Sermões

Ele virá trazendo salvação

Ele virá! Uma série de quatro mensagens pensadas para o Advento, período em que as igrejas cristãs em todo mundo olham para a vinda de Jesus, quer sua primeira vinda, quer a segunda. Ele virá! É a promessa de que ele voltará! A série se propõe a olhar os textos proféticos do calendário litúrgico para o Advento e neles meditar sobre as promessas da vinda de Jesus. Ao olhar para tais promessas, lançaremos nossos olhos para o cumprimento delas e também para como elas se relacionam conosco.

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Continuamos esta série com a terceira mensagem “Ele virá trazendo salvação” O texto para meditação está no livro do profeta Sofonias 3.14-20 e farei esta leitura na Nova Versão Internacional.

Cante, ó cidade de Sião; exulte, ó Israel! Alegre-se, regozije-se de todo o coração, ó cidade de Jerusalém! O Senhor anulou a sentença contra você, ele fez retroceder os seus inimigos. O Senhor, o Rei de Israel, está em seu meio; nunca mais você temerá perigo algum. Naquele dia se dirá a Jerusalém: “Não tema, ó Sião; não deixe suas mãos enfraquecerem. O Senhor, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele se regozijará em você; com o seu amor a renovará, ele se regozijará em você com brados de alegria”. “Eu ajuntarei os que choram pelas festas fixas, os que se afastaram de vocês, para que isso não mais lhes pese como vergonha. Nessa época agirei contra todos os que oprimiram vocês; salvarei os aleijados e ajuntarei os dispersos. Darei a eles louvor e honra em todas as terras onde foram envergonhados. Naquele tempo eu ajuntarei vocês; naquele tempo os trarei para casa. Eu lhes darei honra e louvor entre todos os povos da terra quando eu restaurar a sua sorte diante dos seus próprios olhos”, diz o Senhor.

O texto que lemos é o fechamento do livro do profeta Sofonias. O livro do profeta é o único que narra sua linhagem até a quarta geração. Acredita-se que tal registro se dá pelo fato de o Ezequias mencionado seja o conhecido rei de Israel. Assim, Sofonias seria um profeta que descende do palácio. Seu nome possuí um significado interessante: Javé esconde. Há um sacerdote homônimo citado em Jeremias, porém, mesmo usando linguagem sacerdotal diversas vezes, não há evidencias claras que sejam a mesma pessoa. Sofonias atuou no reinado de Josias, possivelmente antes do período das reformas religiosas do rei. Suas denúncias giram em torno da questão da idolatria e como a prática vinha minando a sociedade.

A idolatria apontada por Sofonias não é apenas em relação ao culto a Baal e outros deuses, mas também à idolatria a grandes potências, dinheiro e poder. Tal idolatria está presente não só nas outras nações, mas também na cidade de Jerusalém, no Templo e no palácio e também espalhada pelos bairros da cidade. Para vencer esta idolatria o profeta aponta para o Dia de Javé, em que a justiça de Deus se fará presente. Ao encerrar sua profecia o profeta aponta para a esperança de salvação.

Sofonias vivia dias conturbados. Contemporâneo de Habacuque, Sofonias viveu no tempo da ascensão do império assírio. Havia, em Judá, a divisão de opiniões entre os que defendiam os assírios e os que defendiam os egípcios. No meio deste embate, Sofonias surge afirmando que aqueles que confiam em reinos, dinheiro e poder estão tirando Javé de suas vidas e praticando a idolatria. Diante de tudo isso, o arrependimento é a única esperança que havia.

Olhando para esse panorama de Sofonias, vamos entender a promessa de salvação, o cumprimento da promessa e o que promessa é para nós hoje.

A promessa

O nosso texto da profecia de Sofonias é um salmo, dividido em duas partes 14-18a e 18b-20, possivelmente acrescido ao livro após o exílio. No início do salmo, Sofonias acumula sinônimos: Sião, Israel e Jerusalém. A ênfase nos leva a pensar em como Javé convoca seu povo para se reunir em sua morada, e o faz enfaticamente. Todo caso, a alegria nasce do perdão e do amor, do fim do medo e da presença de Deus. A presença de Javé como rei entre o seu povo revela que ele mesmo protegerá seu povo do mal. Ele se fará presente e sua presença garantirá salvação.

As imagens do salmo saltam aos olhos. A presença de Deus, a alegria que ele dará, o consolo que trará, a salvação que virá e o ajuntamento do povo em Jerusalém. O profeta canta a salvação que vem de Javé. Tal salvação restaurará a honra a Jerusalém. O povo que vivia exilado e que fora derrotado e tomado por escravo sentia-se humilhado, envergonhado diante das outras nações. Agora, com a presença de Javé, este povo não está mais humilhado nem envergonhado, mas sim restaurado! Assim, a alegria, o consolo, a salvação se dá pela presença de Deus que ajunta seu povo.

Sofonias, em seu salmo de encerramento do livro, convida o povo a crer na transformação e na salvação, mesmo que a realidade se apresente como violenta e sem esperança. O que está às portas do povo é guerra e violência, o que o profeta canta é unidade e paz. Tudo se encontra na presença de Javé, no cumprimento do Dia de Javé, estabelecendo um novo tempo para a humanidade. Assim, a salvação virá com Javé exercendo seu juízo sobre a humanidade. Salvação, é esta promessa que os evangelistas olham e veem nela a imagem de Cristo.

