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Então você não gosta do seu pastor

Publicado originalmente em Igreja Luterana Ribeirão Preto


Enterrada em algum lugar nas pilhas de caixas na minha garagem está o quadro da turma de formandos de Concordia Theological Seminary em 1996. Há um monte de preto e branco naquela foto colorida, sorrindo para a câmera com todas as camisas clericais e colarinhos clericais e dentes clericais. Eu aprendi teologia com estes homens, debati com eles, festejei com eles, orei com eles. E apesar de tudo, uma verdade surge, sempre de novo. É uma verdade óbvia, mas às vezes são as verdades óbvias que nós tendemos a ignorar. E é uma verdade que as congregações que esses homens servem muitas vezes esquecem: esses pastores, embora eles estão no lugar de Cristo para ministrar ao povo de Deus, estão cheios dos mesmos medos e falhas, solidão e luxúria, desejos e desesperos, como o pessoal do banco. Pastores são construídos a partir do mesmo material que todos os outros. E isso é bom, e isso é ruim.


É bom porque quanto mais eles são capazes de se identificar com as pessoas a quem eles ministram, melhores ministros serão. Quanto mais eles estão familiarizados com tristeza, melhores confortadores eles serão ao lado da sepultura. Quanto mais eles sabem de depressão, melhor andarão com os abatidos através de seus vales escuros. Eles podem simpatizar com a fraqueza do coração humano, e aplicar a outros corações a mesma palavra divina e curadora que aplicam à si próprios. É uma coisa boa que os pastores são construídos a partir do mesmo material que todos os outros. E é uma coisa ruim.
É uma coisa ruim por muitas razões. Isso significa que alguns deles, quando lutam com a mesma luxúria que atormenta todos os homens, sucumbirão, cairão, e provavelmente se verão divorciados tanto do casamento como do ministério. Isso significa que alguns deles se tornarão tão solitários, tão deprimidos, que quando os comprimidos e bebidas não fizerem mais efeito, eles optarão em seguida pela pistola carregada. Isso significa que, por vezes, eles vão discutir com os membros sobre coisas estúpidas, que eles vão estar de mau humor por causa do orgulho ferido, que vão mostrar favoritismo. Que eles são construídos a partir do mesmo material como todos os outros significa que eles são pecadores, e, como tal, eles estão indo cansados para o seu trabalho às vezes.
Isso também significa que você nem sempre gostará do seu pastor. Ele nem sempre vai ser o cuidador de almas encantador, educado, paciente, gentil, sábio, que você quer que ele seja.
Como ele apareceu no último domingo? Um pouco de olhos vermelhos, talvez até mesmo de ressaca? Você já parou para considerar que talvez ele e mulher brigaram no sábado à noite sobre algo que não é da sua conta, que ele bebeu demais, e teve talvez duas horas de sono no sofá? Acontece. E eu aposto que alguma versão disso acontece em sua casa, também. Dê-lhe alguma folga. Ele é construído do mesmo material como você é.
Será que ele não pareceu feliz em atender a sua chamada na última sexta-feira? Será que passou pela sua mente de que poderia ter sido o único dia de folga que ele teve, ou que ele trabalhou mais de 70 horas nessa semana, ou que ele tem uma enxaqueca, ou simplesmente que ele está desgastado por cuidar de pessoas machucadas e desesperadamente precisa de férias que ele provavelmente não pode pagar? Dê-lhe alguma folga. Ele é construído do mesmo material como você é.
Os cristãos vivem pela remissão dos pecados. E os pastores também. Eles se voltam para o mesmo Senhor crucificado e ressuscitado como você faz. Eles confessam. Eles ouvem a absolvição. Eles creem. Eles bebem de Seu sangue do mesmo cálice, come do mesmo corpo. Mas eles pecam, pecam contra si mesmos, contra sua esposa e filhos, eles pecam contra sua congregação. Eles são homens mortais afligidos com fraquezas, a maioria das quais estão escondidas nas profundezas do seu ser. Não espere que eles sejam perfeitos. Não espere gostar deles todo o tempo. Mas perdoe-os. É um dos maiores presentes que você pode dar ao seu pastor: cobrir a sua multidão de seus pecados com o seu amor, para estender-lhe o mesmo perdão que ele estende a você, para recebê-lo como um pecador que vive pelo mesmo Senhor da graça, como você faz.
Neste domingo muitas congregações vão comemorar o Domingo do Bom Pastor. Quando o fizerem, espero que eles se lembrem de que Jesus, e só Jesus, é o único pastor verdadeiramente bom, realmente perfeito que sempre vai servir a igreja.

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