Ele virá! Trazendo renovo

Ele virá! Uma série de quatro mensagens pensadas para o Advento, período em que as igrejas cristãs em todo mundo olham para a vinda de Jesus, quer sua primeira vinda, quer a segunda. Ele virá! É a promessa de que ele voltará! A série se propõe a olhar os textos proféticos do calendário litúrgico para o Advento e neles meditar sobre as promessas da vinda de Jesus. Ao olhar para tais promessas, lançaremos nossos olhos para o cumprimento delas e também para como elas se relacionam conosco.

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Começamos esta série com a mensagem “Ele virá trazendo renovo”. O texto para meditação está no livro do profeta Jeremias 33.14-16 e farei esta leitura na Nova Versão Internacional.

“Dias virão”, declara o Senhor, “em que cumprirei a promessa que fiz à comunidade de Israel e à comunidade de Judá.

“Naqueles dias e naquela época
farei brotar um Renovo justo
da linhagem de Davi;
ele fará o que é justo e certo na terra.
Naqueles dias Judá será salva
e Jerusalém viverá em segurança,
e este é o nome pelo qual
ela será chamada:
O Senhor é a Nossa Justiça”.

O texto que lemos faz parte do terceiro bloco literário do livro do profeta Jeremias. Nele, o profeta apresenta diversas palavras de salvação para Judá e Israel. O capítulo 33 apresenta as promessas de renovo e justiça para Judá e Israel. Nós, cristãos, ao lermos os versos 15 e 16 identificamos ali a pessoa de Cristo Jesus. A promessa da vinda do Renovo justo ecoa em Judá como a promessa de que o império babilônico passaria, não só ele, mas todo e qualquer império. Chama-nos a atenção o destaque dado por Jeremias, nos versos que lemos, as questões como justiça na terra, salvação e segurança. Tais afirmações nos colocam diante da visão de um profeta que sofreu com os rumos que seu povo tomara e que, pastoralmente, sofria por ver o rebanho de Deus se perder daquela forma.

O profeta Jeremias foi contemporâneo dos últimos cinco reis de Judá. Nas quatro décadas de atuação, de 627 a.C. a 585 a.C., Jeremias presenciou fatos marcantes da história de Judá: a centralização do culto por parte do Rei Josias, o declínio do império assírio, a ascensão do império babilônico, o Egito tentar barrar o crescimento babilônico, a conquista de Jerusalém e sua destruição. Por quarenta anos Jeremias atuou em Judá e por quarenta anos foi ignorado pelo povo. Ele os exortava a agir, mas ninguém se movia. Jeremias era pobre, segundo relato do capítulo 16, ele manteve-se celibatário e sem filhos. A pregação determinava sua vida. Por causa dela, Jeremias foi perseguido por sua própria família, maltratado, preso e deportado. Mas não sofria sozinho, encontrou em Baruque um amigo. Ao ser deportado para o Egito, não se teve mais notícia nem vestígio de Jeremias. Ao longo de sua vida solitária, Jeremias proclamou as mensagens de Deus, anunciou a nova aliança e chorou amargamente sobre o destino de sua nação.

Olhando para este panorama de Jeremias, conseguimos compreender as promessas feitas nos versos 14-16. Vamos, então, entender a promessa do renovo, o cumprimento da promessa e o que promessa é para nós hoje.

A promessa do renovo

Um renovo justo. A promessa se apresenta como um abrir de horizontes diante da calamidade iminente em Judá. Jeremias olha para a realidade de seu povo e vê que a mão do Senhor pesará sobre ele. Jeremias, ao longo de sua profecia, aponta para os erros dos reis, dos sacerdotes e da nação como um todo. Não tem como jogar a culpa no outro, todos pecaram diante de Deus. Todos se omitiram diante da necessidade de obediência e fidelidade. Mas ao contemplar toda a maldade que o povo vivia e ao ver que um império se levantava contra Judá, Jeremias passa então a ver a justiça de Deus e o renovo que ela trará. A promessa não é vã, é de Deus. Justiça, salvação e segurança são mais que promessas diante de uma calamidade, são, antes, uma realidade da qual o profeta se apropria mesmo contemplando a injustiça, a perdição e a insegurança por toda parte.

Diante da infidelidade do povo, Jeremias vê Deus levantar uma nação ainda mais forte e moralmente sanguinária que os Assírios. A Babilônia surge como uma amarga realidade para o povo de Judá. É o profeta Habacuque, contemporâneo de Jeremias, que nos dá uma dimensão do poder bélico do império babilônico

“Olhem as nações e contemplem-nas, fiquem atônitos e pasmem; pois nos dias de vocês farei algo em que não creriam se lhes fosse contado. Estou trazendo os babilônios, nação cruel e impetuosa, que marcha por toda a extensão da terra para apoderar- se de moradias que não lhe pertencem. É uma nação apavorante e temível, que cria a sua própria justiça e promove a sua própria honra”. (Habacuque 1.5–7).

Uma nação que marcha pela largura da terra e que faz sua própria justiça é que vem para invadir Judá. É este poderio bélico e moral, ou imoral, que Jeremias contempla se aproximar e vê sua atuação. É diante da devassidão que Jeremias proclama a promessa de Renovo justo.

O cumprimento da promessa.

