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A adoração e o louvor segundo a Bíblia

Texto de autoria de Andres Birch, publicado originalmente em Cante as escrituras


As palavras “adoração” e “louvor” estão na boca de milhões de pessoas, seguramente mais que nunca antes na história. Isto é algo muito bom, quando se trata de uma adoração e de um louvor bíblicos do único Deus verdadeiro.

Mas eu me atreveria a sugerir que ainda nós que adoramos e louvamos ao Senhor de todo o coração nem sempre temos dedicado tempo a estudar sobre o que ensina a Bíblia sobre a adoração e o louvor. Alguma vez você buscou as palavras “adorar” e “louvar” na Bíblia, para ver como são usadas?

O objetivo (bastante ambicioso!) deste artigo é tentar resumir em dez princípios o que ensina a Bíblia sobre a adoração e o louvor.

1. Segundo a Bíblia, adorar a Deus é se prostrar a Ele.

Você sabia que a palavra “adoração” não se encontra na Bíblia (pelo menos, na versão Reina-Valera de 1960)? Surpreendente, não é? Agora sim, aparece a palavra “adorar”, em torno de 150 vezes.

Por trás destes 150 textos há seis palavras hebraicas, aramaicas e gregas. A ideia principal é a ideia de prostrar-se a Deus. A verdadeira adoração consiste em prostrar-se a Deus (não necessariamente fisicamente, mas sim no coração). E a falsa adoração consiste em prostrar-se a qualquer ser ou coisa que não seja Deus. Ao longo da Bíblia, há muitos exemplos de ambos tipos de adoração. Esta ideia (de prostrarmos a Deus) nos fala de sua santidade e grandeza, de nossa pecaminosidade e pequenice e do santo temor que devemos sentir perante Ele. Ou seja, de sua grande dignidade e de nossa grande indignidade.

2. Segundo a Bíblia, adorar a Deus é responder a tudo o que Ele é com tudo o que nós somos.

Esta é minha definição de adoração: responder a tudo o que Deus é com tudo o que nós somos, responder a todo o seu ser com todo o nosso ser.

Quando adoramos, não estamos fazendo algo em um vazio; estamos respondendo a algo. A que? A Deus, a tudo o que a sua Palavra nos ensina sobre Ele. E fazemos isso com tudo o que somos e com tudo o que temos. Isso é adoração.

Três exemplos bíblicos disso: (1) Abraão subindo o monte Moriá para adorar ao Senhor, oferecendo o seu filho Isaac em holocausto (Gn 22:5); (2) A adoração de que falou Miqueias: “.. fazer justiça, amar misericórdia e se humilhar perante o teu Deus” (Mq 6:6-8); e: (3) A adoração ensinada pelo apóstolo Paulo: “… que apresentem o seus corpos em sacrifício vivo, santo, agradável a Deus, que é o seu culto racional” (Rm 12:1).

A adoração é muito mais que só algo que fazemos na igreja!

3. Segundo a Bíblia, o objetivo número um de nossa adoração deveria ser agradar a Deus e dar-lhe glória.

A adoração verdadeira não é egocêntrica, senão teocêntrica. No centro do palco não estou eu; está Deus. A ideia não é que nós nos sintamos bem; a ideia é agradar ao Senhor e dar a Ele a glória.

Usamos muito as palavras: “Eu gosto” e “Eu não gosto”. Curiosamente, o único lugar na Bíblia onde (em uma tradução atual) se encontram as palavras “Eu gosto” é em Gênesis 27:4, palavras de Isaque ao seu filho Esaú: “E faze-me um guisado saboroso, como eu gosto…” e você já sabe como terminou aquilo! Mas hoje em dia, as palavras “eu gosto” são as palavras que mais se ouvem; um reflexo, sem dúvida, do egocentrismo que tão facilmente se apropria de nós. E há muito do “eu gosto” e do “eu não gosto” em nossa adoração.

A adoração verdadeira não deveria ser uma questão de nossos gostos; o único que realmente importa é que goste ao Senhor, que lhe agrade e que lhe dê glória.

4. Segundo a Bíblia, louvar a Deus é reconhecer suas virtudes, ficar impactado por elas e louvar por elas.

Louvar é “elogiar, celebrar com palavras”. Louvamos aos nossos esportistas, artistas e atores favoritos. Louvamos às pessoas que mais amamos. Louvar a alguém é reconhecer suas virtudes, ficarmos impressionados e impactados por essas virtudes e louvar por elas.

E louvamos ao Senhor por suas muitas e maravilhosas virtudes, seja de forma direta: “Senhor, quão grande és!”; ou de forma indireta: “Quão bom é o Senhor!”

Porém, é assim como está sendo usada a palavra “louvor” quando se fala de “líderes de louvor” ou de “tempos de louvor”? Às vezes, pois, sim e outras vezes, não, não é?

5. Segundo a Bíblia, cantar a Deus e louvá-lo são duas coisas relacionadas entre si, mas distintas.

A letra de muitos dos hinos e cânticos que cantamos é louvor ao Senhor: “Santo, santo, santo, Senhor onipotente!”; “Quão grande é Ele”; “Quão grande és Tu!”; “Grandes são as tuas obras!”; “Tua fidelidade é grande!”; etc.

Mas, (1) nem todos os cânticos ou hinos são de louvor: “Aviva-nos, Senhor!”; ”Firmes e adiante!”; “Grata certeza!”; “Aceita-me como oferta de amor”; “Como o cervo busca pelas águas”; “Hoje te rendo o meu ser”; etc. (2) Cantar ao Senhor não é a única forma de louvá-lo; também lhe louvamos orando, falando entre nós sobre Ele e com nossas vidas.

