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Viva em paz

Eu, o SENHOR Todo-Poderoso, tinha ordenado isto ao povo: “Sejam honestos e corretos e tratem uns aos outros com bondade e compaixão. Não explorem as viúvas, nem os órfãos, nem os estrangeiros que moram com vocês, nem os pobres. E não façam planos para prejudicar os seus patrícios.” Porém eles se revoltaram e não quiseram obedecer. Viraram as costas para mim e taparam os ouvidos para não ouvir as minhas ordens. (Zacarias 7.9-11) NTLH

O livro do profeta Zacarias foi escrito com o propósito de denunciar a infidelidade do povo de Javé que retornara do exílio e que não cumpria suas obrigações. Entre denúncias e palavras de exortação, Zacarias encoraja o povo a se arrepender e a permanecer fiel a Javé. O capítulo 7 é um convite ao arrependimento e aponta para o jejum que agrada a Javé. É no capítulo 7, ainda, que Zacarias aponta a razão do cativeiro: a desobediência. As palavras de Javé, no início do verso nove, são diretrizes de como o povo deveria agir. Estas palavras que quero destacar para nossa meditação hoje.

Sejam honestos e corretos. A honestidade é uma característica daquele que é alcançado pela graça de Deus. Não podemos viver de maneira desonesta. Honestidade está nos mínimos detalhes. Quem é honesto não vê vantagem em sempre tirar vantagem do outro. Aliás, não há porque tirar vantagem. A palavra profética de Zacarias vem, pois, o povo estava com o coração endurecido, viviam enganando e roubando e não obedeciam a Javé. Seus antepassados agiram assim e eles aprenderam a viver assim. Tornou-se prática comum. Zacarias chama a atenção para a necessidade de transformação. Quando nos aproximamos da Palavra de Deus, nosso coração fica mais sensível à vontade do Pai e conseguimos mudar nossas atitudes.

Não podemos achar que, porque todos são desonestos, nós temos autorização para sê-lo. Nossa sociedade parece nos convidar a agir de maneira ilegal. Quando necessitamos nos mover pela burocracia governamental, percebemos o quanto é difícil ser honesto ante uma realidade que nos convida a “pagar um por fora” para resolver logo. Essa lógica do errado acaba entrando em nossa vida e fica difícil ser correto. As notícias de corrupção aumentam ainda mais a sensação de impunidade diante do erro, o que nos leva a práticas desonestas até nas pequenas coisas, como andar de carro por um quarteirão na contramão ou jogar o lixo ali no terreno perto de casa.

Se desejamos viver em paz, precisamos aprender a sermos honestos e corretos. Cumprir a lei é um dos caminhos, sermos justos em nossas atitudes também. Viva em paz com todos, busque a conciliação e seja honesto e correto. Ao viver assim damos testemunho de um caráter transformado e renovado pelo Espírito Santo, mostramos que a vida em sociedade é mais que um cumprir de regras, mas é o se importar com a justiça para todos, independentemente de classe social. Viva em paz, cultive a paz por meio da honestidade e do agir de forma correta, conforme a Palavra de Deus nos orienta.

Outra recomendação para que vivamos em paz, dada pelo profeta Zacarias como revelação de Deus é: sejam bondosos e compassivos. A bondade é uma característica de quem é alcançado pela graça de Deus. há muita maldade em nossa sociedade. A maldade está expressa das mais diversas maneiras e em todos os lugares. Infelizmente, até mesmo nas igrejas há maldade, o que pode soar absurdo. Nossa postura, cristão que somos, é lutar contra a maldade. Vencer a maldade com a bondade. Como, no entanto, seremos bons, se nossa natureza é toda má? Apenas pelo poder do Espírito Santo é que há bondade em nós.

A recomendação de Zacarias para que o povo fosse bondoso e compassivo tem uma fundamentação dada logo a seguir, no verso 10: “Não explorem as viúvas, nem os órfãos, nem os estrangeiros que moram com vocês, nem os pobres”. Percebam que cada uma das categorias de pessoas são as que se encontram fragilizadas, carentes de bondade e compaixão. A viúva está desamparada da presença de seu marido, o que lhe é penoso numa sociedade patriarcal. O órfão não tem seus pais para zelar por ele. O estrangeiro está numa terra estranha com gente diferente, cultura diferente, precisa ser inserido, acolhido. O pobre é o que não tem condições de enfrentar o esmagamento social dos ricos. Poderíamos até alegorizar estas categorias, espiritualizando cada uma delas, mas não é caso, pois Deus espera que sejamos bondosos e compassivos com elas, sem espiritualizar mesmo, agindo, sendo práticos no cuidado para com eles.

Se desejamos viver em paz, precisamos aprender a sermos bondosos e compassivos. A compaixão e a bondade andam de mãos dadas, elas são a expressão mais genuína do cristão que, arrependido de seus pecados e inundados pela graça de Deus, agradece a Deus não só com cânticos e palavras, mas também com atitudes. O cristão deve ser o primeiro a demonstrar bondade e compaixão para com todos. O pecador, tal qual cada um de nós, precisa da bondade e da compaixão de Deus, sejamos nós a voz proclamadora da bondade e compaixão de Deus, em palavras e atitudes.

A orientação de Javé, dada a Zacarias para que transmitisse ao povo, foi uma confrontação com a realidade em que o povo e seus antepassados viviam. Os erros do passado refletiram sobre a descendência e as gerações seguintes foram negativamente influenciadas numa prática religiosa e social opressora e desvinculada da vontade de Deus. Qual a lição que tiramos de Zacarias 7? Que devemos nós vigiar para que nossas vidas sejam a expressão de gratidão a Deus, portanto, devemos viver obedientemente e ensinarmos nossos filhos a serem dedicados e amarem a Deus. É uma responsabilidade pessoal, minha com Deus, não posso cobrar de ninguém o ensino do amor a Deus aos meus filhos.

Lendo as palavras de Zacarias (Séc. VI a.C.), profeta bíblico do pós-exílio na Babilônia, podemos aprender uma maneira direta e prática de como lutar contra a injustiça. Ser honesto, correto, bondoso e compassivo. Esta é uma chave que temos para uma mudança em nossa relação com o próximo. Se queremos uma cidade menos violenta e mais justa, sigamos a ordem de Deus de sermos pessoas que praticam a vontade de Deus. Não sejamos rebeldes à vontade de Deus, mas sim, obedientes e semeemos a paz e a justiça.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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