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A graça e o sucesso

Texto de autoria de Alberto Redondo publicado originalmente em Instituto Jetro.


Se fôssemos definir o que a humanidade mais busca nos dias atuais, creio que uma única palavra seria suficiente: sucesso. Pode ser o sucesso profissional, financeiro, sentimental, artístico, nos esportes, eclesiástico, político, literário, nas redes sociais, etc. Parece que o único sentido da vida é alcançá-lo.

Gastamos uma grande energia e tempo nessa busca incessante. Somos tomados por um receio de que a vida terá sido em vão se tal sucesso não for alcançado. Há uma cobrança da sociedade, da família, dos amigos, das pessoas que nos rodeiam e até da própria igreja para que tenhamos uma vida que demonstre que somos pessoas de sucesso.

Não creio que Deus nos criou para sermos pessoas fracassadas, mas é necessário compreendermos o que é o sucesso aos olhos do Criador. Para a humanidade, o sucesso sempre é medido em termos de conquistas. Assim, o ser humano é medido pela sua posição na hierarquia do mundo corporativo, pelo tamanho do seu patrimônio, pela quantidade de títulos acadêmicos, pelo número de medalhas, pela sua fama, pela quantidade de seguidores nas redes sociais, etc.

As propagandas sempre buscam associar o sucesso a pessoas de boa aparência, bem vestidas, com um sorriso nos lábios, geralmente com recursos financeiros infindáveis, enfim, pessoas de bem com a vida.

Penso que Deus olha as coisas de maneira bem diversa. A Bíblia nos dá o exemplo de pessoas que alcançaram o sucesso aos olhos dele. Nos dias atuais, creio que tais pessoas seriam vistas como fracassadas aos olhos humanos. Suas conquistas seriam consideradas pífias.

Mas havia algo na vida deles que agradava a Deus: era a fé. Para o nosso Criador, esses foram homens e mulheres de verdadeiro sucesso. Alguns foram ricos, outros pobres, alguns conduziram multidões, outros andaram solitários, alguns enfrentaram grandes batalhas, outros tiveram uma vida mais mansa.

A Galeria dos heróis da Fé

Quando olhamos com atenção a Galeria dos Heróis da Fé em Hebreu 11 e a descrição de como a fé operou na vida de cada um, ficamos pasmos. Comecemos com Abel. Se ele aparecesse em nossas igrejas hoje, imagino que jamais seria convidado para pregar ou falar numa conferência de pastores e líderes. Seu curriculum vitae o desabonaria. Não fez nada de excepcional, sob a perspectiva humana, e ainda por cima, morreu assassinado.

Acho que o mesmo se daria com Enoque. Viveu muitos anos, mas não fundou uma organização missionária ou plantou igrejas, apenas andou com Deus e foi arrebatado. Noé passou anos pregando o Evangelho (alguns entendem que ele fez isso por 120 anos), mas não houve multidões levantando a mão ou preenchendo um cartão de decisão quando ele terminava a pregação. No final, conseguiu levar a bordo da arca apenas a própria família.

Abraão é citado pela obediência a Deus, por ter vivido como peregrino em terra estranha e por ter oferecido seu filho como sacrifício. Isaque, por ter abençoado os filhos. Jacó não é mencionado por ter lutado com um anjo ou ter ficado rico quando trabalhava para o sogro, mas porque abençoou os netos. De José, não se fala dos seus sonhos ou de ter sido governador do Egito, mas sua fé é exaltada porque previu que o povo de Israel voltaria para Canaã e pediu que, quando isso ocorresse, levassem seus ossos junto.

A Galeria continua, descrevendo a fé de tantos outros. Não há dúvida que grandes proezas foram realizadas através desses homens e mulheres. Hebreus 11 menciona muitos desses acontecimentos. Mas, porque o mundo nos influencia, somos levados a crer que Deus espera de nós o sucesso segundo padrões humanos. Quando agimos assim, deixamos de crer na sua graça. Nossa vida se torna bonita por fora e vazia por dentro. Deixamos para trás o verdadeiro Evangelho.

Deus não fica impressionado com o tamanho das nossas igrejas, com a quantidade de atividades que temos, com o número de ministérios que dirigimos, a audiência que temos na mídia, a venda dos livros que escrevemos ou o quanto sabemos sobre teologia. É a nossa fé nele e a confiança na sua graça que realmente o agrada.

Deus não se opõe às conquistas que possamos alcançar nesta vida. Podemos ser pessoas de êxito em inúmeras áreas. Mas para Deus, creio que o verdadeiro sucesso é conhecer a Jesus, depender da sua graça e viver para a sua glória.

Lembro-me da letra de uma música do Keith Green na qual ele diz (em tradução livre): “e quando eu estiver me saindo bem, ajuda-me a nunca buscar uma coroa [para mim], pois a minha recompensa é dar a glória a ti”.

A Ele seja toda a glória!

Reprodução Autorizada desde que mantida a integridade dos textos, mencionado o autor e o site http://www.institutojetro.com e comunicada sua utilização através do e-mail artigos@institutojetro.com

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