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Adoração comunitária

A adoração vem se tornando, nos últimos anos, um dos eixos principais das liturgias em nossas igrejas. A fórmula litúrgica que privilegia os cânticos de adoração como maior parte do culto tem sido apresentada por vertentes da igreja evangélica ligadas aos movimentos missionais e de contemporaneidade do culto e da pregação. As formulas litúrgicas utilizadas dedicam mais da metade do tempo do culto para os cânticos. Pouco ou nenhum tempo para a confissão. Uma leitura bíblica (fora a do momento da mensagem) e a proclamação da palavra. Em linhas gerais, assim se apresentam tais cultos:

  • Cânticos
  • Leitura de um texto bíblico
  • Oração comunitária ou de confissão
  • Cânticos
  • Palavra
  • Cânticos
  • Oração final e bênção
  • Cântico de encerramento

A fórmula em si, embora bem diferente do que recomenda o Manual do Culto, não deixa de ser uma forma de culto reformado, contextualizado. O que chama atenção é o tempo de adoração. De fato, devemos adorar a Deus em toda e qualquer situação, mas o conceito de adoração precisa ser ampliado. Não se trata apenas de um momento litúrgico, mas de uma atitude que o cristão vive. Recorro às palavras do Pr. Fábio Henrique Bauab, Pastor da Igreja Vida Plena em Brusque, SC, que nos ajuda a compreender um pouco sobre a adoração:

Será que nós entendemos, de verdade, o que significa Adoração? Todas as palavras ligadas a este conceito, no Antigo Testamento, expressam o sentido básico de “prostrar-se, render-se, curvar-se”. A verdadeira adoração acontece quando nos curvamos, nos rendemos, nos sujeitamos à vontade soberana do Senhor. Por isso Jesus falou sobre a adoração em espírito e em verdade. Realmente, ela não ocorre, necessariamente, nos templos. Mas sim, no chão da vida, nas nossas relações interpessoais, na maneira como lidamos com o pobre, com o necessitado, com o vulnerável. Enfim, quando eu adoro a Deus? Quando eu decidi servi-lo, vivendo como ele quer. Como, ou, quando eu O sirvo? Quando eu olho para os que estão ao meu redor e me disponho a servi-los.

Os cânticos de adoração devem nos conduzir a compreender nossa missão e nossa função no Reino de Deus. Quando eu adoro a Deus, declarando sua grandiosidade, estou assumindo um valor de vida. Observe, por exemplo, o texto de Neemias 8.1-10. O texto diz que Esdras se coloca diante do povo e começa a ler a Lei de Deus. Aquele povo, cuja identidade havia sido esfacelada por séculos de exílio, agora retornava ao seu local de origem e, para eles, a Lei de Deus era uma lembrança distante de histórias e ensinos contados por seus antepassados. Ao ler o rolo da Lei, o povo reage em profunda reverência e concordância, exclamando “Amém! Amém!”. Outro fator interessante de pontuarmos, é que a Lei era explicada ao povo conforme ia sendo lida. O povo ouvia e compreendia o lhes era ensinado. Do entendimento da Palavra brota a genuína adoração a Deus.

Tenho visto pessoas acreditarem que adoração a Deus é um momento de êxtase em um culto ou celebração. Não, não é. Adoração não é um momento, é um valor de vida, que devemos cultivar e para tal, precisamos conhecer de onde ela vem. O povo adorava, pois ouvia sobre a vontade de Deus. Não há ali instrumentos musicais, nem uma “esfera de adoração”. Há reverência e atenção ao que se é lido e o Espírito Santo está ali, falando ao povo para que compreendam, contrariando a máxima da maioria dos evangélicos de hoje, que acreditam que “avivamento” e “mover do Espírito” é um estado emocional profundamente alterado. Não, não é. Adoração é reconhecer quem é o Senhor de nossas vidas e conhecer sua vontade para nós.

O desafio, seja numa formula litúrgica tradicional, seja numa formula litúrgica mais contemporânea, é compreendermos que precisamos levar o povo a adorar a Deus em espírito e em verdade, e isto não se dá apenas no ambiente de culto, mas a adoração comunitária no culto deve ser refletida nas atitudes diárias de cada cristão.

Pela Coroa Real do Salvador

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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