Leituras

Igreja em lugares difíceis

Inicio com a seguinte consideração: o livro é mais que um roteiro de como atuar em lugares pobres. Dito isto, posso começar a falar sobre ele. O que Mez McConnel e Mike McKinley fazem é apresentar os pressupostos de todo trabalho envolvendo comunidades carentes. Quer em Glasgow, Nova York ou em São Luiz do Maranhão (um dos autores trabalhou lá).


Dividido em três partes, os autores apresentam o que é o Evangelho em lugares difíceis, definindo o que é pobreza, o evangelho necessário e se a doutrina é relevante ou não; na segunda parte fala da Igreja em lugares difíceis, pontuando a dificuldade de trabalhos paraeclesiásticos em realidades de pobreza, afirmando e valorizando a atuação da Igreja local, a importância do evangelismo, a função da pregação e a importância da vinculação da pessoa como membro da igreja e sujeita a um código de disciplina. Por fim, na terceira parte, eles falam do trabalho em lugares difíceis, mostrando a necessidade do preparo, do planejamento, da necessidade de estar aberto a mudanças e de rever o seu conceito sobre trabalho social.

Um ponto negativo, se posso assim chamar, é a tradução do texto. Talvez teria sido mais salutar buscar equivalentes brasileiros para determinados termos como “banco de alimentos”. Desconheço tais iniciativas no Brasil, se existem, não estão visíveis, embora pela leitura tenha ficado claro o que se queria dizer. Outro ponto da tradução são frases, principalmente na última parte, em que a construção ficou confusa, sem por exemplo, conjugar o verbo conforme o sujeito que foi usado.

Dito tudo isto, recomendo a leitura não só para quem trabalha com comunidades em locais pobres, mesmo porque os exemplos que Mez McConnel e Mike McKinley apresentam são muito parecidos com a realidade de muitas igrejas, quer ricas, quer pobres, de nosso Brasil.

Citações que destaco do texto

Igrejas que se contentam em simplesmente prover assistência material aos necessitados estão perdendo uma oportunidade de ministrar a eles num nível muito mais profundo.

O simples recurso material ou a capacitação profissional não satisfarão todas as necessidades dos pobres.

Não podemos simplesmente presumir que os chamados cristãos entendem de forma coerente e são capazes de comunicar o Evangelho.

O pobre é pobre, não estúpido.

O crente que não faz parte de uma igreja local está desobedecendo a Deus.

Não existe atalhos ou substitutos para o ensino do Evangelho.

É impossível separar seus métodos evangelísticos das coisas que você crê a respeito Deus e da salvação.

O evangelismo não começa com as nossas ações; começa por quem nós somos e como vivemos. Ele deveria ser tão natural quanto respirar.

Ao invés de esperar que as pessoas entrem na comunidade cristã, deveríamos sair e nos engajar com nossas comunidades.

Membresia requer compromisso e esclarece em termos bíblicos o que significa fazer parte de uma igreja. Quando elas se tornam membros da congregação, estão prometendo amar, cuidar e orar pelas pessoas e prestar contas a todos na igreja.

A oração é a chave absoluta antes, durante e depois de qualquer ministério.

O amor cristão deseja ver na vida das pessoas o mesmo que Deus deseja ver nelas: uma obediência frutífera e fiel a Cristo.

A pergunta não é se o discipulado custará caro (isso já é certo), mas como podemos investir melhor nossas vidas no Reino de Deus?

Ficha

Igrejas em lugares difíceis
Mez McConnel e Mike McKinley
Fiel Editora
Ano: 2016
ISBN: 85-8132-366-4
Páginas: 240
Tamanho: 14×21

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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