Cristo e nada mais: consequência

Chegamos na ultima mensagem da série sobre a carta de Paulo aos Colossenses. As mensagens que nos trouxeram até aqui foram Boas Novas, Supremacia, Fidelidade e Liberdade. Quando ouvimos as boas novas e reconhecemos a supremacia de Cristo, somos chamados a uma vida de fidelidade a Deus e liberdade no Espírito Santo. Mas qual a consequência disto para nós? O que trata o final da carta. Diferentemente das outras mensagens, por ser esta firmada num trecho longo, vamos percorrer o texto e, entre os blocos, comentar o que Paulo está nos ensinando. Assim, começamos com o apelo de Paulo a manter o foco no Reino de Deus.

O Reino

1Uma vez que vocês ressuscitaram para uma nova vida com Cristo, mantenham os olhos fixos nas realidades do alto, onde Cristo está sentado no lugar de honra, à direita de Deus. 2Pensem nas coisas do alto, e não nas coisas da terra. 3Pois vocês morreram para esta vida, e agora sua verdadeira vida está escondida com Cristo em Deus. 4E quando Cristo, que é sua vida, for revelado ao mundo inteiro, vocês participarão de sua glória.

Diante de todo o passado de influências das religiões pagãs, Paulo se apropria da imagem de “alto-baixo” usada pelos colossenses no que se refere às questões da fé. O apóstolo aponta para a necessidade de se buscar as coisas lá do alto como referência a uma vida que condiz com a vontade de Deus. Ao invés de dizer diretamente “vivam pela fé”, o apóstolo prefere recorrer a uma linguagem figurada: “2Pensem nas coisas do alto, e não nas coisas da terra. 3Pois vocês morreram para esta vida, e agora sua verdadeira vida está escondida com Cristo em Deus”.

Nós devemos pensar nas coisas lá do alto, sem nos esquecermos que estamos aqui, com os pés no chão, onde vivemos, no nosso dia a dia. Sabe o que isto significa? Que devemos viver a vida eterna hoje, já, com dedicação e amor, com zelo e cuidado. Não é um convite a nos isolarmos do mundo, mas nos relacionarmos com o mundo na perspectiva do Reino de Deus. É tornar nossos relacionamentos intencionalmente cristãos, firmados nos valores de Deus, para que o evangelho seja proclamado às pessoas. O único projeto evangelístico que existe é o de você anunciar a boa nova de salvação para todo o que anda perambulando pelo império das trevas. Como, então, poderemos ter relacionamentos intencionais? Mantendo o foco no necessário, e é disso que Paulo passa a falar agora: mantendo o foco no necessário. E ele nos mostra três verdades sobre as quais devemos manter o foco.

Foco necessário: os pecados que aprisionam

5Portanto, façam morrer as coisas pecaminosas e terrenas que estão dentro de vocês. Fiquem longe da imoralidade sexual, da impureza, da paixão sensual, dos desejos maus e da ganância, que é idolatria. 6É por causa desses pecados que vem a ira de Deus. 7Vocês costumavam praticá-los quando sua vida ainda fazia parte deste mundo, 8mas agora é o momento de se livrarem da ira, da raiva, da maldade, da maledicência e da linguagem obscena. 9Não mintam uns aos outros, pois vocês se despiram de sua antiga natureza e de todas as suas práticas perversas. 10Revistam-se da nova natureza e sejam renovados à medida que aprendem a conhecer seu Criador e se tornam semelhantes a ele. 11Nessa nova vida, não importa se você é judeu ou gentio, se é circuncidado ou incircuncidado, se é inculto ou incivilizado, se é escravo ou livre. Cristo é tudo que importa, e ele vive em todos.

A primeira verdade é que precisamos manter o foco no fato de que os pecados nos aprisionam. Não duvide disso. O pecado que nos torna escravos. Paulo apresenta uma lista de atitudes que aprisionam. Num primeiro momento, uma lista ligada a questões sexuais. Imoralidade sexual, impureza, paixão sensual, desejos maus, ganância e idolatria. Estas práticas estão associadas aos cultos pagãos a que os colossenses foram ensinados no passado. Depois, Paulo apresenta outra lista, de pecados ligados ao comportamento público: ira, raiva, maldade, maledicência e linguagem obscena. Por fim, Paulo fala da mentira, não mentir uns aos outros. Ser verdadeiro.

