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Cidade maravilhosa, cidade religiosa

O Rio de Janeiro é uma cidade maravilhosa. Como todo aglomerado urbano, a cidade tem grandes problemas, no entanto, a cidade é uma cidade profundamente esperançosa, o que a torna profundamente alegre. O que a torna assim, principalmente nesta época do ano? Sua profunda religiosidade é uma das marcas da cidade. Começa pelos cartões postais: Cristo Redentor, braços abertos sobre a cidade, cantado como o abençoador da cidade do Rio de Janeiro. Catedral da Candelária, Catedral Presbiteriana e Santuário Nossa Senhora da Penha são alguns exemplos. Poderíamos listar as rodas de samba, com grande presença de manifestações religiosas nas composições dedicadas a santos, orixás e outros deuses. O que dizer da festa mais popular do país, o Carnaval, festa de preparo para a Quaresma. Pois é, até a principal festa da cidade é religiosa, embora não pareça. Se prestarmos atenção aos desfiles, lá está a religião: evocação da bênção de santos e guias no início do desfile, a ala das baianas, os temas religiosos dos sambas, enfim, há religião por toda parte no Rio de Janeiro.

Toda a efervescência cultural do Rio de Janeiro tem suas raízes na religiosidade. Somos um povo profundamente arraigado na religião, mesmo que vivamos tempos de descolamento da religião da vida de muitas pessoas. Uma cidade tida por maravilhosa, dentro de suas maravilhas, está a religião. A religião é parte da vida do carioca, está ligada a ele de maneira quase que inseparável. Episódios de intolerância tem aparecido, mas a imensa maioria é de convivência e tolerância social entre cristãos, judeus, muçulmanos, religiões de matrizes orientais, religiões de matrizes africana e outras. Não se vê, diariamente, perseguição explicita de uma religião contra a outra. Há, em certa e boa medida, um clima de liberdade religiosa e tolerância que apenas o Estado Laico é capaz de ofertar. No entanto, a intolerância vem sendo vista de fora do circulo religioso, mas vindo de quem deveria noticiar e ser parcial, mas justo, em suas publicações. Explico.

O Rio de Janeiro tem como um dos principais cartões postais uma imagem, reconhecida mundialmente, de Jesus Cristo com os braços abertos sobre a cidade, um santo padroeiro e igrejas belíssimas; mas parte da imprensa diz que a religiosidade do prefeito é que é problema. A cidade é toda religiosa e todas as suas expressões culturais conhecidas são religiosas: oferenda à Iemanjá em 1º de janeiro; Dia de São Sebastião, Carnaval, só para citar algumas. Não estou aqui levantando a bandeira do prefeito, mas me parece profundamente estranho que, ao criticar o prefeito, se faça referência à sua religião, mas quando se criticava Cesar Maia, Luiz Paulo Conde ou Eduardo Paes, não. Isso me cheira a perseguição religiosa.

Quando a religião é colocada à frente, em destaque, o que aparece não é o erro da pessoa, mas é como se o fato do prefeito ser daquela religião, ele fosse naturalmente levado ao erro destacado. Em resumo, mira-se no prefeito e atinge-se a religião toda. Pra piorar, a imprensa insiste em colocar todo cristão “não-católico romano” no mesmo grupo. Diferem os muçulmanos, para justificar que nem todo muçulmano é terrorista, mas não diferem os evangélicos, para justificar que nem todo evangélico, principalmente pastores, são ladrões. Falta honestidade para a imprensa carioca no trato com aqueles que são, hoje, 40% da população brasileira: o cristão “não-católico romano”.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente de Tucuruvi, São Paulo, SP
http://www.ipib.orghttp://www.giovannialecrim.com.br

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