Sermões

Evangelize! Como?

7O fim de todas as coisas está próximo. Portanto, sejam sensatos e disciplinados em suas orações. 8Acima de tudo, amem uns aos outros sinceramente, pois o amor cobre muitos pecados. 9Abram sua casa de bom grado para os que necessitam de um lugar para se hospedar. 10Deus concedeu um dom a cada um, e vocês devem usá-lo para servir uns aos outros, fazendo bom uso da múltipla e variada graça divina. 11Você tem o dom de falar? Então faça-o de acordo com as palavras de Deus. Tem o dom de ajudar? Faça-o com a força que Deus lhe dá. Assim, tudo que você realizar trará glória a Deus por meio de Jesus Cristo. A ele sejam a glória e o poder para todo o sempre! Amém. 1Pedro 4.7-11

O nosso texto de hoje fala dos deveres que os crentes têm para com aqueles que não são crentes. O seu contexto são as palavras de Pedro sobre a necessidade do cristão em estar pronto a sofrer, inclusive fisicamente, por seguir a Cristo. Pedro exorta aos crentes a viver uma vida dedicada a Deus, abandonando as práticas do passado, as quais ele lista: “imoralidade e desejos carnais, farras, bebedeiras e festanças desregradas, além da detestável adoração de ídolos”. Em sua argumentação, Pedro afirma que, ao abandonar tais práticas, as pessoas que ainda as praticam irão nos difamar. No entanto, Pedro também nos informa que eles prestarão contas a Deus, não a nós. Diante de tanta oposição vinda da sociedade, qual deve ser a postura do cristão? A resposta é o texto que lemos. Dos versos 7 a 13 do capítulo 4, Pedro exorta aos cristãos a como responder aos que difamam e desejam o mal do povo de Deus.

A primeira carta de Pedro foi escrita por volta de 60d.C.-68d.C. Pedro estava em Roma, a quem ele se refere como “Babilônia” no final de sua carta. O apóstolo destina sua carta a cristãos nas regiões da “Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”. Estes cristãos, cria João Calvino, era majoritariamente judeus convertidos. No entanto, na própria carta encontramos evidências de que havia uma grande quantidade de pessoas convertidas ao cristianismo vindas de culturas não judaicas. O próprio texto de 1 Pedro 4.1-6 corrobora tal visão, principalmente a lista de práticas do passado que listamos aqui. Por que Pedro escreve esta carta? Para encorajar os cristãos que estão sofrendo perseguição nas regiões que já citamos. Que tipo de perseguição? Não há no texto o relato de uma perseguição sistemática e oficial por parte do império ou governadores das regiões, o que nos leva crer que Pedro escreveu para encorajar e exortar os cristãos a perseverarem na fé diante dos questionamentos e ataques feitos por seus conterrâneos, amigos e familiares. É uma carta a todos aqueles que assumem o compromisso de viver o evangelho e falar dele.

Quando pensamos nesta série de mensagens, começando no domingo da Páscoa e se estendendo por mais dois domingos, o objetivo é que ela desperte em seu coração e mente a consciência de que a evangelização é uma necessidade urgente e ela se inicia antes da grande comissão, quando Jesus ressuscita. Esta é a mensagem que anunciamos. Esta é a boa nova, o evangelho, que pregamos e testemunhamos. É função de todos os cristãos a proclamação do evangelho. Assim, na mensagem de hoje, falaremos sobre o modo, o como, devemos evangelizar.

Ame as pessoas

Ame as pessoas. Diz o texto que lemos “Acima de tudo, amem uns aos outros sinceramente, pois o amor cobre muitos pecados”. Amar uns aos outros é um conceito até bastante compreensível. É mandamento divino e reforçado por Jesus “Amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Mas o que Pedro quer dizer com “pois o amor cobre muitos pecados”? Pedro está falando de si mesmo. Ele está falando de como o amor de Jesus não fez conta de seus erros do passado, mas o amou a ponto de confiar a ele, discipulo que negou Jesus, e transformá-lo no homem que foi responsável por conduzir a Igreja nos primeiros anos de sua formação. Em outras palavras, Pedro está dizendo que “O amor não guarda recordações dos erros, mas perdoa em resposta ao perdão de Deus” (Nota da Bíblia de Genebra).