O Renovo justo é um termo messiânico que aponta para o fato de que o último ungido da linhagem de Davi seria perfeitamente justo. A importância deste termo na literatura profética pode ser vista no uso que os profetas fazem dele. Zacarias 6.12 usa este termo como um parâmetro de justiça, ao se referir à Josué e Zorobabel

“Diga-lhe que assim diz o Senhor dos Exércitos: Aqui está o homem cujo nome é Renovo, e ele sairá do seu lugar e construirá o templo do Senhor”.

O profeta Isaías usa o termo por duas vezes, uma em 4.2

“Naquele dia o Renovo do Senhor será belo e glorioso, e o fruto da terra será o orgulho e a glória dos sobreviventes de Israel”

e outra em 11.1

“Um ramo surgirá do tronco de Jessé, e das suas raízes brotará um renovo”.

Este renovo que virá da linhagem de Davi já veio, e seu nome é Jesus.

Os evangelistas se esforçaram por nos mostrar como Jesus descende da linhagem de Davi. A promessa de Renovo justo é mais uma promessa do Antigo Testamento que nós, cristãos, olhamos para ela e contemplamos ali a imagem de Cristo. Mais, olhamos para ela e podemos afirmar categoricamente: Jesus de Nazaré é o Renovo justo que faz o que é justo e certo na terra. Jesus vem para trazer a justiça, salvação e segurança para cada um de nós. Ele o faz de maneira definitiva.

Jesus vem para trazer justiça diante da ganância e egoísmo do povo. Jesus vem para trazer salvação de maneira eficaz e definitiva, rompendo com o domínio do pecado e vencendo a morte. Jesus vem para trazer segurança àqueles que se encontram perdidos em seus medos e anseios e nos dar a certeza de que pertencemos a ele. Tais promessas não são apenas palavras vazias, elas se cumprem e nossas vidas hoje.

A promessa é para hoje

Como entender a promessa de Jeremias hoje? Se Jesus veio e cumpriu tal promessa, qual relevância destes versos para nossas vidas? Devemos olhar com a esperança que o Advento pede de cada um de nós. Olhamos para o cumprimento dela no nascimento de Jesus, sua vida e obra, e olhamos para ela com os olhos fitos no futuro, vivendo a promessa diária de que ele virá!

Em uma sociedade onde cada um faz a sua própria justiça, onde os mecanismos legais são manipulados por forças do poder financeiro, nós olhamos para a promessa do Renovo justo vivendo a justiça de Deus em nossas vidas e, principalmente, sendo justos uns para com os outros. Você já agiu com justiça hoje? Foi justo ao falar e ao agir com as pessoas ao seu redor? Ou só ficou a criticar e falar mal, ao invés de procurar a pessoa e resolver com ela, segundo a orientação do Espírito Santo, as questões de injustiça que você vive ou presencia?

Em uma sociedade onde o prazer pessoal e o interesse próprio vêm em primeiro lugar, nós olhamos para a promessa de salvação como um convite à falar de Cristo para nossos amigos e parentes. Uma vez salvos em Cristo Jesus, precisamos ter a coragem de proclamar a salvação e não ficar perdendo tempo com falatórios inúteis e atividades que só servem para encher os nossos egos. Você já falou de Cristo para seu parente? Para seu amigo? Para seu vizinho?

Em uma sociedade imersa na insegurança, quer pública, quer privada, olhamos para a promessa de segurança em Cristo e a vivemos. Não é apenas um olhar para o crime que toma conta de nossa sociedade, mas principalmente para a violência física, emocional e espiritual à qual estamos sujeitos. Em Cristo Jesus não há espaço para a insegurança, nele temos força e direção para combatermos a violência com a mensagem da Cruz, a mensagem da vitória da vida sobre a morte, a mensagem que nos convida a uma nova vida.

Conclusão

Ele virá trazendo renovo! Sim, Jesus voltará e é exatamente isto que celebramos quando comemoramos o Advento. As velas, a Palavra, as canções apontam para a vinda de Jesus. Ao contemplar esta vinda, nos lembramos que ele veio e cumpriu a promessa feita em Jeremias. Ao contemplar o cumprimento da promessa, nos lembramos que ele voltará. Maranata, ora vem Senhor Jesus!

Em Cristo Jesus as promessas se cumpriram. Não há mais a espera estática pelo cumprimento delas, antes, há a possibilidade de se viver a promessa de maneira eficaz. Jesus já cumpriu a promessa para que a vivamos em nossas vidas. Justiça, salvação e segurança são o renovo de Deus para nós. De que adianta se dizer cristão e não agir com justiça? De que adianta vir à igreja e cantar louvores e não viver a salvação, falando de Cristo a todos? De que adianta sair da igreja para um mundo inseguro e não testemunhar do poder pacificador e transformador de Cristo Jesus? O que você faz aqui se você não vive o que canta, lê e ouve o que se diz aqui? A promessa de Renovo justo vem nos dar a direção de como viver a nossa fé, dia a dia, de acordo com a vontade daquele que é a nossa esperança e vida, Jesus!

Hoje olhamos para o profeta Jeremias e compreendemos que o Renovo justo veio para nos ensinar a viver a justiça, salvação e segurança. Tais realidades só podem ser vividas por aqueles que confessam Jesus como Senhor e Salvador de suas vidas e reconhecem nele o Renovo justo, aquele que veio para nos dar vida e que virá para nos estabelecer plenamente o seu reino. Maranata, ora vem Senhor Jesus! Ele virá!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil


 

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