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Do que devemos nos lembrar na Páscoa

A Páscoa (Pesah) é a primeira das muitas festas registradas no Antigo Testamento. Celebrada no primeiro mês do ano, acontecia na primeira lua cheia depois do equinócio da primavera (momento em que o sol incide com maior intensidade. A Páscoa precede a Festa dos Pães asmos (Mazsoth), quando o povo não comia pão levedado. Também chamada de Festa do “pão da aflição” remetia, tal qual a Páscoa, à saída do Egito. Até o exílio, as festas eram separadas, a partir do exílio as festas são unificadas, permanecendo o Pesah como nome oficial. Pesah, aliás, que significa passagem, em referência ao “destruidor que passa além” no quando da última praga do Egito, que feriu os primogênitos.

A Páscoa era uma festa alegre, marcada pelo banquete familiar em que era servido um cordeiro inteiro assado. Até a ocupação de Jerusalém e construção do templo, o sacrifício do cordeiro era feito nas tribos, nos clãs familiares. Em Deuteronômio já há a indicação de que o cordeiro precisa ser sacrificado em Jerusalém e tal recomendação coloca a festa como uma celebração Nacional. O propósito principal da Páscoa, conforme expresso em Êxodo 12.26-27: “Quando vossos filhos vos perguntarem: Que rito é este? Respondereis: É o sacrifício da Páscoa ao SENHOR, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios e livrou as nossas casas. Então, o povo se inclinou e adorou”. Resumindo: ao celebrar a Páscoa se celebra o livramento dos primogênitos dos hebreus no Egito.

Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana, após o sábado, durante a festa da Páscoa. Daí o nosso Calendário Litúrgico chamar o domingo de Páscoa de “Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor”. Somos então convidados a relembrar o livramento dos primogênitos dos hebreus no Egito junto ao livramento da humanidade da morte e do pecado. Os apóstolos se esforçaram, em suas cartas, em nos mostrar a relação direta de Jesus como “Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo” (afirmação proferida nos evangelhos por João Batista).

Em sua vivência comunitária, a igreja cristã nascente estabeleceu o domingo como dia de celebração. O Evangelho de João estabelece a conexão entre a Páscoa judaica e a Ceia do Senhor. A comunidade cristã orientada nesta direção, passou a celebrar o domingo como uma celebração da Páscoa, o livramento da morte e do pecado. Cada culto, em suma, deve ser o anúncio de que Jesus veio ao mundo, viveu, sofreu, morreu e ressuscitou para nos garantir pleno perdão.

Se pudéssemos, então, sintetizar, a Páscoa deve ser celebrada para nos lembrarmos que Deus nos provê livramento e vida. Celebrar a Páscoa com cordeiro, ervas amargas e pães sem fermento é celebrar o agir de Deus na história. Celebrar a Páscoa com o pão e o vinho é celebrar o agir de Deus no passado, no presente e no futuro. Por isso celebramos a Páscoa: memória de quem é objeto direto da ação libertadora de Deus. Celebremos!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, São Paulo, SP
Secretário de Música e Liturgia da IPIB

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