O nosso maior desafio no cumprir o mandamento de amar é justamente saber que devemos perdoas e não guardar recordações do erro. Esta é uma das razões pela qual muitos cristãos preferem ir para rua entregar folheto a ter que falar do amor de Deus para aquele amigo ou parente que foi magoado ou magoou. Entregar um folheto, cantar em praça pública, fazer “impactos evangelísticos” não deixam de ser estratégias para se espalhar o evangelho, mas qual o grau de comprometimento e relacionamento você terá com a pessoa que recebe seu folheto, ouve a canção cantada ou é alvo do programa evangelístico?

O desafio é amar e acolher as pessoas. É conviver com elas. No convívio é que demonstramos o amor de Deus para conosco e para com as pessoas. Não há forma mais eficaz de evangelizar que amar e acolher. Deus nos amou e nos acolheu. É isto que ele pede de cada um de nós. Amar pressupõe perdoar, acolher, se importar. Estamos precisando de cristãos dispostos a amar mais para que o evangelho se faça presente na vida das pessoas. Não sabe como? Abrir sua casa é um começo.

Abra sua casa

Abra sua casa. Diz o texto que lemos “Abram sua casa de bom grado para os que necessitam de um lugar para se hospedar”. Embora haja um consenso de que talvez aqui Pedro esteja se referindo a hospitalidade para com os cristãos, o contexto anterior nos levam a entender que tal consenso seja apenas uma das interpretações possíveis. Pedro fala de hospedagem em conceito amplo. Hospedar aqueles que necessitam. Isto inclui os “desabrigados devido à perseguição, os cristãos que viajam a negócios ou as necessidades dos missionários viajantes”. Mas também inclui todo e qualquer necessitado que carece da hospitalidade que somente aqueles que foram recebidos pelo Deus que acolhe pode oferecer.

Abra sua casa. Quem você leva para dentro de sua casa? Cada dia mais, as relações estão renegadas às redes sociais. Amizades construídas no convívio estão cada vez mais raras. Não bastasse isso, ainda consideramos uma invasão levar pessoas para dentro de nossas casas. Contrariando a realidade de hoje, quero reforçar a recomendação de Pedro “Abram sua casa de bom grado para os que necessitam de um lugar para se hospedar”. Talvez você não necessite hospedar de fato alguém, mas caso um amigo necessite, não negue sua casa. Além disso, há outro fato aqui que faz com que Pedro recomende aos cristãos do primeiro século a serem hospitaleiros.

O mestre ficou hospedado em casas de pessoas desconhecidas e conhecidas. Em Lucas 10.38 temos o seguinte relato:

“Jesus e seus discípulos seguiram viagem e chegaram a um povoado onde uma mulher chamada Marta os recebeu em sua casa”.

E em Lucas 19.5-7 temos o seguinte relato:

5Quando Jesus chegou ali, olhou para cima e disse: “Zaqueu, desça depressa! Hoje devo hospedar-me em sua casa”. 6Sem demora, Zaqueu desceu e, com alegria, recebeu Jesus em sua casa. 7Ao ver isso, o povo começou a se queixar: “Ele foi se hospedar na casa de um pecador!”.

Tanto na casa de Marta e Maria, quanto na casa de Zaqueu, Jesus foi hospedado, recebido, ficou ali por um tempo, relacionou-se com as pessoas. De igual modo, devemos receber as pessoas em nossa casa para falarmos a elas tudo quanto ele tem feito em nossas vidas.