Se seguimos usando a palavra “louvor” como estamos fazendo, nossos netos não vão saber o que é o louvor! Da mesma forma que se desvirtuou a palavra “amor”, estamos no perigo de desvirtuar a palavra “louvor”.

6. Segundo a Bíblia, o canto espiritual serve para expressar todo tipo de emoção em todo tipo de situação.

Como já vimos, há hinos e cânticos de louvor, mas também há os de gratidão, de confiança no Senhor, de consagração, de petição, etc.

Agora, isso tem alguma base bíblica? Sim, tem o livro de Salmos! Há salmos de louvor ao Senhor, salmos de ação de graças, salmos de confiança no Senhor, salmos messiânicos, salmos pedindo ajuda ao Senhor, salmos que são lamentos, etc. Uma das coisas que mais gostamos dos Salmos é precisamente o fato de que neles se fala de todo o tipo de situação, boas e más, e se expressam todo o tipo de emoção, desde a angústia à êxtase.

Não estamos no perigo de perder a riqueza de conteúdo das canções que cantava o povo de Deus antes de Cristo?

7. Segundo a Bíblia, há duas coisas que são mais importantes que o canto: (1) a Palavra de Deus; e (2) a oração.

Sei como são importantes para muitas pessoas os “tempos de louvor” que temos em nossas reuniões. Mas, ainda que cantar ao Senhor é muito importante, mais importantes ainda são a Palavra de Deus e a oração.

No Antigo Testamento a música  tem um lugar importante, mas não tão importante como a Palavra de Deus e a oração. Há livros inteiros que não contém nenhuma referência à música.

Nos quatro Evangelhos há pouquíssimas referências à música e só uma referência ao Senhor mesmo cantando, mas quantas referências há para a Palavra de Deus e a oração? Um monte, não é?

O livro de Atos descreve os primeiros trinta anos da Igreja, mas quantas referências há ao canto dos primeiros cristãos?: só uma (explícita), e não se trata de uma reunião cristã normal, senão de Paulo e Silas cantando em uma prisão! Mas e as referências em Atos à Palavra de Deus e à oração? Muitas, verdade?

A nossa realidade hoje reflete com a mesma ênfase que a Palavra de Deus?

8. Segundo a Bíblia, a vinda do Senhor Jesus Cristo criou um marco na adoração.

A adoração no Novo Testamento é igual que a adoração no Antigo? Se não, em que são diferentes? A vinda do Senhor Jesus Cristo mudou a maneira de adorar a Deus? Qual é o nosso principal modelo? A adoração do povo de Israel ou a adoração da Igreja primitiva? A qual das duas se parece mais a nossa adoração?

O Senhor disse para a mulher samaritana: “A hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai… A hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adore…” (Jo 4:21-24). Parece que o Senhor estava apontando uma mudança na adoração como consequência de sua vinda, não é verdade? Esta mudança é refletida em nossa adoração?

9. Segundo a Bíblia, no centro da nossa adoração deveriam estar a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo.

A adoração antes de Cristo apontava a sua (futura) vinda; e a adoração depois de Cristo aponta em direção a antes, à encarnação, à sua morte e à sua ressurreição. A pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo deveriam ocupar um lugar central na nossa adoração.

Mas alguns crentes falam de Cristo, da Cruz e do evangelho como se não tivessem muito a ver com o louvor. Pensemos por um momento no livro de Apocalipse; boa parte do livro descreve a adoração dos crentes e dos anjos no céu. E o que encontramos? Que Apocalipse, pois, é um dos livros bíblicos que mais falam de Cristo; que Apocalipse começa e termina com o Senhor Jesus Cristo; encontramos uns vinte e quatro nomes ou títulos do Senhor Jesus Cristo, dos quais o que mais se usa é o nome do Cordeiro; e que o tema central das canções que se cantam no céu é Cristo crucificado.

10. Segundo a Bíblia, a adoração na Igreja não vale para nada sem a adoração de nossas vidas.

Todos nós sabemos o quão fácil é se sentir bem na igreja e quão difícil é viver nossa fé no dia-a-dia. Às vezes parecemos esquizofrênicos: uma pessoa na igreja e outra muito diferente fora da igreja. Mas se não adoramos ao Senhor com nossas vidas, o que fazemos na igreja não é adoração verdadeira!

O Senhor teve que repreender ao seu povo Israel uma e outra vez pela incoerência entre a sua (suposta) adoração e suas vidas (Is 1:11-17; Is 29:13a; Os 6:6; Mq 6:6-8; etc). E o apóstolo Paulo fala de nosso “culto racional” em termos de nossas vidas, não do que fazemos na igreja (Rm 12:1-2).

O que fazemos na igreja não é nada mais que a ponta do iceberg da verdadeira adoração, a pequena parte que mais se vê; mas se não há nada abaixo disso, se não somos adoradores 24/7, o que fazemos na igreja não vale de nada!

Conclusão

Como disse o Senhor Jesus Cristo àquela mulher samaritana, o Pai busca verdadeiros adoradores que lhe adorem. Afinal de contas, Ele nos criou, nos deu a vida para isso: para que lhe adorássemos; e nos salvou para que o fizéssemos “em espírito e em verdade”. Que o Senhor encontre em nós os adoradores que Ele anda buscando!

Por: Andres Birch. Copyright © 2014 The Gospel Coalition. Original: La adoración y la alabanza según la Biblia

Tradução: Renan Bandeira. Revisão: Filipe Castelo Branco. © 2016 Cante as Escrituras. Original: A Adoração e o Louvor Segundo a Bíblia

Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir e distribuir este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.

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