Sermões

Ele virá trazendo segurança

Ele virá! Uma série de quatro mensagens pensadas para o Advento, período em que as igrejas cristãs em todo mundo olham para a vinda de Jesus, quer sua primeira vinda, quer a segunda. Ele virá! É a promessa de que ele voltará! A série se propõe a olhar os textos proféticos do calendário litúrgico para o Advento e neles meditar sobre as promessas da vinda de Jesus. Ao olhar para tais promessas, lançaremos nossos olhos para o cumprimento delas e também para como elas se relacionam conosco.

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Encerramos esta série com a mensagem “Ele virá trazendo segurança”. O texto para meditação está no livro do profeta Miqueias 5.2-5a e farei esta leitura na Nova Versão Internacional.

Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos. Por isso os israelitas serão abandonados até que aquela que está em trabalho de parto dê à luz. Então o restante dos irmãos do governante voltará para unir-se aos israelitas. Ele se estabelecerá e os pastoreará na força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, o seu Deus. E eles viverão em segurança, pois a grandeza dele alcançará os confins da terra. Ele será a sua paz.

O texto que lemos é parte integrante do segundo ciclo de profecias do livro de Miqueias e trata a respeito do julgamento dos líderes e a restauração futura de Judá. O nosso texto apresenta a soberania messiânica e como será governada Judá com o cumprimento da promessa. O profeta Miqueias nasceu no interior de Judá. Sua origem camponesa se manifesta na linguagem direta e franca com que profere sua profecia. Atuou no século VIII a.C., durante a tomada assíria, no período do reinado de Jotão, Acaz e Ezequias. Mesmo tendo na invasão muitos temas para sua profecia, Miqueias volta seu discurso para algo tão danoso quanto a ocupação estrangeira: a cobiça e a injustiça social. Havia um contraste gigantesco entre os ricos e os pobres. Os ricos eram extremamente ricos. Os pobres eram extremamente pobres. Os ricos tinham o apoio dos políticos corruptos, ligados ao palácio, e dos líderes religiosos, ligados ao templo. Devido a liderança falha dos políticos e líderes religiosos, toda a nação sofria.

O cenário em que Miqueias atuou é alarmante. A guerra causava destruições, mas, para o profeta, a maior destruição era interna. As palavras de desgraça (Miqueias 1—3 e 6.1—7.7) constituem uma crítica maciça ao Estado e à sociedade. Eles agiam pesadamente contra os pequenos agricultores no período pós-exílio. Os pequenos agricultores estavam sendo liquidados pela prática sistemática de endividamento. Isso arruinava o princípio que vigorava no século VIII a.C. de um homem, um campo, uma casa. O profeta vê o aniquilamento deste princípio e o estabelecimento de uma sociedade de castas. Tudo isso fez aumentar a violência, levou à decadência social e fez diminuir a solidariedade estabelecida pela prática da lei de Deus.

Segurança. Vai além de uma sensação ou um estado. Olhando para esse panorama de Miqueias, vamos entender a promessa de segurança, o cumprimento da promessa e o que promessa é para nós hoje.

A promessa

O texto de nossa meditação se coloca dentro da mensagem de salvação e gira em torno da renovação de Sião enquanto lugar de justiça abrangente. A promessa de Miqueias aponta para o estabelecimento de um reino onde a segurança será a fiadora da paz. Esta segurança se dará com a vinda do messias. Algumas peculiaridades dessa promessa nos chamam atenção.

O local. Belém-Efrata é a cidade de Belém, tão cantada e contada no final do ano. Efrata seria a região, o distrito onde Belém estava localizada. A menor vila, da menor região, de menor importância bélica e econômica. Deus escolhe os fracos e incapazes para confundir os poderosos e os fortes. É de lá que viria o Messias, da mesma cidade onde a família de Noemi morava, de onde veio Davi e seus descendentes. É singular Miqueias apontar para uma insignificante vila, visto que ele também nasceu em uma insignificante vila.

O nascimento. “até que aquela que está em trabalho de parto dê à luz” Miqueias resgata aqui a profecia de Isaías, proferida trinta anos antes, a saber, capítulo 7.13-14:

“Disse então Isaías: Ouçam agora, descendentes de Davi! Não basta abusarem da paciência dos homens? Também vão abusar da paciência do meu Deus? Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará Emanuel. ”

A profecia de Isaías é retomada para apontar o abandono a que o povo seria submetido.

A segurança. A profecia de Miqueias faz uso da imagem pastoral para revelar o cuidado com que o Messias cuidará de seu povo. Tal qual um pastor, o Messias tratará e protegerá seu povo. Ele o fará com a reunião de seu rebanho e dominará todos os confins da terra. Tanto o local, quanto o nascimento e a segurança são resgatados pelos evangelistas.

O cumprimento da promessa

Jesus é o cumprimento da promessa de Miqueias. Ele nasce em Belém, cumprindo a promessa de que o Messias viria da pequena vila. Com dezenas de cidades na região, é para Belém que é dirigida a profecia e é lá que ela se cumpre, no nascimento de Jesus. O lugar de nascimento é tão exatamente apontado pelos profetas que os fariseus e escribas, quando consultados por Herodes, sem vacilar citam o texto de Miqueias.

