Sermões

Ele virá! Trazendo purificação

Ele virá! Uma série de quatro mensagens pensadas para o Advento, período em que as igrejas cristãs em todo mundo olham para a vinda de Jesus, quer sua primeira vinda, quer a segunda. Ele virá! É a promessa de que ele voltará! A série se propõe a olhar os textos proféticos do calendário litúrgico para o Advento e neles meditar sobre as promessas da vinda de Jesus. Ao olhar para tais promessas, lançaremos nossos olhos para o cumprimento delas e também para como elas se relacionam conosco.

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Continuamos esta série com a segunda mensagem “Ele virá trazendo purificação”. O texto para meditação está no livro do profeta Malaquias 3.1-4 e farei esta leitura na Nova Versão Internacional.

Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá”, diz o Senhor dos Exércitos.

Mas quem suportará o dia da sua vinda? Quem ficará em pé quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão do lavandeiro. Ele se assentará como um refinador e purificador de prata; purificará os levitas e os refinará como ouro e prata. Assim trarão ao Senhor ofertas com justiça. Então as ofertas de Judá e de Jerusalém serão agradáveis ao Senhor, como nos dias passados, como nos tempos antigos.

O texto que lemos é parte final do trecho do livro do profeta Malaquias que fala a respeito da purificação da comunidade e se inicia no capítulo 2.17. O texto do profeta é quase todo composto no gênero da controvérsia, que tem como características perguntas e citações. No desenvolvimento do texto, o profeta adota um estilo de redação como uma pregação dialogada. Com certeza, o texto de Malaquias é o encerramento do Livro dos Doze Profetas. Os capítulos estão vinculados ao texto de Zacarias 9—11, 12—14, formando uma só coleção. Malaquias é datado entre 458 a.C. e 433 a.C., o que nos coloca diante do povo que, tendo retornado do exílio na Babilônia, agora se encarregava de reerguer a nação. Pouco sabemos de Malaquias. Seu nome significa “meu mensageiro” e pode nos levar a crer que o texto do profeta é um compilado de diversos ditos proféticos. Seja como for, Malaquias foi o profeta que confrontou o povo por sua negligência em relação ao Templo, revelando a profanação e a falsidade do coração daqueles que ali adentravam.

Os profetas Ageu e Zacarias se empenharam em motivar o povo a reconstruir o templo. Passados cinquenta anos, agora os sacerdotes e o povo transformaram o culto em mero ritualismo. Desleixo e apatia tomaram conta da comunidade. A fé não era mais vivida como a força motora do povo mas, agora, estava renegada a um ritualismo sem sentido algum. Mera repetição. É neste contexto que as profecias de Malaquias são proferidas, mostrando que Deus exige uma resposta urgente e espera de todos um comportamento de respeito e amor. Tal resposta não deve ser dada com palavras, mas sim em ação, atitudes. Daí Malaquias falar sobre o culto, a vida matrimonial e relações sociais e em seguida, passar a falar da necessidade de purificação, a promessa da bênção e da justiça para Israel

Purificação. Do que se trata? Como entender tal conceito? Olhando para esse panorama de Malaquias, vamos entender a promessa de purificação, o cumprimento da promessa e o que promessa é para nós hoje.

A promessa de purificação

O processo de purificação, diz Malaquias, será como fogo limpando o ouro, como o sabão lavando a sujeira. Todo processo de limpeza e purificação pressupõe dor e sofrimento. Não se dá num passe de mágica ou de uma hora para outra. Quando se tem uma vida onde a fé se resume a mero ritual, não se muda para uma fé viva e pujante da noite para o dia, é preciso dedicação, obediência e fidelidade a Deus. Segundo Malaquias, haveria dor e sofrimento para que, ao final, haja a ofertas agradáveis a Deus. Para se ofertar a Deus, pressupõe-se uma vida de obediência a ele. Obediência pressupõe relacionamento e submissão. Portanto, Malaquias está dizendo ao povo para se preparar pois haveria purificação, não de ordem moral, mas plena. Purificação executada pelo enviado de Deus.

A promessa de purificação feita em Malaquias começará com os levitas e deles se espalharia por toda a nação. Por que pelos levitas? Porque foram separados para cuidar do Templo e da adoração a Deus. O efeito seria exponencial. Uma vez purificado os levitas, todo o povo seria levado à purificação. Mas, afinal, qual a necessidade de se purificar o povo? Para que haja reconciliação com Deus e sua vontade. Não se trata de uma purificação para que Deus venha, mas sim a presença de Deus a purificar todo e qualquer pecador.

“Vejam, eu enviarei o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim.”

No Oriente era costume o envio de um mensageiro avisando que o rei estava chegando. Tal anúncio era feito para que se preparasse o local para sua chegada, removendo obstáculos e cumprindo protocolos. Mas, afinal, a quem se refere o profeta? Numa primeira leitura, àquele que virá anunciando purificação. Segundo alguns comentaristas, pode ser uma referência ao próprio profeta. Outros, dizem que Malaquias está apontando para o futuro. Seja uma ou outra interpretação, em Cristo, sabemos como e em quem se cumpriu tal promessa.

O cumprimento da promessa

Jesus olha para João Batista e diz:

Este é aquele a respeito de quem está escrito: ‘Enviarei o meu mensageiro à tua frente; ele preparará o teu caminho diante de ti’. (Mateus 11.10).