Viva seu dom

Viva seu dom. Diz o texto que lemos “Deus concedeu um dom a cada um, e vocês devem usá-lo para servir uns aos outros, fazendo bom uso da múltipla e variada graça divina”. Há, nos textos paulinos, uma série de textos que retratam os mais diversos dons no corpo de Cristo. Não querendo dizer com isto que não existam outros, Pedro resume em dois dons: o dom de falar e o dom de ajudar “Você tem o dom de falar? Então faça-o de acordo com as palavras de Deus. Tem o dom de ajudar? Faça-o com a força que Deus lhe dá”.

O dom de falar. Somos o povo da Palavra. Palavra impressa, mas, principalmente, palavra pregada. Todos somos responsáveis por pregar. Aqui, Pedro não está isentando os cristãos de não falarem do amor de Deus. O que o apóstolo está dizendo é: se você é uma pessoa que tem o dom de falar, faça o bem, falando de acordo com as palavras de Deus. Não devemos desperdiçar nosso tempo com palavras que não sejam de acordo com as palavras de Deus. Maledicência, fofoca, amargura, nada disso pode fazer parte do jeito e do vocabulário do cristão. Se você tem o dom de falar, use-o para aconselhar, ministrar sobre a vida da pessoa, falar do amor de Deus. É para isto que Deus te abençoou com tal dom.

O dom de ajudar. Todos os cristãos devem estar aptos a ajudar. Fazer o bem, sempre. Estar e buscar a paz com todos. Alguns, no entanto, reconhecidamente possuem o dom de ajudar em muitas ocasiões diferentes. Se você tem este dom, não o esconda, viva-o. Mas se você não tem o dom de ajudar, procure desenvolver a prática da ajuda ao próximo. Costumamos achar que não temos nada a ver com o problema do nosso próximo. Vou te fazer uma pergunta, em tom de desafio: Quantas vezes você já procurou uma pessoa, que você sabe que está passando por problemas – mesmo sem saber qual, para se inteirar e ver como você pode ajudar?

Conclusão

Concluindo. Diz o texto de nossa meditação: “Assim, tudo que você realizar trará glória a Deus por meio de Jesus Cristo. A ele sejam a glória e o poder para todo o sempre! Amém”. A evangelização acontece no falar, no proclamar a mensagem da boa nova. Nossa função é pregar. Muita gente usa a frase de São Francisco de Assis “Pregue o Evangelho em todo tempo. Se necessário, use palavras” como uma muleta para a evangelização. É uma frase que contem uma meia verdade. De fato, devemos testemunhar por meio de nossas atitudes, mas em nenhum momento os apóstolos abrem mão de dizer: preguem. Pregar é falar. Fale do amor de Deus

Como evangelizar? Amando as pessoas, abrindo nossas casas, vivendo o dom que Deus nos deu. Evangelizar é uma atitude que o cristão deve incorporar em sua vida. Seu jeito de ser deve ser evangelizador. Suas palavras devem ser evangelizadoras. Não fazemos nada para glória própria, mas para a glória de Deus. Se você não sabe como falar, o que falar, peça sabedoria a Deus. Se você se acha incapaz, busque no discipulado e na relação com seu discipulador a capacitação para melhor falar do amor de Deus. Não há desculpas. Devemos evangelizar, não apenas para termos este templo cheio, mas principalmente para honra e glória a Deus.

No livro “A treliça e a videira: a mentalidade de discipulado que muda tudo”, da Editora Fiel, Colin Marshal e Tony Payne afirmam que

“Um cristão que não tem amor pelos perdidos está em necessidade séria de autoexame e arrependimento”.

Você ama tanto a Cristo a ponto de amar o perdido? Cristo se entregou por eles também. O que você tem feito com sua vida cristã? Você tem falado do amor de Cristo? Você tem trazido pessoas para ouvir o Evangelho aqui, em nossa igreja? As limitações de nossa comunidade não devem ser o empecilho para você convidar pessoas a ouvir a mensagem do evangelho. Você tem falado do evangelho às pessoas? Qual a sua resposta? Não dê desculpas, dê a sua vida por amor ao Evangelho. Pregue o Evangelho. Pregue hoje. Pregue já.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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