Sermões

O pacto

Sermão pertencente à série Salvação, pregado em 12 de junho de 2016 na Igreja Presbiteriana Independente de Araraquara, SP


2016-06-serie-mensagens

Vivemos num tempo onde muito se fala de igreja, fé e religião. Fala-se de tudo: desde como obter sucesso em sua vida financeira a resolver seus problemas emocionais. No entanto, muito pouco se fala da centralidade da mensagem do evangelho, a salvação em Cristo Jesus. Durante quatro encontros abordaremos a salvação mostrando a necessidade da consciência da queda, o pacto de salvação em Cristo Jesus, a pessoa de Jesus como mediador e a importância da fé para salvação. Quero convidar você a se juntar a nós nestes encontros e juntos aprendermos mais sobre a salvação em Cristo Jesus. Esta série de mensagens é baseada na Confissão de Fé de Westminster, capítulos 6, 7, 8 e 14 e vamos recorrer a ela constantemente.

Hoje falaremos sobre o pacto. Deus é grande. Tão grande que é impossível alcança-lo. Exceto se ele permitir ser alcançado. Assim, Deus provê, em Cristo Jesus, o meio pelo qual podemos nos achegar a ele. Assim, Deus estabelece com o primeiro homem um pacto de obediência. No entanto, como vimos, o homem desobedece. Assim, em Cristo, Deus estabelece o pacto de salvação, conhecido como pacto da graça, veja, por exemplo, Romanos 8.3-4

“Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito”.

A Confissão de Fé de Westminster trata no Capítulo VII da queda do homem, do pecado e do seu castigo. Nele, em seis itens, são abordadas as questões concernentes ao pacto. Vamos nos debruçar sobre estes itens e compreender melhor a necessidade de viver o pacto de Deus para nós.

Vejamos o primeiro item, leia comigo:

I. Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele, como bem-aventurança e recompensa, senão por alguma voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido significar por meio de um pacto.

O ser humano vive distante de Deus. Por conta do pecado, foi criado um distanciamento entre o Santo dos Santos e a humanidade. Deus é incomparável e dele parte a iniciativa de, na expressão do Salmo 113.6, se inclinar para ver o que há no céu e na terra. Ele não mora em templos feitos por nós. Também não necessita que façamos nada para ele. É o que nos diz o texto de Atos 17. Diante da grandiosidade de Deus, o próprio Jesus, ao falar da responsabilidade do empregado, conclui dizendo:

“Assim também vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer”.

Sendo Deus soberano e incomparável, e não havendo o que possamos fazer para alcança-lo por nossos méritos, parte dele a iniciativa de se comunicar conosco. E ele o quis fazer por meio de um pacto.

Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item II para vermos que pacto é esse. Leia comigo:

II. O primeiro pacto feito com o homem era um pacto de obras; nesse pacto, foi a vida prometida a Adão e, nele, à sua posteridade, sob a condição de perfeita obediência pessoal.

Obediência. Este foi o primeiro pacto que está em Gênesis 2.17 “mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. Ao concluir a criação Deus diz ao homem que ele não pode comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Uma única restrição que exigia obediência. E o homem a quebra e desobedece tal restrição. Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item III. Leia comigo:

III. O homem, tendo se tornado, pela sua queda, incapaz de ter vida por meio desse pacto, o Senhor dignou-se a fazer um segundo pacto, geralmente chamado de o pacto da graça; nesse pacto, ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salvação por Jesus Cristo, exigindo daqueles a fé neste para que sejam salvos e prometendo dar a todos os que estão ordenados para a vida o seu Santo Espírito, para dispô-los e habilitá-los a crer.

O pacto de obediência foi quebrado e Deus, em sua misericórdia e amor, provê em Jesus a única maneira possível de se achegar a ele. Ao instituir a ceia, em Mateus 26.28, Jesus afirma

“porque isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”.

Assim, pela graça, Deus escolhe alcançar o homem caído em pecado, estabelecendo uma aliança em Cristo com ele. Como esta obra se opera em nossa vida? João 3. 16. Quem conhece de cor, pode dizer comigo?

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Todo aquele que nele crê, é preciso fé que vem de Deus e é dada por Deus para viver sob a graça. A quem ele a dá? A todos os que por ele são destinados à vida eterna. Você pode se perguntar: mas, e aqueles que viveram antes de Cristo? Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item IV. Leia comigo:

IV. Esse pacto da graça é frequentemente apresentado na Escritura pelo nome de Testamento, em referência à morte de Cristo, o Testador, e à herança eterna, com tudo o que lhe pertence, legada nesse pacto.

