Sermões

Deus fala: Ele fala

1“Ouçam em silêncio diante de mim, povos do outro lado do mar; preparem seus argumentos mais convincentes. Venham agora e falem; o tribunal está pronto para ouvir seu caso. 2“Quem instigou esse rei que vem do leste e o chamou para o justo serviço de Deus? Quem lhe dá vitória sobre muitas nações e permite que ele pisoteie seus reis? Com sua espada, reduz exércitos a pó; com seu arco, dispersa-os como palha ao vento. 3Ele os persegue e segue adiante em segurança, mesmo que caminhe em território desconhecido. 4Quem realizou feitos tão poderosos e chamou cada nova geração, desde o princípio dos tempos? Eu, o SENHOR, o Primeiro e o Último, somente eu.”

5Os povos do outro lado do mar observam com temor; terras distantes estremecem e se aprontam para a guerra. 6Cada um encoraja seu amigo, dizendo: “Seja forte!”. 7O escultor anima o ourives, e o que faz moldes ajuda na bigorna. “Muito bem”, dizem, “está ficando bom.” Com todo o cuidado, juntam as partes e fixam o ídolo com pregos, para que não tombe. 8“Quanto a você, meu servo Israel, Jacó, meu escolhido, descendente de meu amigo Abraão, 9eu o chamei de volta dos confins da terra e disse: ‘Você é meu servo’. Pois eu o escolhi e não o lançarei fora. 10Não tenha medo, pois estou com você; não desanime, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei; com minha vitoriosa mão direita o sustentarei.

11“Sim, todos os seus furiosos inimigos ficarão confusos e humilhados. Quem se opuser a você morrerá e não dará em nada. 12Você procurará e não encontrará aqueles que tentaram conquistá-lo. Quem o atacar será reduzido a nada. 13Pois eu o seguro pela mão direita, eu, o SENHOR, seu Deus, e lhe digo: ‘Não tenha medo, estou aqui para ajudá-lo. 14Embora você não passe de um verme, ó Jacó, não tenha medo, pequenino Israel, pois eu o ajudarei. Eu sou o SENHOR, seu Redentor, eu sou o Santo de Israel’. 15Você será um novo instrumento de debulhar, com muitos dentes afiados. Despedaçará seus inimigos e transformará os montes em palha. 16Você os lançará para o alto, e o vento os levará embora; um redemoinho os espalhará. Então você se alegrará no SENHOR e se gloriará no Santo de Israel.

17“Quando os pobres e necessitados procurarem água e não a encontrarem, e tiverem a língua ressequida de sede, eu, o SENHOR, os ouvirei; eu, o Deus de Israel, jamais os abandonarei. 18Abrirei rios para eles nos planaltos e lhes darei fontes de água nos vales. Encherei o deserto de açudes e a terra seca, de mananciais. 19Plantarei árvores no deserto: cedro, acácia, murta, oliveira, cipreste, abeto e pinheiro. 20Assim, todos que virem esse milagre entenderão o que ele significa: o SENHOR fez isso, o Santo de Israel o criou.

21“Apresentem a causa de seus ídolos”, diz o SENHOR. “Que eles mostrem o que são capazes de fazer”, diz o Rei de Israel. 22“Que nos digam o que aconteceu há muito tempo, para que analisemos as provas, ou digam o que o futuro reserva, para que saibamos o que acontecerá. 23Sim, anunciem o que acontecerá nos dias por vir; então saberemos que são deuses de fato. Façam alguma coisa, boa ou má! Façam algo que cause espanto e nos encha de medo. 24Mas não! Vocês são menos que nada e nada podem fazer; os que escolhem vocês contaminam a si mesmos.

25“Eu, porém, levantei um líder que virá do norte; desde o leste ele invocará meu nome. Eu lhe darei vitória sobre os líderes dos povos; ele os pisará como o oleiro pisa o barro.

26“Quem lhes falou desde o começo que isto aconteceria? Quem previu estas coisas e os fez admitir que tinha razão? Ninguém disse coisa alguma, nem uma só palavra! 27Eu fui o primeiro a dizer a Sião: ‘Veja! O socorro está a caminho!’. Enviarei a Jerusalém um mensageiro com boas notícias. 28Nenhum de seus ídolos lhes disse isso, nenhum deles respondeu quando perguntei. 29São objetos tolos e sem valor; todos os seus ídolos são vazios como o vento.” (Isaías 41)

O livro de Isaías é uma fascinante coleção de textos produzidos ao longo de um vasto período histórico e comumente divididas em três partes. A redação final do livro uniu estes textos dando encadeamento e composição para que possamos compreendê-lo hoje como abrangendo três grandes períodos da história de Judá: monarquia, exílio e restauração. O nosso texto pertencente ao Deuto-Isaías, o segundo livro, cujas profecias proferidas datam de entre 550-540 a.C. O autor, neste período, fala aos remanescentes do exílio, aqueles que ficaram em Judá e não foram levados para a Babilônia. É neste contexto que temos um interessante discurso de Javé.