Todas estas atitudes permeiam nosso dia a dia. Se você prestar atenção nas propagandas e programas de televisão, verá o quanto a sexualização está presente. a própria palavra sexo é um tabu dentro da igreja. Você falar de sexo diante da igreja causa, em certas pessoas, indignação. Precisamos compreender que os pecados ligados à questão sexual são incentivados pela sociedade, mas o sexo é dádiva divina, dada ao ser humano para seja vivido de maneira plena e saudável, não ao nosso bel prazer, o que nos tornaria escravo do sexo. Além do sexo, um pecado desta lista que me chama atenção é a mentira. Está cada dia mais fácil espalhar mentiras. Comumente vejo pessoas compartilhando mensagens que são mentiras. A mentira está diante de nós, desde o “avisa que não estou” até àquela mentira cabeluda! Mantenha o foco no fato de que o pecado aprisiona e que, nesta lista de pecados apresentados por Paulo, há algum, ou vários, que podem neste momento estar te acorrentando.

Foco necessário: as atitudes que libertam

12Visto que Deus os escolheu para ser seu povo santo e amado, revistam-se de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência. 13Sejam compreensivos uns com os outros e perdoem quem os ofender. Lembrem-se de que o Senhor os perdoou, de modo que vocês também devem perdoar. 14Acima de tudo, revistam-se do amor que une todos nós em perfeita harmonia. 15Permitam que a paz de Cristo governe o seu coração, pois, como membros do mesmo corpo, vocês são chamados a viver em paz. E sejam sempre agradecidos.

A primeira verdade é que precisamos manter o foco no fato de que os pecados nos aprisionam e a segunda verdade é que existem atitudes que nos ajudam a vencer o pecado, são atitudes libertadoras. Compaixão, bondade, humildade, mansidão, paciência, compreensão, perdão, amor, harmonia, paz, gratidão. Alguém aqui seria capaz de dizer que tais atitudes não são atitudes boas? Paulo aponta a direção para os colossenses a fim de que eles entendam e compreendam que a nova vida com Cristo é uma vida de mudanças, de aproximação com Deus e com o próximo.

A lista de atitudes deve permear nossas relações. Se quisermos quebrar que as amarras de atitudes pecaminosas nos impõem, eis aqui a fórmula. 15Permitam que a paz de Cristo governe o seu coração, pois, como membros do mesmo corpo, vocês são chamados a viver em paz. E sejam sempre agradecidos. A paz de Cristo deve governar nossos corações. Só assim poderemos ser compassivos, bondosos, humildes, mansos, pacienciosos, compreensivos, perdoadores, amorosos, harmônicos, pacificadores e gratos. O amor de Cristo nos permite uma vida de amor, por isso devemos nos revestir de amor uns para com os outros. Paulo está, aqui, nos conduzindo para a terceira verdade.

Foco necessário: a comunhão que fortalece

16Que a mensagem a respeito de Cristo, em toda a sua riqueza, preencha a vida de vocês. Ensinem e aconselhem uns aos outros com toda a sabedoria. Cantem a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais com o coração agradecido. 17E tudo que fizerem ou disserem, façam em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus, o Pai, por meio dele.

A primeira verdade é que precisamos manter o foco no fato de que os pecados nos aprisionam e a segunda verdade é que existem atitudes que nos ajudam a vencer o pecado, são atitudes libertadoras. A terceira verdade é a de que a comunhão nos fortalece a fé. Paulo incentiva os colossenses a uma vida de comunhão. O que deve preencher a vida dos irmãos é a mensagem de Cristo, que os levará a ensinar uns aos outros com sabedoria, a cantar em louvor a Deus com o coração agradecido, fazendo tudo com o coração grato a Deus pela salvação em Cristo Jesus.

A comunhão fortalece a fé. É no ensino da Palavra que somos orientados como agir e recebemos direção e força. No aconselhamento entre irmãos fortalecemos a confiança e a comunhão, compreendendo que Cristo não nos chamou para uma vida isolada, mas sim comunitária. Nesta comunhão, não fazemos nada por obrigação, mas por gratidão. Importe-se com seu irmão de fé por gratidão a Deus pela salvação em Cristo Jesus. A importância que damos aos nossos relacionamentos na igreja está intimamente ligada à importância que damos ao Evangelho. Amar é uma expressão de gratidão. Corações gratos não perdem tempo com picuinhas, coisas menores, maledicências, mentiras.

Passadas as recomendações de como viver a fé cristã e a consequência de uma vida entregue a Deus, Paulo passa a fazer algumas recomendações quanto ao convívio social.

