Sermões

O mediador

Sermão pertencente à série Salvação, pregado em 19 de junho de 2016 na Igreja Presbiteriana Independente de Araraquara, SP


2016-06-serie-mensagens

Vivemos num tempo onde muito se fala de igreja, fé e religião. Fala-se de tudo: desde como obter sucesso em sua vida financeira a resolver seus problemas emocionais. No entanto, muito pouco se fala da centralidade da mensagem do evangelho, a salvação em Cristo Jesus. Durante quatro encontros abordaremos a salvação mostrando a necessidade da consciência da queda, o pacto de salvação em Cristo Jesus, a pessoa de Jesus como mediador e a importância da fé para salvação. Quero convidar você a se juntar a nós nestes encontros e juntos aprendermos mais sobre a salvação em Cristo Jesus. Esta série de mensagens é baseada na Confissão de Fé de Westminster, capítulos 6, 7, 8 e 14 e vamos recorrer a ela constantemente.

Hoje falaremos sobre o mediador. Vimos que a queda do homem o afastou de Deus. Vimos que o pacto de Deus com o homem garante salvação e que tal pacto se dá em Cristo Jesus. Ele é o escolhido e enviado de Deus para nos reconciliar de maneira única e eficaz. Muitas ditas igrejas afirmam em suas teologias e bases doutrinárias que Jesus é o único mediador. No entanto, em suas práticas, o que vemos é a figura de santos, pastores, bispos e apóstolos colocando-se como intermediador entre o homem e Cristo. O que veremos hoje é que Jesus é o único que nos coloca em contato direto com Deus e sua vontade.

A Confissão de Fé de Westminster trata no Capítulo VIII de Cristo o mediador. Nele, em oito itens, são abordadas as questões concernentes ao mediador. Vamos nos debruçar sobre estes itens e compreender melhor a necessidade de reconhecer Cristo como mediador.

Vejamos o primeiro item, leia comigo:

I. Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho Unigênito, para ser o Mediador entre Deus e o homem, Profeta, Sacerdote e Rei, o Cabeça e Salvador de sua igreja, o Herdeiro de todas as coisas e o Juiz do mundo; deu-lhe, desde toda a eternidade, um povo para ser sua semente e para, no tempo devido, ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado.

A escolha do mediador não partiu da vontade humana. Foi Deus, em seu imenso amor e misericórdia que escolheu enviar um mediador entre ele e a humanidade. Tal mediador é ninguém menos que seu Filho. A Confissão de fé o descreve como Profeta, aquele que vem proclamar a verdade de Deus; como Sacerdote, escolhido como Sumo Sacerdote o que vem para unir com Deus de uma vez por todas; como Rei, que governará o universo para todo o sempre; como Cabeça e Salvador da Igreja, a resgatar e reger os que são seus; como Herdeiro de todas as coisas, o que vai assumir toda a criação de Deus para regê-la; como Juiz do mundo, que irá julgar e exercer o juízo. Estas características são a essência do Mediador, a quem Deus confia um povo que será remido, chamado, justificado, santificado e glorificado. Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item II. Leia comigo:

II. O Filho de Deus, a segunda Pessoa da trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria e da substância dela. As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas – a divindade e a humanidade – foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão, composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.

A natureza de Jesus é sempre ponto de discussões teológicas. Somos seguros em afirmar que Jesus é a segunda pessoa da Trindade e que ele assumiu a condição de humano em sua plenitude, exceto o pecado. Sua concepção foi milagre e nele reside a natureza divina e humana. A natureza divina de Jesus é inseparável de sua natureza humana. Ele é perfeito Deus e perfeito homem e o único mediador entre Deus e o homem. Nada, nem ninguém, pode nos unir com Deus, só Jesus. Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item III. Leia comigo:

III. O Senhor Jesus, em sua natureza humana unida à divina, foi santificado e sem medida ungido com o Espírito Santo, tendo em si todos os tesouros da sabedoria e da ciência. Aprouve ao Pai que nele habitasse toda a plenitude, a fim de que, sendo santo, inocente, incontaminado e cheio de graça e verdade, estivesse perfeitamente preparado para exercer o ofício de Mediador e Fiador. Este ofício ele não tomou para si, mas para ele foi chamado pelo Pai, que lhe pôs nas mãos todo o poder e todo o juízo, e lhe ordenou que os exercesse.

