Sermões

Evangelize! Quando?

1Eu lhe digo solenemente, na presença de Deus e de Cristo Jesus, que um dia julgará os vivos e os mortos quando vier para estabelecer seu reino: 2pregue a palavra. Esteja preparado, quer a ocasião seja favorável, quer não. Corrija, repreenda e encoraje com paciência e bom ensino. 2Timóteo 4.1-2

O texto base de nossa meditação de hoje fala sobre o zelo que um pastor deve ter na pregação do evangelho. Ao contemplarmos este texto, tendemos a pensar que a obrigação da pregação da Palavra é somente do pastor. Em certa medida, tal pensamento não é de todo equivocado. De fato, Deus separa homens e mulheres para se dedicarem à pregação da Palavra e ministração dos sacramentos. No entanto, não podemos confundir o zelo pastoral para com a pregação da Palavra no culto com a necessidade de todos os cristãos de pregarem a Palavra a fim de que o evangelho seja proclamado, ou seja, a necessidade de evangelização. O próprio Paulo, escrevendo aos Romanos questiona:

“Mas como poderão invocá-lo se não crerem nele? E como crerão nele se jamais tiverem ouvido a seu respeito? E como ouvirão a seu respeito se ninguém lhes falar?” (Romanos 10.14)

O ofício da evangelização é prerrogativa de todos os crentes. Acontece que alguns de nós supõem que é apenas o pastor que deve evangelizar. Assim, os membros da Igreja fazem seu papel cuidando dos departamentos da Igreja, ajudando nos ministérios, dando o dízimo e acreditam que cumpriram seu papel. De fato, o pastor tem sua função no ministério, mas o ofício da evangelização pertence a todos. Martinho Lutero, comentando o texto de Mateus 16.19, afirma que

“o ministério da Palavra pertence a todos. Ligar e desligar é claramente nada mais do que proclamar e aplicar o evangelho. Pois, o que é desligar, senão anunciar o perdão dos pecados diante de Deus? O que é ligar, senão retirar o evangelho e declarar a retenção dos pecados? Quer a Igreja Católica Apostólica Romana queira ou não, devem admitir que as chaves são exercício do ministério da Palavra e pertence a todos os cristãos”.

O que Lutero está dizendo é que a todo cristão está confiado o ofício de anunciar o evangelho.

Quando pensamos nesta série de mensagens, começando no domingo da Páscoa e se estendendo por mais dois domingos, o objetivo é que ela desperte em seu coração e mente a consciência de que a evangelização é uma necessidade urgente e ela se inicia antes da grande comissão, quando Jesus ressuscita. Esta é a mensagem que anunciamos. Esta é a boa nova, o evangelho, que pregamos e testemunhamos. É função de todos os cristãos a proclamação do evangelho. Assim, na mensagem de hoje, falaremos sobre o momento, o quando, devemos evangelizar.

Quer seja favorável

Situações favoráveis são confortáveis. Nós nos damos conta de que tudo aponta para a necessidade de se falar do evangelho. Geralmente, situações que envolvem pessoas conhecidas em ambientes que conhecemos. Não nos constrangemos em falar do evangelho em ambientes assim pois tudo nos parece familiar e nos dão segurança para tal. Assim, ficamos à vontade para levar uma palavra de consolo, orientação ou exortação. A pessoa que ouve, provavelmente, sabe que você é cristão, você não irá se expor tanto diante de outras pessoas. Tudo parecerá devidamente colocado para que você fale do evangelho.

Em ambientes confortáveis, parece ser fácil cumprir as três recomendações de Paulo para corrigir, repreender e encorajar alguém. Note que, em ambientes em que nos sentimos confortáveis, temos mais intrepidez para corrigir alguém, para repreender uma pessoa que errou, para encorajar um desolado. Paulo nos recomenda que tenhamos paciência e bom ensino para cumprir estas recomendações. Devemos, em ambientes confortáveis, nos lembrarmos disto para não sermos arrogantes ou prepotentes em nosso ensino. Passar um ar de superioridade mais afasta do que aproxima as pessoas. Por isso, devemos ficar atentos para não nos aproveitarmos do ambiente confortável para expormos todo nosso conhecimento. Paciência e bom ensino são sinais de quem é chamado a proclamar o evangelho.

Vejamos um exemplo de se falar em um ambiente favorável. Este exemplo foi extraído do livro “A treliça e a videira: a mentalidade de discipulado que muda tudo” de Colin Marshal e Tony Payne, da Editora Fiel. Os nomes e os detalhes foram levemente mudados pelos autores, mas são exemplos reais.

“Irene é um pouco idosa e acha difícil sair, mas telefona para sua amiga Jeane toda segunda-feira, fala com ela sobre a passagem bíblica que leu naquela manhã e ora com ela ao telefone”.

Percebam a situação favorável: ela está em casa, com uma linha telefônica a separando de sua amiga. O ato não é menos louvável por isso e é um ótimo exemplo do que você pode fazer, uma vez por semana, para abençoar a vida de uma amiga.

Situações favoráveis são confortáveis e também são seguras. O fato de estar numa situação segura nos sentimos mais à vontade para falar do Evangelho. A chance de sermos contrapostos e expostos é menor. Seguros, estamos à vontade para falar o que precisa ser dito. Um ambiente seguro é sempre bom. Gostamos de sentir que estamos num lugar ou situação em que temos o controle de quase tudo. Esta segurança da situação favorável é que nos dá a certeza que podemos falar o que precisa ser dito. Gostamos de ambientes seguros. Mas nem sempre conviveremos com oportunidades onde estaremos sempre confortáveis e seguros.

