Fé e Culto

Texto de autoria de Adair Neto, publicado originalmente aqui


A fé cristã, embora independente e desconfiada das instituições, é necessariamente coletiva. Os primeiros cristãos se reuniam frequentemente para compartilhar histórias sobre Jesus e para rememorar sua vida através da partilha do pão e do vinho.

O contexto de culto gerava e sustentava a fé da igreja. E dele surgiu a teologia, pois os seguidores de Jesus sabiam que o culto que fazemos molda o jeito que cultuamos. Como diz uma famosa frase em latim, “lex orandi, lex credendi”, isto é, a lei da oração é a lei da fé.

O culto primitivo, marcado pelo simbolismo escatológico da eucaristia — práxis de partilha e igualdade, sinal do Reino de Deus presente em nosso meio — levava sempre a uma vida de misericórdia e defesa dos oprimidos. Ativismo esse que sempre remetia de volta para o culto.

Não é de espantar que o cristianismo esteja em crise de identidade. O culto hoje é um espetáculo, buscando satisfazer demandas mercadológicas com as músicas e tecnologias mais recentes, criando uma fé consumista, nos fazendo esperar de Deus e da igreja o mesmo que esperamos de lojas e marcas.

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