Jesus veio com uma missão clara e definida: reconciliar com Deus o que o pecado havia quebrado. Ele é escolhido pelo Pai para cumprir tal missão e, ungido pelo Espírito Santo, a cumpre fielmente. Tal fidelidade ele a demonstrou vivendo de maneira justa e santa aqui na terra, não sendo corrompido pelo pecado e cumprindo as obras que o Pai lhe determinara. Jesus não escolheu tal função, foi o Pai que o mandou e ele a cumpriu cabalmente. Ele determinou, dando-lhe poder, e ele foi fiel. Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item IV. Leia comigo:

IV. Este ofício o Senhor Jesus empreendeu voluntariamente. Para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à lei, a qual ele cumpriu perfeitamente; padeceu imediatamente em sua alma os mais cruéis tormentos e, em seu corpo, os mais penosos sofrimentos; foi crucificado e morreu; foi sepultado e ficou sob o poder da morte, mas não viu a corrupção; ao terceiro dia, ressuscitou dos mortos com o mesmo corpo com que tinha padecido; com esse corpo, subiu ao céu, onde está sentado à destra do Pai, fazendo intercessão; de lá voltará, ao final dos tempos, para julgar os homens e os anjos.

“creio na ressurreição do corpo” a sentença do Credo Apostólico, eventualmente lido por nós no culto é a expressão daqueles que presenciaram não apenas uma ressurreição da alma ou espírito, mas também do corpo. Eles o viram, o tocaram, comeram com ele à mesa. Ele não sofreu os castigos apenas no corpo, mas em toda sua essência. Ele sofreu inteira e plenamente todas as dores que o meu e o seu pecado causaram nele. Experimentou a morte, sem ver corrupção, e ressuscitou ao terceiro dia para nos dar, com ele, vida eterna. Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item V. Leia comigo:

V. O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e pelo sacrifício de si mesmo, sacrifício que, pelo Eterno Espírito, ele ofereceu a Deus uma só vez, satisfez plenamente à justiça do Pai, e, para todos aqueles que o Pai lhe deu, adquiriu não só a reconciliação, como também uma herança eterna no reino dos céus.

O sacrifício de Jesus foi pleno e eficaz. Por isso não se perde a salvação, pois ela não depende da ação humana, nos foi dada única e eficazmente na vitória sobre a morte. Tal sacrifício satisfez plenamente a justiça de Deus, é o que nos afirma 2Coríntios 5.21:

“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

Ao cumprir a sentença que estava reservada a nós, Cristo nos reconcilia com o Pai de uma vez por todas, garantindo a nós a herança eterna. Tal herança é a vida eterna ao lado dos eleitos de Deus e com Cristo. É o que Jesus afirma em João 17.2:

“assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste”.

Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item VI. Leia comigo:

VI. Ainda que a obra da redenção não fora realmente cumprida por Cristo senão depois de sua encarnação, contudo a virtude, a eficácia e os benefícios dela, em todas as épocas sucessivas desde o princípio do mundo, foram comunicados aos eleitos naquelas promessas, tipos e sacrifícios, pelos quais ele foi revelado e significado como a Semente da mulher que devia esmagar a cabeça da serpente, como o cordeiro morto desde o princípio do mundo, sendo ele o mesmo ontem, hoje e para sempre.

