, ou seja, apenas uma pessoa lê e as demais ouvem, eu recomendo que o povo leia, comunitariamente a Palavra, para que eles tenham contato por eles mesmos com o texto central de nossa fé.

Estamos celebrando 500 anos de um momento em que a Palavra foi trazida para o centro da vida da Igreja. Uma vez que pregadoras e pregadores estão trazendo para seus sermões tantos elementos Reformados, por que não instruir a comunidade a cultuar sempre à luz da Palavra, não de maneira subjetiva, mas sim objetiva, clara e diretamente aplicada nos momentos litúrgicos.

Pela Coroa Real do Salvador

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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Sugestões para os 500 anos da Reforma – parte 3: vestimentas

A pedido da Aliança de Igrejas Presbiteriana e Reformadas da América Latina – AIPRAL, escrevi a seguinte sugestão de vestimentas para as celebrações dos 500 anos da Reforma Protestante.

Com as festividades dos 500 anos da Reforma Protestante, nossa ideia quanto às vestimentas não é estabelecer uma regra única, ou um modelo único, mas sim apresentar quatro sugestões que perpassam a história da fé reformada desde seu início até os dias de hoje e que, acreditamos, devam ser representadas nas celebrações. A ideia é que na celebração dos 500 anos não se tenha uma uniformidade de vestimentas, mas sim a diversidade histórica e litúrgica, tão característica de nossas comunidades latino-americanas.

Litúrgico

A ideia é que a pregadora ou pregador da celebração esteja trajando a vestimenta litúrgica tradicional reformada. Toga, estola, gola clerical. A toga deve ser a modelo genebrina, preferencialmente na cor preta, conforme a usada por João Calvino. A estola sugerimos o uso da cor vermelha, própria para as festividades. No entanto, se pode usar uma estola multicor ou branca com símbolos reformados. A gola clerical pode ser usada a tradicional ou a que possui duas faixas brancas para baixo. Não estimulo o uso da gravata por pregadores, no caso desta celebração específica, por estarmos fazendo referência aos primórdios da Reforma. Demais componentes da mesa, que não seja a pregadora ou pregador, podem usar togas das mais variadas cores e estolas na cor vermelha, própria para as festividades.

Tradicional

É salutar que os componentes da mesa da celebração expressem a diversidade histórica das Igrejas Reformada, assim, ao invés de estimular uma única forma de vestimenta, sugerimos que pastores e pastoras procurem expressar em suas vestes a historicidade da fé reformada. O uso do terno com gola clerical ou gravata pelos pastores, ou tailleur pelas pastoras, é parte da história de muitas de nossas comunidades latino-americanas. Igrejas mais tradicionais e menos litúrgicas fazem uso de tal vestimenta e devem estar representadas.

Contemporâneo

Recentemente muitos pastores e pastoras têm usado apenas a camisa clerical, às vezes até sem o clerigma, e uma calça social ou de sarja. Outros tipos de vestimenta, como camisas xadrez e calça jeans, ou outros modelos que pastores e pastoras vem adotando não devem ser proibidos. Tal uso deve ser estimulado visando expressar nossa diversidade litúrgica.

Contextualizada

Uma das principais características da Igreja Reformada na América Latina é sua contextualização cultural. Assim, é salutar que comunidades inseridas em contextos culturais específicos sejam representadas conforme sua realidade cultural.

Concluindo

O objetivo, conforme dissemos no início deste texto, não é criar uma regra a ser seguida, mas contemplar a diversidade. Estimulo você a dialogar com a comunidade e as comunidades que participarão das celebrações, visando representar o máximo possível a diversidade de nossa fé em nossa região. Uma conversa preliminar com pastoras e pastores também se faz necessária para estabelecer a liberdade e a linearidade dos que participarão das celebrações. Desejamos que nossas Igrejas, mais que celebrar a história, se vejam como parte dela, da construção da fé reformada na América Latina.

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP
sml@ipib.org – gcalecrim@gmail.com


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.

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5 lições que o conservadorismo teológico tem me ensinado

Do início de minha caminhada teológica, até o presente momento, fiz uma jornada de desconstruir e reconstruir minha forma de ler e interpretar a Palavra de Deus. Tal exercício é fundamental, independentemente de sua linha teológica. Quando olho para o que produzo de teologia, o que me influencia e o que cala em minha mente e coração, claramente não me identifico com a maioria conservadora que toma conta dos rincões reformados (e ditos reformados) brasileiros. Por outro lado, os meus amigos progressistas e liberais teologicamente tendem a dizer que, por vezes, sou conservador demais. Eu amo cada um deles do mesmo jeito, apesar de tal definição.

Faço todo esse arrazoado para entrar no tema do artigo. Tenho convivido com pastores e líderes alinhados ao lado mais conservador da força (não resisti o trocadilho com Star Wars) e percebi que existem coisas que precisamos — progressistas, liberais e demais correntes — aprender com eles. Vamos a elas.

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Exemplo de dedicação ao evangelho

Então, saindo, percorriam todas as aldeias, anunciando o evangelho e efetuando curas por toda parte. (Lucas 9.6)

Hoje celebra-se os 158 anos da chegada do Reverendo Ashbel Green Simonton ao Brasil, um homem cuja missão se reflete até nossos dias. Seja sua vida inspiração para nossas vidas: anunciar o evangelho é viver a vontade de Deus e quando vivemos a vontade de Deus, os frutos são imensos e incontáveis. Simonton sonhava com um Brasil entregue ao Evangelho, e seu trabalho foi uma pequena semente lançada que hoje produz frutos em todo nosso território. O exemplo que ele nos deixa é que nenhuma adversidade, nem mesmo a morte, é capaz de parar aqueles que foram chamados para anunciar a mensagem de vida que é o Evangelho.

Será que temos apresentado aos nossos conhecidos a mensagem do evangelho de amor na perspectiva presbiteriana, que é a mensagem que nos trouxe Ashbel Green Simonton, que chegou ao Brasil em 12 de agosto de 1859 com seu coração colocado nas mãos de Deus e dedicado ao serviço missionário. Quando celebramos 158 anos da chegada de Simonton, será que nosso coração também não deveria arder no Espírito de Deus para que evangelizemos nossos conhecidos?

Oração: Senhor, ensina-me a ser dedicado e fiel na proclamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.. Em nome de Jesus, amém.

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Araraquara, SP
Secretário de Música e Liturgia da IPIB