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Quem é Jesus no Brasil – I

Texto de autoria de Alfredo Oliva publicado originalmente em InfoPastor


A interrogação sobre a identidade de Jesus no nosso país dos dias atuais permite uma resposta que siga por dois caminhos bem distintos, diria até opostos. Eu chamaria a primeira via de “empírica” e “indutiva” porque seria uma tentativa de abstrair a concepção de Jesus que as pessoas defendem a partir do comportamento e ideias publicamente expressos. A segunda trilha seria bem definida pela palavra “utopia” ou pela expressão “não-lugar”, pois falaria de uma imagem de Jesus ainda por ser construída ou uma visão que eu gostaria que um dia se tornasse efetiva. Nos parágrafos seguintes, vou me esforçar para descrever brevemente as duas alternativas!


Observando as notícias veiculadas pelos meios de comunicação, como televisão, jornal impresso e rede mundial de computadores, algumas marcas de como Jesus tem sido compreendido por alguns de seus seguidores ou seguidoras atuais seriam:
1) um acusador ferrenho das falhas humanas; 2) um severo machista; 3) um ser que odeia qualquer forma de diversão; 4) um fundamentalista inveterado; 5) um homem incapaz de tolerar a religião alheia; 6) uma pessoa carrancuda e mal humorada; 7) um defensor de todas das formas de corrupção ao mesmo tempo em que é um acusador da corrupção alheia; 8) um cidadão cegamente devoto de um dos partidos políticos brasileiros, não importando a legenda, desde que seja insuportavelmente chato para com qualquer outro que pense diferente!
O Jesus brasileiro e hodierno, como eu imagino, teria sua identidade forjada pelos valores e ações diametralmente opostas aos que apresentei no parágrafo anterior. Vou descartar cada uma das visões acima para montar o quebra-cabeça do meu Jesus:

  1. Ele é um homem amoroso, incapaz de acusar qualquer pessoa, seja lá do que for, pois é companheiro, parceiro, enfim, Deus-Conosco;
  2. é um defensor do igualitarismo, não por falta de opinião, mas, por amar de forma universal e incondicional, não poder fazer qualquer indicação de que um deva ser superior ou inferior ao outro;
  3. ama divertir-se e que as pessoas próximas a Ele tenham qualidade de vida, o que inclui viver em alegria, cujo limite é o de não obstruir o direito das demais fazerem o mesmo;
  4. foi um destruidor de fundamentos, o que permitiu que seus seguidores e seguidoras criassem uma nova religião a partir de seus ensinamentos, mas que não foram escritos por Ele;
  5. não poderia intolerar a religião alheia, senão seria incoerente com sua própria história, pois nasceu, viveu e morreu como judeu, mas é a inspiração da maior religião existente no mundo e também no nosso país, o cristianismo;
  6. é bem humorado e sorridente, por isso suas palavras podem ser tomadas com toda seriedade;
  7. sua integridade o conduziu à morte de cruz… foi executado como um parrhesiasta (praticante da coragem da verdade!), o que nos mostra que não existe “jeitinho”, mas isto vale para Ele e para todos os demais;
  8. seu modo de vida profético (crítico) o colocava fora de qualquer slogan político inventado por seres humanos, em seu tempo passado na Palestina, ou no Brasil dos dias de hoje… criou legenda própria, a partir de um concílio trinitário, e a denominou de “Reino de Deus”!

Alfredo Oliva
Historiador e Teólogo

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