Quer não seja favorável

Situações não favoráveis nos intimidam. Ninguém gosta de estar em um ambiente hostil. O difícil, na evangelização, é falarmos em momentos em que não estamos nos sentindo seguros. É aquela hora em que todos estão concordando com algo que a Bíblia condena e que somos chamados a nos posicionarmos. E estes momentos são mais comuns do que imaginamos. Em nossos trabalhos, em nossa família, em nossa rua. Várias são as oportunidades de testemunharmos de Jesus. Porém, o ambiente hostil no amedronta, nos intimida. É mais fácil falar onde nos sentimos bem, onde somos bem aceitos. Mas posicionar-se em situações difíceis exigem de nós coragem e intrepidez.

Temos um exemplo disto em Atos 14.1-7. Acompanhe:

1Em Icônio, Paulo e Barnabé também foram à sinagoga judaica e falaram de tal modo que muitos creram, tanto judeus como gentios. 2Alguns dos judeus que não creram, porém, incitaram os gentios e envenenaram a mente deles contra Paulo e Barnabé. 3Ainda assim, os apóstolos passaram bastante tempo ali, falando corajosamente da graça do Senhor, que confirmava a mensagem deles concedendo-lhes poder para realizar sinais e maravilhas. 4Com isso, o povo da cidade ficou dividido: alguns tomaram partido dos judeus, e outros, dos apóstolos. 5Então um grupo de gentios, judeus e seus líderes resolveu atacá-los e apedrejá-los. 6Quando os apóstolos souberam disso, fugiram para a região da Licaônia, para as cidades de Listra e Derbe e seus arredores. 7E ali anunciaram as boas-novas”.

Paulo e Barnabé enfrentaram um cenário hostil, mas não deixaram de anunciar o evangelho por conta disso. Mesmo com oposição declarada, eles permanecem onde estavam por mais um longo tempo, evangelizando. Ameaçados de serem apedrejados, fugiram, mas não deixaram de anunciar o evangelho por onde foram.

Vejamos um exemplo, de nossos dias, de se falar em um ambiente não favorável. Mais uma vez recorro ao exemplo extraído do livro “A treliça e a videira: a mentalidade de discipulado que muda tudo” de Colin Marshal e Tony Payne, da Editora Fiel. Os nomes e os detalhes foram levemente mudados pelos autores, mas são exemplos reais.

“George é indagado por Pedro, seu colega de quarto, sobre o que ele fez no fim de semana e George reponde que ouviu na igreja um sermão excelente que o ajudou a entender, pela primeira vez, o que estava verdadeiramente errado com o mundo. Quando Pedro lhe pede que desenvolva a resposta, George mostra por que o pecado e o julgamento de Deus explicam os problemas que existem em nosso mundo. George continua a orar em favor de Pedro, pedindo que tais oportunidades continuem surgindo e que o coração de Pedro seja amolecido para responder à mensagem do evangelho”.

O exemplo dos estudantes que dividem o mesmo quarto na faculdade serve para mim e para você. Quantas vezes você foi perguntado “e aí? Como foi o fim de semana?”? Quantas vezes você respondeu falando do evangelho?

Conclusão

Concluindo. Diz o texto de nossa meditação:

2pregue a palavra. Esteja preparado, quer a ocasião seja favorável, quer não. Corrija, repreenda e encoraje com paciência e bom ensino.

Pregue a palavra. Poucos são os que se atentam que evangelizar significa pregar a Palavra de Deus. É o que Jesus nos pede em Mateus 28.20:

“Ensinem esses novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que eu lhes dei”.

Pregar a palavra é função de todo cristão e este pregar não se resume ao domingo à noite, mas a todo e qualquer instante. E este todo e qualquer instante é de fato e de verdade. Como, no entanto, ensinaremos se não temos aprendido? Como você tem alimentado sua fé e se fortalecido para cumprir a ordem que nosso mestre nos confiou? Quando me perguntam qual a estratégia evangelística de nossa Igreja a minha resposta é a mesma: os membros. Geralmente as pessoas ficam com cara de interrogação. Daí eu complemento dizendo: oferecer aos membros a oportunidade de aprenderem mais da Palavra de Deus e se capacitarem para cumprir a missão que Jesus confiou a cada um de nós. Fazemos isso por meio das aulas de escola dominical e do discipulado.

Quando eu devo evangelizar? A todo instante. Eu devo falar do amor de Deus a todo instante. Não importa se é em uma situação favorável ou não. Por vezes, seremos intimidados, ameaçados, perseguidos, mas ainda assim, devemos pregar e viver conforme o evangelho, é para isto que Deus nos chamou. Haverá momentos em que você percebera que o Espírito Santo o incomodará a falar. É o quando de Deus te incomodando a falar e testemunhar. Não perca as oportunidades que o Espírito Santo te dá de falar abertamente do amor de Deus. Infelizmente, por gerações, as Igrejas perderam a prática de falar abertamente. A clericalização da Igreja, ou seja, a igreja focada no pastor, fez com que os membros se isentassem do dever de anunciar o evangelho, encontrando desculpas fáceis para se isentar. Não me canso de falar da necessidade de você ser discipulado e treinado para evangelizar. Só se pode ter certeza do “quando” de Deus se estivermos sensíveis à sua voz. Só se pode ser sensível à voz de alguém se conhecermos e convivermos com esse alguém. Por isso eu te desafio: seja discipulado, discipule alguém. Os momentos para evangelizar acontecerão e você será capaz de dar a resposta de Deus para aquele momento. Diante dos erros você corrigirá. Diante das injustiças, repreenderá. Diante da falta de esperança, encorajará. E fará tudo com paciência e bem fundamentado na palavra de Deus. Pregue o evangelho. Pregue hoje. Pregue já.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s