O mensageiro que vem anunciando a vinda do rei é interpretado pelos evangelistas como sendo João Batista, quem veio anunciando:

“Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias. (Marcos 1.7).

E como ele virá?

“E então, de repente, o Senhor que vocês buscam virá para o seu templo; o mensageiro da aliança, aquele que vocês desejam, virá”.

“De repente”, a palavra hebraica traduzida pelo adverbio de circunstância é quase sempre recorrente quando faz referência a uma calamidade ou algo infeliz que precede a ação que virá. Assim foi a vinda de Jesus, assim será sua volta, de repente.

Olhar para João Batista e identificar nele a imagem do versículo primeiro do nosso texto é deveras interessante. Vejam que a promessa em Malaquias é de purificação. Qual era a pregação de João Batista? Mateus 3.2 nos responde essa pergunta:

“Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”.

Arrependimento pressupõe mudança de atitude. Mudança de atitude requer sacrifício, dedicação, obediência e submissão. Arrependimento é um passo para purificação. No conceito cristão, purificação se dá quando o sangue de Jesus nos lava de todo pecado. Arrependimento se dá quando reconhecemos nosso erro e nos submetemos ao seu fogo e ao seu sabão para mudar nosso caráter.

Olhamos para João Batista como aquele que anuncia a vinda de Jesus, que vem e cumpre a promessa de purificação de nossas vidas. Nele, somos lavados pelo seu sangue e purificados de todo pecado. No processo do refino de metal, ele é aquecido com fogo até derreter-se. As impurezas separam-se deste e sobem para a superfície. Estas são removidas e deixam o metal puro. Sem este aquecimento e derretimento, jamais haveria purificação. Quando as impurezas são removidas, o reflexo do trabalhador aparece na superfície clara e pura. Ao nos purificar, fica mais evidente em nós o reflexo de Cristo.

A promessa para hoje

Como entender a promessa hoje? Se Jesus veio e cumpriu tal promessa, qual relevância destes versos para nossas vidas? Devemos olhar para o processo de purificação profetizado por Malaquias e nos arrependermos de nossos pecados. Nos sujeitarmos a sermos queimados pelo fogo do Espírito Santo para que haja transformação em nossas vidas. Ser temperado pelo fogo é uma imagem recorrente também no Novo Testamento. João Batista diz

“Eu os batizo com água para arrependimento. Mas depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de levar as suas sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo”. (Mateus 3.11)

e Paulo afirma que

“Porque ninguém pode colocar outro alicerce além do que já está posto, que é Jesus Cristo. Se alguém constrói sobre esse alicerce usando ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha, sua obra será mostrada, porque o Dia a trará à luz; pois será revelada pelo fogo, que provará a qualidade da obra de cada um”. (1Coríntios 3.11-13)

Mas, contemplando nossos dias, você pode se perguntar: qual vantagem em ser purificado, se aqueles que são infiéis são prósperos e de grande estima do grande público? A Bíblia Pastoral, comentando este texto, nos responde

“Um dos grandes escândalos para o povo fiel é ver que os opressores e exploradores, mesmo prejudicando outros, levam sempre a melhor, e ainda são respeitados. Malaquias responde a esse escândalo, mostrando que Deus intervirá, produzindo uma nova ordem, na qual a justiça será feita e o direito restabelecido para todos” (Bíblia Sagrada Edição Pastoral, Editora Paulus, p. 1229, comentário ao texto de Malaquias 2.17—3.5).

A intervenção de Deus acontece em Cristo Jesus e nele temos a nova ordem de justiça e vida. Cabe a nós, cristãos, vivermos os valores purificadores de Cristo Jesus, proclamando que Jesus é o Senhor, que veio para nos salvar e nos purificar de todo pecado para que vivamos hoje sua santa vontade.

Conclusão

Ele virá trazendo purificação! Sim, Jesus voltará e é exatamente isto que celebramos quando comemoramos o Advento. As velas, a Palavra, as canções apontam para a vinda de Jesus. Ao contemplar esta vinda, nos lembramos que ele veio e cumpriu a promessa feita em Malaquias. Ao contemplar o cumprimento da promessa, nos lembramos que ele voltará. Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Antes de executar o seu juízo, Deus envia um mensageiro. Olhando para Malaquias, os evangelistas apontam para João Batista e dizem: é ele, o mensageiro. Ele preparou o caminho para a chegada do Senhor, o Filho de Deus, Jesus, que veio e nos mostrou como viver. A purificação de nossas vidas se dá na cruz. Ele nos purificou com seu sangue para que não mais vivêssemos com medo da morte e da justiça, mas aguardamos a sua volta vivendo a justiça de Deus e proclamando que ele é capaz de transformar nossas vidas em todas as áreas.

Hoje olhamos para a promessa de Malaquias e nos apresentamos diante de Deus com ofertas agradáveis a ele. Não ouro ou prata, nem bens materiais ou dinheiro, mas sim cumprindo o que diz Salmo 51.17

“Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás”.

O que é o espírito e o coração quebrantado senão nossas vidas diante do pecado revelado pelo Espírito Santo e pronto para ser purificado por ele? Busque pureza de vida, pois esta promessa já foi cumprida e podemos ser puros hoje, já, basta viver a vontade de Deus para nós hoje. Maranata, ora vem Senhor Jesus! Ele virá!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil


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