Como vimos na mensagem anterior, o Antigo Testamento apresenta diversos tipos de Jesus e por meio destes tipos a salvação e o cumprimento do pacto de Deus foi consumado. Assim, na cruz, converge toda a história da humanidade para que experimentemos a graça e o amor de Deus para conosco. Jesus, o Filho de Deus, é o único mediador entre Deus e os homens. Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item VII. Leia comigo:

VII. Cristo, na obra de mediação, age de conformidade com as suas duas naturezas, cada uma fazendo o que lhe é próprio; contudo, em razão da unidade de sua pessoa, o que é próprio de uma natureza é, às vezes, na Escritura, atribuído à pessoa denominada pela outra natureza.

Numa primeira leitura pode parecer confuso a afirmação do item VII. O que a Confissão de fé está afirmando é que Jesus foi transformado, na ressurreição, e levado a um novo período de sua existência gloriosa como Filho de Deus. Tal transformação se dá por conta de sua natureza humana e divina. Não podemos jamais separar uma natureza da outra. Jesus Cristo é cem por cento homem e cem por cento Deus. Por fim, vamos olhar para a Confissão de Fé de Westminster, no item VIII. Leia comigo:

VIII. Cristo, com toda certeza e eficazmente, aplica e comunica a salvação a todos aqueles para os quais ele a adquiriu. Isso ele consegue fazendo intercessão por eles e revelando-lhes na Palavra e, por esta, os mistérios da salvação, persuadindo-os, eficazmente, pelo seu Espírito, a crer e a obedecer, governando o coração deles pela sua Palavra e pelo seu Espírito; vencendo todos os seus inimigos por meio de sua onipotência e sabedoria, da maneira e pelos meios mais condizentes com a sua admirável e inescrutável dispensação.

Aqui a Confissão de Fé nos revela uma das grandes atribuições da Igreja de Cristo. A nós, Igreja, eleitos de Deus, compete adorar a Deus e anunciar a salvação. A persuasão, o chamado e a conversão são papeis do Espírito Santo na vida da pessoa. A nossa função, na conversão da pessoa, é anunciar o evangelho. É Cristo que nos chama e nos coloca diante do Pai de maneira eficaz e definitiva. Como fruto da salvação, passamos a crer e a obedecer a vontade de Deus, sendo ensinados pela Palavra e pelo Espírito.

Conclusão

Concluindo. No tempo oportuno, que ele predeterminou, Deus enviou seu filho ao mundo para cumprir o propósito maior de unir novamente, por meio de seu filho, o seu povo. Esse povo Deus deu ao seu filho para ser por ele remido, chamado, justificado, santificado e glorificado. Quem é Jesus? A Confissão de Fé de Westminster nos responde: a segunda Pessoa da trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele. No tempo oportuno, Deus enviou seu filho em forma humana. Duas substâncias em uma só pessoa – a divindade e a humanidade – juntas, inseparáveis e sem confusão. Jesus é chamado por Deus para ser o mediador entre Deus e os homens, o caminho pelo qual todo ser humano pode chegar a Deus. Para que a vontade de Deus se cumprisse, Jesus cumpriu todos os requisitos da Lei e optou, mesmos sendo tentado a, não pecar. Em Jesus, portanto, temos a perfeita obediência e a plena graça de Deus manifesta no sacrifício de seu Filho.

O que vimos até aqui é que Jesus é o único mediador entre o homem e Deus. foi escolha do pai enviar seu filho e dar a ele o poder de nos salvar. Esta é a maior verdade de nossa fé: Jesus Cristo salva. Não há nada que possa nos garantir a salvação. Somente Jesus pode nos salvar. Uma vez alcançados pela graça de Deus, não podemos mais nos calar diante de tamanho amor de Deus por nós. É preciso adorar e proclamar. Adorar ao Deus da nossa salvação e reconhecer que ele é o Senhor de nossas vidas. Proclamar às pessoas com quem convivermos o amor transformador e reconciliador de Deus para conosco. Este é o nosso ministério: adorar e proclamar. Para isto fomos reconciliados com Deus. Em nossa quarta e última mensagem falaremos da importância da fé para a salvação.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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