O cumprimento da promessa

Os evangelistas olham para a promessa de Sofonias e veem ali a imagem de Cristo. Emanuel, Deus conosco, Deus presente no meio do seu povo. A presença de Jesus extirpa toda culpa, acaba com a humilhação e vergonha do pecado e coloca o pecador nos braços de Deus, para que ele viva a vontade do Pai. “O Senhor anulou a sentença contra você”, o que aconteceu no quando da ressurreição? Ele levou sobre si nossas culpas e nos fez livres. A sentença de culpa foi anulada, o sangue de Jesus nos libertou de toda culpa e condenação.

“Salvarei os aleijados e ajuntarei os dispersos”. Não é isto que Jesus faz nos evangelhos? Veja o que ele manda dizer a João Batista:

“Jesus respondeu: Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos veem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres”.

O que é a salvação dos aleijados senão a cura daqueles que se encontram enfermos? O que é o ajuntamento dos dispersos senão a cura que restaura a condição física, emocional, espiritual e social? Os evangelistas olham para a promessa de Sofonias e apontam para Jesus. É ele!

“Darei a eles louvor e honra”. A frase faz alusão a Deuteronômio 26.18-19, em que Israel recebe louvor e honra por serem povo de Deus:

“E hoje o Senhor declarou que vocês são o seu povo, o seu tesouro pessoal, conforme ele prometeu, e que vocês terão que obedecer a todos os seus mandamentos. Ele declarou que lhes dará uma posição de glória, fama e honra muito acima de todas as nações que ele fez, e que vocês serão um povo santo para o Senhor, o seu Deus, conforme ele prometeu”.

Tal promessa se cumpre em Cristo:

E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito. (2Coríntios 3.18)

Quando eu restaurar a sua sorte”. Cristo mudou a sorte, mudou o rumo da história. Nele, tem-se a possibilidade de receber as bênçãos de Deus hoje, já, não apenas no Dia de Javé, mas a partir da cruz até o fim da história.

A promessa para hoje

Como entender a promessa de salvação hoje? Se Jesus veio e cumpriu tal promessa, qual relevância destes versos para nossas vidas? A promessa de destruição no início do livro se transforma em promessa de salvação no final dele. Hoje, precisamos olhar para tal promessa e vivê-la. Salvação nós já temos em Cristo Jesus. Ele já nos libertou do pecado para que vivamos a felicidade que ele nos dá. Se você deseja ser feliz, aproxime-se da fonte da felicidade. Como? Obediente e reconhecendo que quem tem a primazia em sua vida não é você, mas aquele que te salva, Jesus Cristo!

A salvação é graça de Deus, a cada um de nós compete a vida de obediência aos seus ensinos, para que hajam frutos dignos de serem apresentados diante de Deus. Em Jesus, temos a segurança para vivermos despreocupados quanto à salvação. Assim, podemos manifestar por meio de palavras e atitudes aquilo que cremos e aprendemos com Jesus. Ele mesmo nos garante a paz necessária para que, por meio do Espírito Santo, vivamos esta paz e anunciemos a salvação. Este é o nosso dever! É isto que ele nos pede! A obediência não é mais uma obrigação para ser salvo, mas sim o fruto de uma vida salva pela graça de Deus!

A nossa atitude diante da salvação deve ser a mesma dos versos 14 e 15. Cantar, exultar, alegrar-se e regozijar-se. A salvação gera em nós gratidão e louvor, alegria e prazer em adorar e proclamar o nome de Deus. Por que? Porque “o Senhor anulou a sentença contra nós”. Em Cristo Jesus não temos mais que temer a condenação, temos que viver a salvação. A paz, a força, a alegria e a presença de Deus conosco não são mais promessas de um futuro que, em meio à violência e problemas do nosso tempo, parecem distantes, mas, antes e sobre tudo, é uma realidade em nossas vidas por meio de Cristo Jesus.

Conclusão

Ele virá trazendo salvação! Sim, Jesus voltará e é exatamente isto que celebramos quando comemoramos o Advento. As velas, a Palavra, as canções apontam para a vinda de Jesus. Ao contemplar esta vinda, nos lembramos que ele veio e cumpriu a promessa feita em Sofonias. Ao contemplar o cumprimento da promessa, nos lembramos que ele voltará. Maranata, ora vem Senhor Jesus!

A profecia de Sofonias inicia com promessa de destruição e termina com promessa de salvação. Haverá um novo dia. Este dia veio! Na plenitude dos tempos, no tempo de Deus, ele enviou seu filho ao mundo para que todo aquele que nele crê não morra, não seja consumado pelas forças da morte, mas desperte para a força da vida, que está em Jesus Cristo, nosso Senhor. Se olharmos para nossa sociedade, certamente nos debruçaríamos mais nas palavras de Sofonias e as proclamaríamos com mais frequência. Sofonias motivou o povo a deixar de lado meras atitudes formais e espiritualizantes e intimou este povo a colocar no coração a vontade de Deus. A promessa de Sofonias deve nos levar a nos questionarmos se estamos mais interessados numa mudança de superfície, de aparências, ou numa transformação total de vida. Aqueles que são salvos não vivem de aparências, vivem de experiências vivas com Senhor da vida.

Sofonias, no final de seu livro, nos apresenta a promessa de salvação. Tal promessa se cumpre em Jesus. Uma vez salvos pela graça, mediante a fé, vivamos obedientemente a nossa vocação cristã. Crendo e proclamando que ele virá! Anunciando que a vida sem Jesus é um caminho de dor, sofrimento e morte. Proclamando as mudanças que Deus fez e faz em nossas vidas. Não por mérito nosso, mas para honra e glória dele. Cantemos, exultemos, alegremo-nos e regozijemo-nos de todo coração, pois Jesus nos salvou! Maranata, ora vem Senhor Jesus! Ele virá!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil


 

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