Recomendações sociais

18Esposas, sujeite-se cada uma a seu marido, como é próprio a quem está no Senhor.

19Maridos, ame cada um a sua esposa e nunca a trate com aspereza.

20Filhos, obedeçam sempre a seus pais, pois isso agrada ao Senhor. 21Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem.

22Escravos, em tudo obedeçam a seus senhores terrenos. Procurem agradá-los sempre, e não apenas quando eles estiverem observando. Sirvam-nos com sinceridade, por causa de seu temor ao Senhor. 23Em tudo que fizerem, trabalhem de bom ânimo, como se fosse para o Senhor, e não para os homens. 24Lembrem-se de que o Senhor lhes dará uma herança como recompensa e de que o Senhor a quem servem é Cristo. 25Mas, se fizerem o mal, receberão de volta o mal, pois Deus não age com favoritismo.

4.1Senhores, sejam justos e imparciais com seus escravos. Lembrem-se de que vocês também têm um Senhor no céu.

Maridos e mulheres, pais e filhos, senhores e escravos. Paulo aborda esta temática aqui pois o povo da igreja de Colossos não tinha o passado ligado aos padrões éticos e sociais que os judeus tinham, por conta das recomendações e orientações da Lei de Deus. assim, Paulo aponta aqui para a necessidade de um relacionamento pautado pela concordância e harmonia entre marido e mulher, pais e filhos, senhores e escravos. Interessante Paulo dedicar mais tempo para falar da relação senhores e escravos. Seria uma forma do apóstolo já indicar o que trataria na carta, em separado, para Filemom, que era membro da Igreja de Colossos? Não sabemos, mas é possível.

Para nós, hoje, cabe ler tais palavras com a consciência de que Paulo está orientando a relação familiar. Ele o faz mais detidamente na carta aos Efésios, aqui, ele apenas pontua que a sujeição da mulher ao marido, o amor e cordialidade do marido, a obediência dos filhos aos pais e a amabilidade dos pais para com os filhos é a forma como a família cristã deve viver e isto deve ser notório, público diante dos homens. Aos escravos, Paulo pede que vivam sua fé de modo a testemunharem de Cristo no seu oficio, mantendo o foco na relação com Senhor Jesus, pois é a ele que servimos.

Paulo passa então a falar de mais duas práticas que devem fazer parte da vida do cristão.

A oração

2Dediquem-se à oração com a mente alerta e o coração agradecido. 3Orem também por nós, para que Deus nos dê muitas oportunidades de falar do segredo a respeito de Cristo. É por esse motivo que sou prisioneiro. 4Orem para que eu proclame essa mensagem com a devida clareza.

A primeira é a oração. A oração deve ser feita com a mente alerta, ou seja, não é uma repetição mecânica, mas uma conversa consciente entre você e Deus. Além da mente alerta, é preciso orar com o coração agradecido. Isto indica que, não importa o quanto você tem a pedir a Deus, peça menos, agradeça mais. As tribulações são momentâneas, passageiras. Circunstâncias mudam e o que antes era ruim, Deus transforma em bom. Por isso, não olhem circunstâncias, olhem o amor de Deus por vocês e sejam gratos.

O bom relacionamento

5Vivam com sabedoria entre os que são de fora e aproveitem bem todas as oportunidades. 6Que suas conversas sejam amistosas e agradáveis, a fim de que tenham a resposta certa para cada pessoa.

A segunda prática recomendada por Paulo é o bom relacionamento. Viver com sabedoria entre os que não são crentes é um desafio diário. Necessitamos aproveitar bem todas as oportunidades para falarmos de Cristo às pessoas. Paulo nos aponta uma forma disto acontecer: conversas amistosas e agradáveis. Ser amistoso é saber acolher e compreender o nosso próximo, é estabelecer uma relação de proximidade com a pessoa, mostrar-se confiável e amável. Estar presente para apresentar o presente de Deus para as pessoas. Cristão deve sempre ser amigo do seu próximo, para que o nome de Cristo seja honrado e glorificado.

Paulo segue então para o final de sua carta.

Palavras finais

7Tíquico, irmão amado e colaborador fiel que trabalha comigo na obra do Senhor, lhes dará um relatório completo de como tenho passado. 8Eu o envio a vocês exatamente com o propósito de informá-los do que se passa conosco e de animá-los. 9Envio também Onésimo, irmão fiel e amado, que é um de vocês. Ele e Tíquico lhes contarão tudo que tem acontecido aqui.

