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Como se celebra a Ceia

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O culto chega ao momento da ceia. O pastor acabara de pregar e descera do púlpito, chamara os presbíteros e entregou a eles as bandejas do pão e do vinho (suco de uva, provavelmente). Vira-se para a igreja e diz: Vamos participar da ceia, pessoal. E os presbíteros saem a entregar os elementos.

Sentiu falta de algo? O que mais me surpreendeu ao ver tal cena, foi a total ausência das palavras de instituição e orientação quanto à Ceia do Senhor. O Manual do Culto da IPIB apresenta uma fórmula bastante completa de celebração da Ceia, contendo inclusive a Grande Oração de Ação de Graças. Não sou um defensor de uma única forma de se celebrar a Ceia do Senhor, porém, existem alguns princípios básicos e bíblicos que fazem parte da celebração da Ceia e que, no exemplo de abertura deste artigo, não foram sequer mencionados. Via de regra, a maioria das igrejas celebram a Ceia da seguinte maneira:

  • Uma oração de consagração;
  • O/a Ministro/a pronuncia a fórmula de 1Coríntios 11.23-29;
  • O/a Ministro/a instrui a Igreja como participar;
  • Participação do povo.

Não é a fórmula litúrgica mais completa, mas com certeza é a mais comum. A imensa maioria das Igrejas, não apenas IPIB, celebram a Ceia do Senhor desta forma. O questionamento que me ocorre, quando penso no exemplo que abre este artigo, é o que se perde ao se excluir o que, ao meu ver, é um dos pilares da Celebração da Ceia do Senhor, a fórmula de 1Coríntios 11.23-29. Ao excluir este pilar, falta a explicação do motivo de tal celebração e a razão de estarmos ali.

Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei. Como sacramento, recebemos das mãos do Senhor Jesus o que celebramos hoje.

Que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído. Recebemos das mãos do Senhor, que o instituiu num dia profundamente importante, marcado pela traição, mas ainda assim, não excluiu o traidor da Ceia.

Tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. O pão, corpo de Cristo, entregue para ser consumido em favor dos nossos pecados e ressurreto para nos dar vida eterna. Por isso partimos o pão.

Tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. O cálice, contendo o vinho, sangue de Cristo, derramado para selar a nova aliança em Cristo, que nos une com Deus e como povo.

Porque, todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Eis aí o motivo pelo qual celebramos a Ceia. Anunciamos a morte do Senhor até o dia em que ele voltará. Por isso é mais que memorial, é presença de Cristo conosco, a nos direcionar e confortar o coração, na expectativa da consumação do Reino de Deus.

Excluir da celebração da Ceia do Senhor seus pilares e renegar a um mero distribuir de elementos, sem nem mesmo orar antes disso, é banalizar o sacramento. O zelo pastoral não está apenas em cumprir o rito litúrgico, quer segundo o Manual do Culto, quer por uma fórmula litúrgica mais simples, mas sim em manter a celebração com a alegria e a honra que merece o fato de estarmos à mesa com Jesus. A Ceia é sacramento, meio de graça, caminho pelo qual nos colocamos me contato com o sagrado e por isso mesmo deve ser celebrada com o devido cuidado, alegria e reverência que se deve ter quando se está diante de Deus.

O desafio para Ministros/as da IPIB é revisitar os princípios teológicos da Ceia do Senhor e orientar o povo da razão de a estarmos celebrando. Nunca é demais repetir tais princípios para a comunidade, pelo contrário, eles nos chamam para refletir a razão de ser da Igreja, o ponto central de nossa comunhão e os valores bíblicos que pregamos e vivemos. Zelo para com a Ceia do Senhor não é preciosismo litúrgico, é amor ao evangelho do Senhor da Mesa, na qual nos reunimos ao redor.

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP
sml@ipib.org – gcalecrim@gmail.com


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.

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3 comentários em “Como se celebra a Ceia”

  1. Glória a Deus, muito me alegrou em saber que não estou sozinha no pensar no querer zelar pela expressão espiritual que representa a mesa ” ceia do Senhor “. Mesmo sendo vista como ultrapassada diante da modernidade, permaneço buscando a primazia para o culto ao Senhor nosso Deus. Parabéns Rev. Geovanni seja sobre ti a sabedoria divina. Rv.Josireni -IPU

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