Sermões

Melhorando nossos relacionamentos: A importância dos sentimentos

19Entendam isto, meus amados irmãos: estejam todos prontos para ouvir, mas não se apressem em falar nem em se irar. 20A ira humana não produz a justiça divina. 21Portanto, removam toda impureza e maldade e aceitem humildemente a palavra que lhes foi implantada no coração, pois ela tem poder para salvá-los. 22Não se limitem, porém, a ouvir a palavra; ponham-na em prática. Do contrário, só enganarão a si mesmos.

O texto de nossa meditação faz parte de uma das cartas mais controversas do Novo Testamento. A controvérsia, no entanto, não é por conta de seu conteúdo, mas de sua autoria. Não sabemos muito sobre Tiago. Alguns o posicionam como Irmão de Jesus, outros como filho de Alfeu, outros ainda como Filho de Zebedeu. Outro fato interessante desta carta é que ela contém poucas menções a Jesus. Apenas duas. O que levou muitos comentaristas a achar que eram um ajuntado de ditos sapienciais mais antigos. No entanto, o conteúdo da carta nos revela como o autor não pode ser anterior a Cristo, visto a intensa relação entre os ditos do autor com os ditos de Jesus e como toda a sua mensagem encontra eco nos evangelhos.

Falando especificamente do capítulo primeiro, Tiago trata do tema provação-tentação. Ao tratar deste tema, primeiramente ele aborda no aspecto negativo, para depois apresentar a maneira positiva de lidar com ela, é onde o nosso texto se encaixa, intimando o leitor a não apenas ouvir a Palavra, mas sim praticar, viver, exercitar esta Palavra em sua vida. O Reverendo Giancarlo Brojato, ao comentar este texto nos diz “Tiago…diz para seus irmãos que chegar à salvação é “receber a Palavra que foi enxertada em vossos corações e é capaz de salvar vidas”. Não há outra maneira de ser um cristão verdadeiro e praticante da verdadeira religião”. (A carta de Tiago: resistência e sabedoria nas provações, Giancarlo Brojato, Editora Pendão Real, 2013)

É olhando para o texto de Tiago que quero desafiar você hoje a repensar a importância dos sentimentos de seu próximo, como valorizar os sentimentos do nosso semelhante, e você pode começar dentro de casa. Para isto, Tiago nos mostra três atitudes que devemos ter em relação ao nosso modo de nos relacionarmos com eles: ouvir mais o nosso próximo, dar mais valor à Palavra de Deus e praticá-la.

Prontos para ouvir

É ouvindo que eu demonstro interesse. Na sociedade do dizer, publicar, postar, compartilhar, assistir, onde todo mundo tem uma opinião para dar, ouvir é uma das formas que você tem de demonstrar amor pela pessoa. Você já parou para pensar que 1) você não precisa emitir opinião sobre tudo. 2) não é possível ter opinião sobre tudo. Por isso, valorize a escuta. Escute mais. Ouça mais. Quantas pessoas estão caminhando ao nosso lado que carecem de um ouvido amigo mais que de conselhos. Ser ouvido é uma necessidade. Aprenda, como cristão a ouvir o seu próximo, assim, você demonstra interesse amor por ele.

É ouvindo que eu revelo meu caráter. Como já disse, gente amiga, disposta a nos ouvir, é raro. Ao ouvir mais, opinar menos e deixar para falar depois de orar e pensar a respeito do que ouviu, revelamos que não estamos preocupados em resolver o problema do nosso próximo, mas sim em que o nosso próximo esteja bem. Isto revela o caráter de Cristo em nós. Amizade, amor, compaixão são atitudes que pessoas cristãs devem ter para com o próximo. Jesus nos envia a sermos semeadores do Evangelho que é paz e amor. Como poderemos ajudar e semear a paz, se não ouvirmos aquilo que nosso semelhante enfrenta?

É ouvindo que eu amo meu próximo. Esteja pronto para ouvir, sem pressa em falar. Doe tempo, algo tão raro em nossos dias, para ouvir o seu próximo. E ao ouvir, dedique atenção e foco à pessoa. Remova a maldade, a impureza dos seus pensamentos e coração e preste atenção na pessoa, para que ela entenda que você a está ouvindo de coração e alma abertos ao seu sofrimento e situação. Fazendo isto, você estará cumprindo o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo. Sim, pois removendo a maldade e a impureza de seus pensamentos e coração você estará demonstrando, em primeiro lugar, amor a ti mesmo, e em segundo lugar, ao seu próximo.

Vimos a importância de se ouvir para valorizar os sentimentos do seu semelhante. Vamos agora entender como valorizar a Palavra de Deus nos auxiliará no entendimento dos sentimentos do nosso próximo.

Dê valor à Palavra de Deus

A Palavra de Deus mostra como ele nos ama. Dentro do contexto do relacionamento, Tiago, ao pedir que sejamos prontos a ouvir e não em falar, ele estende este pedido nos convidando a sermos mais humildes, aceitando a Palavra de Deus em nosso coração. A Palavra de Deus tem poder para salvar. Este poder é manifesto no amor de Deus por nós. Ele nos ama sem medida, ao ponto de entregar o seu filho por amor de cada um de nós. Este amor é a base de toda a nossa relação com Deus. Ele nos dá o modelo.

