Poesia

Estanco

Restam páginas em ti,
fiel companheiro,
mas não hei de completar-te.
Ficarás com teu fim em branco,
como em branco encontra-se minh’alma.
Estanco no coração meus versos
esperando o dia em que,
voluntariamente ou não,
eles transbordem.
Mas não voltarei mais às tuas
vazias e ansiosas páginas.
Não verás mais meus olhos
risonhos ou marejados.
Não sentirás mais minhas
mãos calorosas e carinhosas.
Não sofrerás mais a pressão
desta rude caneta de tinta preta
a marcar-te com minhas alegrias,
minhas tristezas, meus sonhos,
meus medos, minhas certezas.
A ti também, fiel caneta,
reservo-te o aconchego
de quem tanto acariciaste
e também maltrataste.
Estanco no coração meus versos
e com eles lá, assumo minha dor.
Estanco no coração meus versos
e com eles lá, retorno ao labor
com minh’alma e meu coração
marcados eternamente.
25/9/9
Gi

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