Em nosso texto, o capítulo 41, Javé está lançando um desafio aos outros povos para que eles tragam os seus deuses para confrontá-lo. Ele chega a falar, para mim, num tom de deboche, que o ourives, o escultor e o modelador “com todo cuidado” fixam o ídolo com pregos para que não tombe. Como que dizendo “que deus é esse que precisa ser fixado para não cair, que não pode se mover”. Em seguida, Javé faz outro desafio, incitando os outros deuses a falar do passado e do futuro. A partir daí, Javé passa a dizer como cuidará e restaurará seu povo e sua palavra é palavra de vida e restauração.

Quando pensamos nesta série de mensagens, tínhamos em mente o fato de que a maioria de vocês sabe que Deus fala. Pelo menos é o que penso, pois se você é de fato um cristão, você saberá que ele fala pois você conversa com ele. No entanto, muitos de nós, tomados pela sistematização de nossa relação com Deus, pode ser levado a crer que Deus está mudo. O desafio desta série é mostrar a você que ele fala, e isto faz toda diferença em nossas vidas. Assim, hoje vamos conversar sobre o fato de Deus falar. Vamos ver que, antes da fala, há o silêncio; que não há outro Deus que fale e que sua palavra é vida.

Antes da fala, o silêncio

“Não existiria som se não houvesse o silêncio…Tudo o que cala fala mais alto ao coração”. Eu recorro aos dois versos de Lulu Santos para falar de um momento que antecede Gênesis 1. O momento que antecede a Palavra. O silêncio. Não há som sem silêncio. Não há palavra sem o autor da palavra, sem aquele que torna, pela palavra, a vida possível. Precisamos compreender que Deus é antes de sermos. Antes de tudo o que pensemos que exista ou tenha existido, Deus é. Tal conceito pode ser natural para nós, mas nem sempre foi. Houve um tempo em que não ouvíamos a voz de Deus, mas isso não significa que ele não falasse.

O silencio de Deus em nossas vidas não significou, nem significa, sua ausência. Ele é independente de nós ouvirmos sua voz. Mas o fato é que temos acesso à sua palavra e ao som dela. Ela está disponível, há tempos, em nossas mãos, de maneira direta. Pelos meios de graça que temos acesso a Deus. É na oração, no celebrar do batismo e da Ceia e na Palavra que temos acesso à som de sua voz. É por estes meios que ele nos fala. Por isso incentivo você a desenvolver duas áreas de sua vida de fé, a primeira, a comunhão com o corpo de Cristo, a segunda, a sua vida devocional.

Desenvolvendo a comunhão com o corpo de Cristo, você ouvirá a voz de Deus por meio da celebração do Batismo daqueles a quem se achegar ao convívio do corpo de Cristo e por meio da Celebração da Ceia do Senhor. O testemunho de fé dos irmãos nos ajudarão a compreender como Deus fala de maneiras diferentes com cada pessoa. Desenvolvendo sua vida devocional, você aprenderá a importância do silencio na oração, para permitir que Deus fale ao seu coração. Você aprenderá a silenciar seu coração e mente durante a leitura da palavra para melhor entender o que Deus quer de sua vida. Aprenderá que, antes da fala, o silencio vem para que possamos ouvir o que Deus quer de nós.

Não há outro Deus que fale

Não há outro Deus que fale. Tal realidade Isaías 41 nos deixa muito claro. Javé desafia aos outros povos a trazer seus deuses para mostrar seu poder. Em seguida, eles os desafia a falar do passado e do futuro “Que nos digam o que aconteceu há muito tempo, para que analisemos as provas, ou digam o que o futuro reserva, para que saibamos o que acontecerá”. A constatação de Javé é clara, e chega a soar deboche: “Mas não! Vocês são menos que nada e nada podem fazer; os que escolhem vocês contaminam a si mesmos”. Não há outro deus que fale que não seja nosso Deus. Tal fato é verdade ainda em nossos dias.

