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O divórcio da pastora e a necessidade de aparecer

Foi com uma sensação de déjà vu que vi uma chuva de posts no Twitter e Facebook sobre o divórcio de uma pastora, onde, ao que pese todos os direitos que lhe cabe, ela fundamenta sua separação alegando que seu marido é homossexual e pedófilo.

O caso está sendo conduzido pela justiça e a ela devemos prestar toda nossa solidariedade, apoio e oração. A questão deste texto não é o fato em si, mas a necessidade tornar pública situações tão íntimas.

Fiquei com a sensação de déjà vu porque tal notícia era, e ainda o é, muito comum no meio artístico. Quantos divórcios de famosos são divulgados? Mas o que mais me estarreceu foi a publicação do motivo que levaram a tal pastora a se separar. A mídia brasileira tem sido bombardeada de notícias sobre celebridades do mundo religioso.

Os evangélicos sustentam um discurso de moral e ética rígidos, mesmo que, em muitos casos, suas práticas sejam imorais e antiéticas. Tal discurso exige dos evangélicos um enorme esforço em manter as aparências de uma vida regrada pelo que falam. Sim, manter as aparências, pois o que é verdadeiro, genuíno e sincero não exige esforço.

Buscando chancelar sua decisão ante a esta comunidade, a pastora expõe sua vida, sua intimidade, sua dor e seu sofrimento. Qual a necessidade disso? O que o Reino de Deus ganha com tal exposição?

A maioria das reações que li foram de desrespeito ao homem e à pastora. Quem muito se expõe está sujeito a isso. Se você é uma pessoa pública é natural que a curiosidade dos outros se agucem a respeito de sua vida pessoal. No entanto, o que a grande maioria dos artistas fazem é manter as questões pessoais distantes o suficiente de suas vidas públicas.

Não é o caso aqui. Quase tudo escancarado. Mais uma vez: qual a necessidade disso? O que o Reino de Deus ganha com tal exposição? A referida celebridade carrega um título que não pede celebridade. A referida celebridade carrega um título que pressupõe atitudes e palavras que a colocam como seguidora do Rei do Reino.

Celebridades. Quem diria, há trinta anos, que teríamos um mercado editorial intenso em torno de notícias sobre celebridades evangélicas. Pois é, ele existe e é só mais um nicho do mercado editorial sobre celebridades.

No caso da pastora e seu divórcio, são muitos os lamentos. Primeiro, porque duas pessoas não conseguiram manter o relacionamento que cultivaram antes do casamento. Muitos são os motivos que levaram ao divórcio. Segundo, por ela carregar um título que não busca honras, aplausos ou celebrações pessoais, ou seja, não busca fama. Ser pastor é servir, não ser servido. Terceiro, porque tal exposição não acrescenta nada ao Reino de Deus.

Mas nem tudo são lamentos. Uma certeza nós devemos ter: o Reino de Deus não precisa disso e não é abalado por isso. O Reino de Deus continua firme, cresce na expressão anônima de pessoas – pastores ou não – que entregam suas vidas à causa do Reino em todas as áreas de suas vidas e não são reconhecidos, nem devem, pela mídia, mas são facilmente identificados por aqueles que sofrem e vivem oprimidos numa sociedade completamente corrupta, egocêntrica e devota do deus dinheiro.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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