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Mensagem da cruz: sim eu amo

No ano de 1805 um navio de bandeira inglesa aportou em Salvador por quinze dias. A nau estava a caminho da Índia pela mesma rota de Pedro Álvares Cabral. A bordo estava um jovem de 24 anos, formado em matemática e Ministro Anglicano ordenado há cerca de três anos, que estava à caminho da Índia como missionário. Aproveitando a parada, Henry Martyn desceu do navio e foi conhecer a cidade que os recebia. Já em terra, encontrou-se com autoridades civis e eclesiásticas, com quem teve oportunidade de conversar em francês e latim. Em seu diário, Martyn registrou sua estada em Salvador. Ficou impressionado com a quantidade de altares na cidade. O que lhe chamou atenção foi a quantidade de cruzes fincadas na cidade:

Que missionário será enviado para trazer o nome de Cristo a estas regiões ocidentais? Quando será que esta linda terra se libertará da idolatria e do cristianismo espúrio? Há cruzes em abundância, mas quando será levantada a doutrina da cruz?
(Extraído de “Mochila nas costas e diário na Mão”, de Élben M. Lens César, Editora Ultimato)

Passados mais de 210 anos da estada de Henry Martyn, podemos dizer que vivemos dias de confusão quanto à mensagem da cruz nestas regiões ocidentais. Vieram missionários de todas as linhas reformadas e pentecostais e, como fruto do trabalho destes homens e mulheres, a mensagem da cruz foi espalhada do Oiapoque ao Chuí. No entanto, passadas as primeiras gerações de divulgadores da doutrina da cruz, hoje temos encontrado cada vez menos a doutrina da cruz, e cada vez mais a idolatria reinando no meio evangélico brasileiro.

É preciso retomar a pregação da cruz. É preciso anunciar que Jesus veio ao mundo para salvar o pecador e que nós, Igreja de Cristo, somos os principais pecadores. No entanto, em amor e graça, Deus nos abraçou e nos trouxe para junto dele. Somos frutos da graça de Deus nas terras ocidentais que Henry Martyn regisrou.

A fé é o ato pelo qual o Salvador e o pecador se abraçam pela primeira vez.
(Ashbel Green Simonton)

O despertar da fé nos trouxe para os braços de Deus e devemos, confiantes na graça e amparados por seus braços fortes, anunciar que há solução para nossa sociedade imersa em idolatria. Idolatria religiosa dos que confiam mais nos santos, padres, pastores, bispos, missionários, apóstolos e tantos outros que se colocam entre o homem e Deus. Idolatria política dos que confiam e defendem mais a partidos e personalidades do que a Cristo e sua Cruz. Idolatria do consumo dos que confiam mais no saldo de suas contas bancárias do que no poder sustentador e provedor de Deus, o Senhor. E tantas outras idolatrias que poderíamos listar e apontar. É preciso denunciar a idolatria, que aprisiona o homem, e proclamar a cruz que liberta e dá vida, vida hoje, vida eterna.

Foi esta a mensagem que Ashbel Green Simonton trouxe ao Brasil em agosto de 1859. Com apenas 26 anos, recém ordenado, solteiro, chegou ao nosso país para anunciar a mensagem da Cruz, pregando aos brasileiros que

Quando a alma se une a Cristo pela fé é que ela começa a cumprir seu propósito de vida.
(Ashbel Green Simonton)

Confiemos na mensagem da cruz. Proclamemos a verdade que Jesus veio salvar o pecador. Confessemos e declaremos nosso amor pela cruz de Cristo, como cantamos em nossa Igreja:

Sim, eu sempre amarei essa cruz!
Seu triunfo meu gozo será,
Pois um dia, em lugar de uma cruz,
A coroa Jesus me dará!
(Rude Cruz, autoria de George Bernard, tradução de Antônio Almeida, hino do Cantai Todos os Povos 368)

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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