Temos em nossos dias deuses que tomam conta de nossas vidas. Eles dominam nossas mentes, nosso tempo e nossa maneira de viver. Agora mesmo, enquanto você ouve esta mensagem, um destes deuses pode estar dominando seu coração e você não sabe. O problema é que estes deuses, tal qual os deuses de Isaías 41, não falam e não são capazes de se mover, mas dominam vidas e nos desviam de nossos propósitos de servir e adorar a Deus. Você já deve ter ouvido falar deles: ego, prazer, dinheiro, poder. Neste exato momento, um destes deuses está rondando você, mesmo que você lute contra ele.

Nossa mente facilmente é atacada por pensamentos que envolvem estes deuses. As palavras do pregador não me satisfazem, o jeito do sermão me incomoda. A lembrança de algo que te dá prazer, até mesmo alguém que você deseja possuir. O desejo de ter mais dinheiro para comprar aquele sonho de consumo, ou quitar as dívidas. O quanto seu chefe, seu marido, sua esposa, são insubmissos à sua vontade e não fazem o que você pensa ser melhor. Percebem como estes deuses nos cercam facilmente. Mas eles não falam, quem então da voz a eles? Você e eu. A grande questão é como manter o foco em Deus e permanecer fiel, com tantos deuses ao nosso redor. A resposta é dada por Javé: Eu sou o SENHOR, seu Redentor, eu sou o Santo de Israel’. Percebem? “Eu sou”. Ele é a resposta e sua palavra é nossa vida.

Sua palavra é vida

“Eu fui o primeiro a dizer a Sião: ‘Veja! O socorro está a caminho!’. Enviarei a Jerusalém um mensageiro com boas notícias”. Nós vamos falar mais sobre a importância da Palavra no próximo domingo, pelo momento, quero que você compreenda que a palavra de Deus é geradora de vida. Ele é quem tudo cria pelo poder de sua palavra. Ele é quem nos promete salvação, pelo poder de sua palavra. Ele é o verbo que se torna carne e vem habitar conosco. Sua verdade é sua palavra, e isto o distingue dos demais deuses. Mark Dever e Greg Gilbert, em seu livro “Pregue: quando a teologia encontra-se com a prática” (Editora Fiel) nos dizem o seguinte: “Não há outro Deus além do Deus de Israel, e você vê o que prova isso? É o fato de que ele e somente ele falou. Deus anunciou ao seu povo, desde a antiguidade, o que estava por vir; e se alguém mais reivindicasse ser deus, deveria falar também”.

Todos os outros deuses nos conduzem a caminhos de morte. As palavras de Javé nos garantem vida. É por ela que ele nós temos conhecimento de sua vontade e aprendemos como viver. A questão é nós darmos ouvidos à palavra de Deus. Isaías está nos mostrando como não dar ouvidos a Deus, mas a outros deuses, traz consequências desastrosas para a vida. No caso de Judá, a consequência foi a destruição e o exílio. Em nossos dias, as consequências não são muitos diferentes. Não dar ouvidos à voz de Deus nos levará a destruição de nossos relacionamentos e ao exílio em nossos egoísmos e desejos. Como não chegar a esse ponto? Dando ouvidos à voz de Deus, o único e verdadeiro Deus. Sua palavra é vida.

Conclusão

Deus fala. Esta é uma das características que dele recebemos ao sermos feitos à sua imagem e semelhança. O fato de Deus falar deve ser para nós um sinal de assombro e reverência. Ante ao som de sua voz, devemos estar com o coração aberto para ouvir e compreender sua vontade para nós. Ele nos quer com ele, ele nos chama pelo nosso nome e conversa conosco. Sua vontade é que ouçamos sua voz. Ao ouvir a voz de Deus, tenhamos a certeza de que suas palavras são palavras de justiça e vida, palavras que são ditas para restaurar a ordem da criação.

Sabendo que Deus fala, e que ele é o único Deus que fala, podemos ter a certeza que não nos deixa sem ouvir sua voz. A voz de Deus se faz ouvir pelos meios de graça: oração, batismo, Ceia do Senhor, leitura da Palavra. Não espere por profecias malucas, não espere por palavras mirabolantes. Aqui, vale citar Martinho Lutero “Qualquer ensinamento que não se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que faça chover milagres todos os dias”. As escrituras nos dão o parâmetro de tudo o que Deus tem a nos ensinar e nos revelar. A Confissão de Fé de Westminster estabelece o padrão pelo qual a autoridade das Escrituras se encontra diante de nós para nos orientar quanto à vontade de Deus “A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida e obedecida, não depende do testemunho de qualquer homem ou igreja, mas depende somente de Deus (a mesma verdade) que é o seu Autor; tem, portanto, de ser recebida, porque é a Palavra de Deus” (Capítulo I, item IV). É sobre esta autoridade e como ela se traduz em vida e liberdade para nós, que falaremos em nossa próxima mensagem.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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