Solidariedade

Quando foi que te vimos com fome, com sede, sem teto, com frio, doente ou na cadeia e não te ajudamos? (Mateus 24.44)

Em tempos de satisfação pessoal em primeiro lugar, a solidariedade acaba por parecer sempre algo surpreendente. Quando vemos nos noticiários reportagens sobre solidariedade acabamos por nos comover. Parece que a enxurrada de más notícias acaba por cauterizar nossa consciência e as mostras de solidariedade nos comovem por trazer um certo alento em meio a tanta violência de todas as formas.

Em às solidariedades nos jornais, acabamos por não ver tantas instituições cristãs aparecendo na promoção da solidariedade, o que não quer dizer que elas não o fazem. Aliás, é bom que não apareça. A mídia em geral está preocupada em perpetuar seus valores, que não são em nada parecido com os valores do Reino de Deus. Talvez isso tenha levado Gióia Jr a escrever em seu poema “Não negues nunca o pão”:

Ao que te pede o pão não o negues jamais,
nem queiras ver, depois, teu nome nos jornais;
faze-o, com humildade, em nome de Jesus!

A solidariedade é uma marca do cristão. Não se é cristão sem ser solidário. O texto que abre esta meditação nos mostra como Jesus se preocupou em mostrar aos discípulos a importância de atender os necessitados em toda e qualquer situação. Não se trata de montar instituições assistenciais apenas, mas sim de ser, na vivência da comunidade de fé, solidário uns com os outros para que a solidariedade se derrame para fora da Igreja e atinja aqueles que não são de nossa comunidade, mas que carecem de coisas básicas, inclusive do evangelho.

Como Igreja de Cristo não podemos deixar de ser solidários. Em contrapartida, também não podemos achar que a ação social por si só basta. Não se trata de ser assistencialista, mas sim de promover a transformação do ser humano. Assim, o conceito de solidariedade extrapola a questão de doação de bens materiais e nos coloca diante de atitudes solidárias. Quando somos solidários na fome, na sede e com o sem teto estamos resolvendo situações que exigem bens materiais – alimento, água e moradia. Quando somos solidários com os doentes e presos nem sempre o fazemos com bens materiais, mas com nossa presença e amizade solidária. Percebe-se, então, que a solidariedade não é apenas doar um casaco ou cobertor para a campanha do agasalho, mas tornar-se amigo e companheiro daqueles que estão carentes.

Ao sermos solidários não devemos discriminar ninguém. No Rio de Janeiro, RJ, uma Igreja Metodista abriu as portas durante as madrugadas frias para os moradores de rua dormirem em seu templo. Em Orlando, Estados Unidos, após o tiroteio na boate gay, Igrejas Presbiterianas, Anglicanas, Metodistas, Católicas e Batistas organizaram mutirões de doação de sangue para o hospital que atendia as vítimas e também abriram a porta de seus templos para que as famílias pudessem velar seus mortos. Muitas dessas igrejas criaram programas de acompanhamento para os familiares das vítimas. Atitudes que não foram divulgadas pela grande mídia e que refletem o ser solidário.

Tais práticas farão de nós discípulos fieis. Quer os exemplos do parágrafo anterior, quer qualquer outra atitude solidária anônima que façamos, ser solidário é uma marca dos discípulos do Rei Jesus. Não basta apenas doar o bem material, é preciso dedicar-se às pessoas. Ao nos dedicarmos a elas estaremos nos dedicando ao próprio Jesus:

Toda vez que vocês deixaram de fazer uma dessas coisas a algum marginalizado ou excluído, aquele era eu — deixaram de ajudar a mim. (Mateus 25.45)

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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