Conto

Ele sabe

Seu pensamento não cabia em si mesmo. Ele viajava em devaneios e sonhos tão loucos que lhe parecia possível ser verdade o que era só imaginação. Era duro reconhecer, mas ele tinha que admitir. Aquela moça de cabelos negros esvoaçantes, sorriso largo, olhar penetrante, coxas grossas e quadril envolvente o havia fisgado com apenas meia dúzia de palavras. Idiota. Mais uma vez estava apaixonado por alguém impossível. Paixões impossíveis. Quem soubesse de suas paixões poderia pedir uma lista de nomes que ele daria facilmente. Idiota. Parece que se apaixona tão fácil que não se dá conta.

E lá estava ele, sonhando acordado, fazendo conexões entre seus devaneios e as canções que ama. Como ficar ileso diante daquele charme? Impossível. Mas ele é assim. Se apaixona na fila do pão, no vagão do metrô, no ponto de ônibus e no restaurante. Tudo num mesmo dia. Coisa boa é se apaixonar. Não é mesmo? Cada paixão uma história. Mas, seria ele um instável, que não sabe o que quer? Ou seriam suas paixões o refúgio de suas palavras, sonhos e desejos? Nada mais fugaz que uma paixão. Nada mais natural que apaixonar-se e desapaixonar-se. Ele sabe, no fundo dele, que viverá amando uma só mulher. Ele sabe, no fundo dele, que esse amor não o impedirá de se apaixonar e desapaixonar diariamente. Ele sabe que tais paixões são chuva de verão, vem e vão, causam impacto, mas não permanecem. Ele sabe. O que mesmo que ele sabe?

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