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As músicas no nosso culto

O hábito de se cantar em louvor a Deus perpassa toda a narrativa bíblica. Poderia aqui apontar diversos textos onde homens e mulheres são descritos cantando. Jesus também cantava em louvor a Deus. Vemos no texto da última ceia que eles saem cantando para o Monte das Oliveiras. No contexto do culto a música sempre se fez presente. O que vamos pontuar aqui são as características e a forma como as músicas devem, biblicamente, conduzir o povo a adorar a Deus.

Crédito: freeimages.com

Adoração e Louvor

A função da música é conduzir o povo a louvar e adorar. Quando olhamos para a Bíblia, vemos que toda canção é para louvor e adoração e, em sua imensa maioria, comunitária. Até mesmo quando temos o relato de cânticos solos, como o de Maria ou o de Miriam, temos ali o caráter de exaltação e louvor a Deus e a indicação de que tais cânticos são para instrução do povo de como reconhecer a grandeza de Deus.

Em nossas igrejas temos as mais diversas expressões musicais. Corais, conjuntos de louvor, cantores solos e instrumentistas solos. A música, independente de como é interpretada, deve levar o povo a adorar a Deus. Pode ser um solo de violão ou um canto coral. Não importa, o intuito deve ser sempre levar o povo diante do altar do Senhor para reconhecer que ele, e não o músico ou a música em si, é digno de louvor e adoração.

Comunitário

O caráter da música na igreja deve sempre ser comunitário. O povo precisa e deve participar. Quando o conjunto de louvor se reúne para ensaiar, qual o critério para a escolha das músicas? Muitas vezes os conjuntos escolhem músicas que a comunidade, por mais que ensinada, não canta. O conjunto insiste, insiste, e o povo não canta, não se identifica com a música, por mais bíblica e de boa composição e ritmo. Por que isso acontece? Porque a comunidade é quem se expressa em louvor e adoração. Por mais que haja a condução do conjunto e a orientação pastoral, como responsável pela música na igreja, a comunidade se expressa sobre como ela quer louvar a Deus. O mesmo acontece com corais e demais conjuntos. Quem serve a Deus no ministério da música precisa estar atento à expressão da comunidade diante das canções entoadas. Lembrando o tópico anterior: tudo, absolutamente tudo, deve ser para conduzir o povo a adorar a Deus.

Diversidade

A diversidade musical da Igreja é sempre bem-vinda. Diversidade de estilos musicais, de instrumentos e de cânticos. O Reverendo Bruno Bürki, no artigo sobre Culto no contexto Reformado publicado no Manual de Ciência Litúrgica, Volume I (Editora Sinodal, EST, São Leopoldo, 2011) apresenta alguns exemplos de como a Igreja na Suíça vem renovando sua forma de louvar a Deus, contextualizando seus cânticos tradicionais e buscando novas expressões de louvor. Ele também destaca a renovação musical que vem passando as Igrejas Reformadas no continente africano:

“O que, devido a certas inibições, vem acontecendo de maneira tímida na Suíça, é realidade em algumas igrejas da África, mesmo as de confissão Reformada ou Presbiteriana. Principalmente os numerosos coros, que participa, de cada culto, juntando muitas cantoras e cantores, jovens e idosos, fazem com que a reunião da comunidade seja tomada de vibrante entusiasmo. A improvisação é um elemento importante. Música originalmente africana é mesclada, às vezes, com melodias europeias ou americanas. Com isso e graças a uma considerável aculturação no contexto africano, o culto adquire um caráter espontâneo e festivo que é surpreendente na Comunhão Reformada”

O que queremos mostrar, com o exemplo apontado por Bürki, é que a Igreja tem a possibilidade de se expressar musicalmente de maneira diversa, fazendo com que a comunidade seja expressão viva do louvor a Deus, revelado em músicas que falam a verdade do Evangelho com o jeito da comunidade.

As músicas no nosso culto devem levar o povo a adorar a Deus, sempre, sem exceção. Se qualquer canção faz olhar mais para a qualidade do instrumentista, para a beleza da voz que canta ou a técnica musical, tome cuidado. Não quero dizer com isso que os músicos não devem se esmerar em tocar o seu melhor para Deus, mas sim que junto à técnica, há o caráter do músico que deve ser moldado ao caráter de Jesus.

As músicas em nosso culto devem ser expressão da realidade comunitária. Contextualizada musicalmente e conduzindo o povo a adorar em espírito, verdade e conectados à realidade de sua comunidade.

As músicas em nosso culto devem ser diversas em seus ritmos e formas, para que haja integração social e alcancem as pessoas, conduzindo-as a louvar a Deus com as mais diversas expressões de louvor.

Dediquemo-nos a produzir cada vez mais, com criatividade e fidelidade bíblica, as canções que nossas comunidades louvam.

Reverendo Giovanni Campagnuci Alecrim de Araújo
Secretário de Música e Liturgia de IPIB
Pastor da IPI de Araraquara, SP


Texto escrito para coluna mensal da Secretaria de Música e Liturgia da IPIB em O Estandarte.

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