Temos então, nos testamentos, a expressão do testador e a sua herança. É o que afirma Hebreus 9.15-17:

“Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados. Porque, onde há testamento, é necessário que intervenha a morte do testador; pois um testamento só é confirmado no caso de mortos; visto que de maneira nenhuma tem força de lei enquanto vive o testador”.

Vamos continuar olhando para a Confissão de Fé de Westminster, no item V, para compreender melhor tal como isso se dá no Antigo Testamento. Leia comigo:

V. Esse pacto, no tempo da lei, não foi administrado como no tempo do evangelho. Sob a lei, foi administrado por meio de promessas, profecias, sacrifícios, da circuncisão, do cordeiro pascoal e de outros tipos e ordenanças dados ao povo judeu, tudo prefigurando Cristo que havia de vir. Por aquele tempo – que se chama de o Antigo Testamento – essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido, por quem tinham plena remissão dos pecados e a salvação eterna.

Para que possamos compreender a dimensão desta graça no Antigo Testamento precisamos olhar para a Palavra. Nela, encontramos nas cartas Paulinas o trabalho apostólico em nos mostrar como tudo o que foi feito no Antigo Testamento converge para Cristo. Se em Abraão, Moisés e nos profetas temos a expressão da Lei de Deus que aponta para a sua vontade, em Cristo temos a graça derramada sobre aqueles que agora vivem na nova aliança. Portanto, toda profecia, promessa, sacrifício, circuncisão e qualquer tipo ou ordenança dada ao povo judeu prefigura o Cristo que havia de vir. Naquele tempo, embora a nós soe estranho, aquelas práticas eram necessárias. Por fim, vamos olhar para a Confissão de Fé de Westminster, no item VI. Leia comigo:

VI. Sob o evangelho, quando foi manifestado Cristo, a substância, as ordenanças, pelas quais este pacto é dispensado, são a pregação da Palavra e a administração dos Sacramentos do Batismo e da Ceia do Senhor; por essas ordenanças, posto que poucas em número e administradas com mais simplicidade e menos glória externa, o pacto é manifestado com mais plenitude, evidência e eficácia espiritual, a todas as nações; aos judeus, bem como aos gentios. Isso é chamado de o Novo Testamento. Não há, pois, dois pactos da graça diferentes em substância, mas um e o mesmo sob várias dispensações.

A Confissão de Fé nos mostra que o pacto é Cristo e este pacto sem consuma em Cristo. Agora, não mais com sacrifícios e observâncias mil, mas com a administração dos Sacramentos da Ceia e do Batismo e a Pregação da Palavra. Portanto, se queremos ser fieis, devemos nos dedicar à pregação da palavra e a participar dos Sacramentos. Essa fidelidade é exigida individual e comunitariamente. É firmada na Palavra e na prática e administração dos Sacramentos que a Igreja vive. Em Cristo, tudo o que o pecado provocou na humanidade cai por terra, é vencido e temos nova vida.

Conclusão

Concluindo. O pacto não consiste em um contrato de duas partes, mas sim na forma como Deus conduz a história, após a queda, para que a humanidade seja novamente unida com Deus. O que precisamos compreender é que o pacto é um passo primeiro dado por Deus e dele é a iniciativa e a vontade de reconciliar consigo a sua criação. Ele moveu e move a história, tanto antes, quanto depois da vinda de Cristo, para que sua vontade se cumpra. Ele não nos quer distante dele, ele nos quer ao lado dele. Ele nos reconcilia com ele em Cristo Jesus.

Você e eu podemos usufruir hoje da gloria e da graça de Deus em Cristo Jesus. Embora ainda pecadores, somos reconciliados com Deus. Em Cristo podemos vencer a tentação e os maus desejos que temos. Em Cristo somos transformados para a nova vida e não devemos esperar a morte ou a volta de Cristo para vivê-la. Podemos hoje usufruir das bênçãos sem medidas que Deus nos dá em Cristo Jesus pela ação do Espírito Santo.

Vivemos um tempo em que muito se quer da Igreja. Muitos vêm ao culto para receber uma palavra, uma benção, o que quer que seja. Poucos vêm ao culto para agradecer a Deus pela salvação em Cristo Jesus. Reconhecer que tudo vem do Pai é necessário. Reconhecer que dele procede tudo o que temos é necessário. Receber a benção maior é fundamental: a salvação em Cristo Jesus é a maior benção que podemos receber. Ele é a consumação do pacto para a salvação de todo aquele que nele crê. Cristo, o mediador, o único meio pelo qual podemos chegar a Deus, será o assunto de nossa próxima mensagem.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

Anúncios

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s