10Aristarco, que é prisioneiro comigo, lhes envia saudações, e assim também Marcos, primo de Barnabé. Conforme vocês foram instruídos, se Marcos passar por aí, recebam-no bem. 11Jesus, chamado Justo, também manda lembranças. Esses são os únicos irmãos judeus entre meus colaboradores. Eles trabalham comigo para o reino de Deus e têm sido um grande conforto para mim.

12Epafras, que é um de vocês e servo de Cristo Jesus, lhes envia saudações. Ele sempre ora por vocês com fervor, pedindo que sejam maduros e plenamente confiantes de que praticam toda a vontade de Deus. 13Posso lhes assegurar que ele tem se esforçado grandemente por vocês e pelos que estão em Laodiceia e em Hierápolis.

14Lucas, o médico amado, lhes envia saudações, assim como Demas. 15Mandem minhas saudações a nossos irmãos em Laodiceia, e também a Ninfa e à igreja que se reúne em sua casa.

16Depois que tiverem lido esta carta, enviem-na à igreja em Laodiceia, a fim de que eles também possam lê-la. E vocês, leiam a carta que eu escrevi para eles.

17E digam a Arquipo: “Cuide em realizar o ministério que o Senhor lhe deu”.

18Esta é minha saudação de próprio punho: Paulo.

Lembrem-se de que estou na prisão.

Que a graça de Deus esteja com vocês.

As palavras de encerramento da carta nos revelam um apóstolo cercado de amigos. Tíquico, Onésimo, Aristarco, Marcos, Barnabé, Jesus, Epafras, Lucas e Demas. Paulo não estava só, seus amigos estavam ali e em torno dele se reuniam para comunhão e fortalecimento mútuo. O reino de Deus é um reino de amigos. Devemos nós também cultivarmos nossas amizades, a fim de que tenhamos a lista daqueles que estão presentes conosco, fortalecendo nossa comunhão e nossa fé.

Conclusão

Concluindo. Ao longo do mês de julho mergulhamos na carta de Paulo aos colossenses. Experimentamos o que é uma jornada de profundidade bíblica nas nossas vidas na Escola Dominical e nos Cultos de domingo e quarta-feira. Vimos como a mensagem do evangelho foi apresentada por Paulo, enfatizando a supremacia de Cristo, a fidelidade e a liberdade que dele vem e quais as consequências de vivermos esta boa nova de salvação. Ao final desta série, uma coisa eu peço a Deus, como pastor da Igreja: que você compreenda que Cristo é tudo o que importa. Cristo e nada mais.

Não sei quais as crises que você tem enfrentado em sua vida. Como sua vida tem se desenrolado nos últimos dias. Mas uma certeza eu tenho: Cristo é o único capaz de nos conduzir em meio às trevas que imperiosamente se impõe contra nós. Somente o amor de Deus é capaz de tão grande feito: nos tirar do império das trevas e nos conduzir para o Reino do Filho. Diante das crises, ore. Peça a Deus que o conduza na verdade e no amor, firmado nos valores do Reino de Deus. Aprenda a confiar em Jesus. É um exercício diário de fé e diálogo com ele. Não abandone a comunhão com a igreja, pelo contrário, dedique-se a estabelecer relacionamentos firmados na Palavra de Deus para que o evangelho seja visto em sua vida e você seja bênção onde quer que esteja.

Cristo e nada mais. A fé que temos em Deus nos fortalece e une como comunidade. Por isso, oramos uns pelos outros e desenvolvemos nossa fé em comunhão, serviço e amor. Este amor se manifesta para com cada cristão. Mesmo que os laços de amizades não sejam fortes, mesmo que hajam diferenças entre nós, não deixamos de amar o nosso irmão de fé e não deixamos de lado a prática do servir ao nosso semelhante. O que nos leva a amar e servir é o fato de sermos amados por Cristo e sabermos que ele é o Senhor de nossas vidas.

Cristo e nada mais. Não precisamos de fórmulas mágicas, de sistemas complexos, de soluções efêmeras. Precisamos de Cristo e nada mais. Viva esta verdade em sua vida. Assuma os valores do Reino e viva confiando em Cristo. Ele nos chama para uma vida nova, uma vida transformada e nesta nova vida, não há pesos extras, acessórios que só servem para enfeite, não, não há barreiras que não possam ser vencidas pois esta nova vida é a dada por Deus em Cristo Jesus. Vamos viver a nova vida certos de que necessitamos de Cristo e nada mais.

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