Quem é Jesus no Brasil – II

Texto de autoria de Bernardo Pires Küster, publicado originalmente em InfoPastor


A consciência de Napoleão, exilado numa ilha longínqua há 1.800 anos do Cristo, parece dinamitar com sua clássica potência a vasta maioria das percepções de quem é Jesus no Brasil que, infelizmente, temos sido obrigados a conviver nestes últimos anos.

Na ilha de Santa Helena ele redigiu uma carta ao conde de Montholon inquirindo sobre quem era Jesus Cristo. Ele desejava saber. Todavia, em resposta à ausência da resposta do conde, Napoleão tomou a decisão de informar ele mesmo quem havia sido o Nazareno. Disse ele que “Alexandre, César, Carlos Magno e eu mesmo temos fundado grandes impérios; mas do que dependem essas criações do nosso gênio? Dependem da força. Só Jesus fundou seu império sobre o amor […] Creio que entendo um pouco a natureza humana; e lhe digo: todos eles eram homens, assim como eu sou homem: ninguém mais é como ele; Jesus Cristo era mais do que um homem.”

Não é esta uma impressão muito mais acurada sobre quem é Jesus? Cristo tem sido vítima da morte de mil qualificações equivocadas neste país. Parece que ele é exposto novamente à ignomínia com o rótulo dos cambistas que ele mesmo expulsou dos canais de televisão; ele é constantemente levantado na cruz por aquela mesma hipocrisia que o levou a inquirir dos religiosos hipócritas como seria possível fugir da ira vindoura; é aqui no Brasil que ele tem recebido o cuspe das bocas que trazem o possesso ao palco e exilam para fora da casa da misericórdia aqueles que são confessos; ele é vestido por aqui em ternos caros por aqueles que negam os ternos afetos de misericórdia, juízo e fé e se vestem com folhas de figueira – produto de suas mãos. Ele é posto novamente como Senhor nos templos que ele mesmo veio destruir.

Quem é Jesus no Brasil de hoje? Procure-o nas bocas, nos becos, nos pequenos grupos, nos corações sinceros, não com visível aparência nem em longas orações para saquear viúvas e abusar dos pequeninos. Você o achará onde ele sempre esteve: entre aqueles que professam o seu nome no serviço anônimo, nos pequenos atos de alimentar, vestir, dessedentar, visitar os acamados e confortar os aprisionados. Ele será manifestado, em última análise, quando, seja de longe ou de perto, presenciarmos o amor que é demonstrado uns pelos outros, como ele mesmo disse. Ali ele estará: na presença da ausência do conformismo com a mentira que é este mundo e aquilo que se faz e se esconde sob os tapetes da religião.

Bernardo Pires Küster
Seminarista da Faculdade Teológica Sul Americana

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