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Postura política ante o golpe

O presente texto se faz necessário no momento em que as tensões políticas já passaram dos níveis aceitáveis e a dicotomia partidária já deixou de ser “PSDB x PT” para ser “PT + resto da esquerda” x “Resto dos partidos”. Desde a década de 1990 sou declaradamente PSDB. No início de 2010 eu rompi com o PSDB por conta de sua ineficácia oposição durante oito anos de (des)governo LuLLa. Desde então, não encontro um partido que abarque as minhas opiniões políticas: parlamentarista, estado mínimo, imposto maior para grandes riquezas, voto distrital, diminuição do Congresso, Assembleias e Câmaras Municipais e da máquina estatal. Por mais que isto venha a ser estranho, não há um partido com o qual me identifique. No entanto, seis anos de indefinição partidária me fizeram assumir minha condição de servidor da sociedade enquanto Ministro de Ofício Religioso, a saber, Ministro da Palavra e dos Sacramentos da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. Tal condição me permite criticar PT e PSDB, visto que já cerrei fileiras com ambos, o que me dá certo conhecimento de como funcionam.

Todo este preâmbulo para tocar no ponto que mais interessa no momento, o cenário político atual. Abril de 2016 já entrou para a história como o ano em que um golpe foi iniciado. O golpe acontece para desespero de uma camada política que se acostumou, durante quatorze anos, a se apoderar do poder e de suas benesses para satisfazer seus programas e desejos pessoais. Tudo aquilo que a pseudoesquerda brasileira criticou ao longo do século passado, ela passou a praticar nas primeiras décadas deste ano. Até para ser corrupta a pseudoesquerda é atrasada. Viram o caminho do poder livre e acharam que poderiam deitar e rolar. Não deu certo. puxaram o fio do mensalão e com ele veio o gigante novelo que a operação Lava-Jato está revelando à nação. Esse é o golpe! Estão golpeando o esquema LuLLo-PTista de poder e corrupção e isto vai custar caro a eles e a seus comparsas.

Quando o esquema começou a ser golpeado, claramente as instituições ligadas ao PT reagiram. A pergunta que me faço é: em quatorze anos de Governo, como ainda existe MST? E mais, como pode um movimento ser aparelhado como um exército, fechar estradas, invadir propriedades privadas, destruir anos de pesquisa e ninguém fazer absolutamente nada? As respostas eu já sei: o plano LuLLo-PTista de poder que prevê o aparelhamento dos “movimentos sociais” que estão ao seu lado para fazer dele um instrumento de coerção social. Mas não foram só os movimentos sociais que foram aparelhados. A intelectualidade de esquerda aflorou nos últimos quatorze anos e revelou-nos bloguistas morenas, ativistas de redes sociais inclusivas e discursos que não passarão. Tudo aparelhado com verba Federal, pois eles sabiam que esse dia chegaria. Eles sabiam que o golpe viria. Só não imaginavam que seria em 2016. Se tivessem cursado a escola do PSDB, ou do PMDB, saberiam bem como fazer, mas não o fizeram. Até para roubar eles foram incompetentes.

Parte da imprensa, nisto tudo, assume um papel fundamenta: oposição. Gozado que chamam uma rede de golpista, mas a outra que recebe a maioria das verbas federais de propaganda, ninguém fala nada. Se a imprensa está batendo na pseudoesquerda, que bom! Bata mais! Está pouco. Tem que expurgar os podres de dentro dela, quem sabe assim surja uma esquerda política neste país. Agora, você, que é “contra o golpe”, pare de chorar, pare de espernear, existem meios legais para se depor, por exemplo, o Governado de São Paulo por roubar merenda ou por superfaturar os trens da CPTM e Metrô. Agora, se seus deputados não têm competência para fazê-lo na Assembleia Legislativa, aí é um problema de quadros políticos de seus partidos.

Diante de toda essa lama moral e social, a postura que assumo é a desse texto mesmo: critico com a liberdade de quem não tem mais partido e que não precisa se render à falácia da pseudoesquerda de “eles contra nós”. Não, meus senhores. Eu não entro nessa falácia. Eu não mergulho nesse jogo. Eu prefiro me apropriar de um termo que vocês usurparam para dizer que a luta é plural, diversa e multifacetária. Não é eles contra nós, é a verdade contra a mentira e existem duas coisas que Jesus diz sobre verdade e mentira e que eu tremo todo quando leio: Pois nada está oculto, senão para ser manifesto; e nada se faz escondido, senão para ser revelado (Marcos 4.22) e “Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8.31-32). A primeira me faz pensar duas vezes antes de fazer algo às escuras, a segunda me coloca diante da inexorável verdade de que apenas aqueles que permanecem na Palavra de Jesus, e não em suas ideologias políticas, é que experimentarão a verdade que liberta. A primeira me faz não querer defender o que está oculto, a segunda me faz ver o que Jesus diz diante de todo esse cenário político que se apresenta: Cristo habita na verdade, enquanto a mentira quiser imperar, os servos da verdade precisam erguer suas vozes e proclamar que a mentira e os poderes deste mundo já foram vencidos na cruz de Cristo. Quer ter sua opinião política? Tenha. Mas faça um esforço, junto comigo, de não permitir que sua opinião política sobreponha a verdade do Reino de Deus em nossas vidas.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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