Diz a profecia que “Ele será a sua paz”. A tradução literal aqui é “este será paz”. Algumas versões traduzem como “Ele próprio será a paz”. Ele não viria para impor a paz, mas sim para implantá-la em cada coração. Ele conquistará e transmitirá a paz. Se olharmos para os evangelhos, a paz se apresenta desde o cântico dos anjos, em Lucas 2.14:

“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”,

até as saudações de Jesus ressuscitado, como em João 20.19:

Ao cair da tarde daquele primeiro dia da semana, estando os discípulos reunidos a portas trancadas, por medo dos judeus, Jesus entrou, pôs-se no meio deles e disse: ‘Paz seja com vocês!’”.

Não à toa Isaías o identifica como Príncipe da Paz.

Esta paz gera a segurança necessária para que o povo viva. Não haverá mais ameaça de invasão, nem mesmo haverá o temor de opressão dos ricos sobre os pobres, agora há paz e essa paz dá a segurança de que o povo precisa para viver. A paz em pessoa está presente, Jesus está presente e ele nos dá a sua paz, garantindo assim a segurança para viver. Cada evangelista apresenta um enfoque diferente do nascimento do Messias. Lucas enfoca Maria, Mateus enfoca José. Em ambos os enfoques, temos o cumprimento da promessa. Nasceu em Belém, da virgem e seu Reino de Paz já está estabelecido.

A promessa para hoje

Como entender a promessa hoje? Se Jesus veio e cumpriu tal promessa, qual relevância destes versos para nossas vidas? Devemos olhar para a promessa de segurança em Miqueias e viver hoje esta promessa em Cristo. Ele é a nossa segurança nos tempos confusos que vivemos hoje. Ele é aquele que cumpre a profecia e nos chama para viver a segurança que somente a sua paz pode nos dar.

Vivemos tempos em que palavras de insegurança surgem diariamente nos noticiários. Insegurança é um produto de nosso tempo. Tragédia. Atentado. Chacina. Assassinato. Corrupção. Palavras que estampam as capas dos portais de notícia, dos jornais nas bancas, dos noticiários na TV e que são formas de violência. Cristãos do século XXI d.C. devem olhar para as promessas do século VIII a.C. e ver que elas se cumprem em Jesus Cristo. Ele é a nossa paz, mesmo diante de tanta notícia de violência, mesmo quando a violência nos atinge.

Se o Advento é a celebração da vinda de Jesus e a exaltação de sua segunda vinda, hoje olhamos para a profecia de Miqueias e cantamos alegres que Jesus é a nossa paz. A paz de Jesus não afasta as pessoas, mas as congrega em torno de si. Não é uma paz sectária, mas é uma paz que abrange toda a terra e congrega todos os povos “Então o restante dos irmãos do governante voltará para unir-se aos israelitas”. Hoje temos diversas correntes e pensamentos sobre Cristo. Mas não somos chamados a defender nosso ponto de vista, somos chamados a viver em união em Cristo Jesus. Olhamos para o diferente e lhes apontamos os erros. Jesus nos ensina a olhar o diferente e chama-lo de irmão e, ao fazê-lo, congregar a todos sob seu Reino. Nós somos chamados a viver confiantes diante da violência, pois nossa segurança está em Jesus, ele nos dá a segurança e nos envia a proclamar sua vontade até os confins da terra.

Conclusão

Ele virá trazendo segurança! Sim, Jesus voltará e é exatamente isto que celebramos quando comemoramos o Advento. As velas, a Palavra, as canções apontam para a vinda de Jesus. Ao contemplar esta vinda, nos lembramos que ele veio e cumpriu a promessa feita em Miqueias. Ao contemplar o cumprimento da promessa, nos lembramos que ele voltará. Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Miqueias nos mostra que a segurança está naquele que virá para reunir seu povo com seus irmãos e dominar até os confins da terra. Jesus cumpre esta promessa e estabelece seu Reino de Paz. A paz de Jesus nos dá a segurança que necessitamos para viver. Segurança diante do desconhecido, do medo e das diferenças.

O mundo busca a paz. No entanto, aqueles que se apresentam como capazes de promovê-la são pessoas que não estão preocupadas com a paz em si, mas com a vitória de seus ideais e sistemas econômicos. São pessoas inacessíveis, distantes do povo e da realidade que eles mesmos combatem. Jesus não. Como Príncipe da Paz, ele está sempre disposto a nos atender e derramar sobre nós a sua paz, trazendo a segurança que necessitamos em tempos incertos.

Olhar para a profecia de Miqueias é contemplar o relato de alguém cercado de violência por todos os lados. Os evangelistas olham para o texto de Miqueis e dizem: é Jesus! Hoje, olhamos para o texto de Miqueias e para os Evangelhos e cantamos com os anjos, a plenos pulmões,

“Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor”.

Paz na terra, ele é a nossa segurança. Cremos que seu Reino, já estabelecido, é reino de paz e segurança. Cremos que ele virá para estabelecer, em definitivo, a paz e segurança em toda a terra. Maranata, ora vem Senhor Jesus! Ele virá!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil


 

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