A Palavra de Deus mostra como ele nos transforma. É na relação com Deus e nos meios de graça que ele fala conosco. É na oração, na Ceia do Senhor, na leitura da Palavra que Deus nos revela sua santa vontade e como nós devemos ser transformados para sermos cada vez mais santos e irrepreensíveis. Percebam que a transformação ocorre paulatinamente, pelo relacionamento com Deus. O que éramos, não somos mais. O que somos, não seremos mais. Se antes éramos pecadores, hoje somos santos. Ainda assim, somos santos em formação, aprendendo como ser transformado por Deus a cada dia.

A Palavra de Deus nos ensina a silenciar. Ao nos relacionarmos com Deus aprendemos que há uma necessidade de nos silenciarmos. Se eu não silenciar, não ouvirei o que Deus tem a dizer e me ensinar. Se eu não silenciar, não saberei o que Deus quer de mim. É no silêncio da oração que me abro para ouvir a Deus. É no silencio que faço, na hora da pregação, que me abro para ouvir a Palavra sendo pregada. É no silêncio que faço, na hora da instituição da Ceia, que ouço o que Deus tem para me dizer. É preciso aprender a silenciar para ouvir a Deus, para ouvir o próximo.

Vimos a importância de se dar valor para a Palavra de Deus com o fim de valorizar os sentimentos do seu semelhante. Vamos agora entender como a prática da Palavra de Deus nos auxiliará no entendimento dos sentimentos do nosso próximo.

Pratique a Palavra

Vivendo a Palavra, aprenderei a ouvir. Se eu consigo silenciar meu coração, minha mente, eu consigo ouvir melhor. A Palavra de Deus nos ensina a fazer isto, por isso é preciso viver esta Palavra. Vivendo a Palavra, viverei apto a ouvir melhor. Ouvir é acolher o próximo. Acolher depende de minha disposição em fazê-lo. Só posso acolher se sei como é ser acolhido. Deus me acolhe, por isso eu acolho o meu próximo, tendo compaixão e amor para ouvir e dar a atenção devida a quem passa por sofrimentos e angústias. Viva a Palavra e você estará apto a ouvir.

Vivendo a Palavra, minha vida será para servir. Servir é a função de todo cristão. Vivemos para servir. Servir a Deus e ao nosso próximo. Como eu posso servir ao meu próximo? Acolhendo o angustiado, ouvindo, orando, ajudando, inclusive, financeiramente. Servir é estar disposto a amar e acolher e isto exige compromisso. Amar é assumir um compromisso com o outro. Devemos estar dispostos a assumir o compromisso de servir. Deus entregou seu Filho por amor, e ao fazê-lo, nos garantiu a vida eterna e a resposta que damos a tão grande amor é servir a Deus com gratidão e servir ao nosso próximo, amando com o amor que Deus nos ensina a amar.

Vivendo a Palavra, amarei mais o meu próximo. Quando passo a colocar em prática os princípios da Palavra de Deus, sou levado a confrontar os meus princípios e, assim, ser transformado. Tal transformação me levará a tolerar mais, compreender mais, aceitar mais o meu próximo, por mais pecador e errado que eu julgue que ele seja. Em outras palavras, amarei mais o meu próximo. Amarei a ponto de querer estar com ele apesar dos erros dele. Viver a fé em Cristo nos fará amar como Cristo nos ama. É um alvo a ser perseguido? Não, é uma verdade a ser vivida!

Conclusão

Concluindo. Hoje vimos como valorizar os sentimentos do nosso semelhante. Você pode começar dentro de casa. Ouvindo mais, valorizando a Palavra de Deus na vida de vocês e praticando a Palavra no dia a dia da sua casa. Quando pensamos em sentimentos, pensamos naquilo que mexe com o nosso humor, nosso jeito de ser e de falar. Devemos cuidar dos nossos sentimentos com amizades saudáveis e nos aproximando de Deus para que ele cuide de nós. De igual modo, devemos buscar equilibrar nossos sentimentos na relação com o nosso próximo, sendo mais abertos ao diálogo, ouvindo mais, estando mais atentos ao que nosso próximo sente e expressa em sua vida.

O desafio hoje é vencermos a tentação de nos alienarmos uns dos outros, rompermos as barreiras que nos impedem de nos importarmos mais, amarmos mais e nos aproximarmos mais do nosso semelhante. A indiferença não pode e não deve ter lugar em nossos corações. Para isto, é preciso ouvir. Ouvir, como vimos, é acolher e só acolhe quem ama. Nós amamos, pois, Deus nos amou primeiro. Vamos então amar com o amor de Deus. Não quem eu quero amar, mas quem Deus manda que eu ame, apesar dos erros da pessoa.

Conviver e amar, apesar dos erros, exige de nós persistência. Não desista das pessoas. Não desista de amar, orar, ouvir e acolher. Não permita que o primeiro obstáculo, a primeira resposta rude, o primeiro descontentamento te afaste de quem Deus tem mandado você amar. Quando tiver vontade de desistir, saiba que é hora de agir. É hora é olhar para Deus e clamar por força e direção. Estenda seus braços e seu coração na direção daqueles que necessitam da presença acolhedora de Deus em suas vidas e seja você o instrumento pelo qual Deus transformará a realidade delas. Que Deus assim nos abençoe.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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