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Por que cultuamos?

Por que vamos à igreja? O que faz com que milhões de cristãos, em todo mundo, semanalmente se dirijam à Igreja que pertencem para cultuar? O culto é uma das funções da Igreja de Cristo, não a única, mas devemos compreender a razão de cultuarmos para que possamos ser fiéis à determinação de Cristo para sua Igreja. Assim, apresento aqui três razões pelas quais cultuamos: como resposta a Deus, em obediência à ordem de Cristo e para testemunhar nossa fé.

Cultuamos como resposta a Deus

O nosso culto é uma resposta a Deus. Para entendermos esta afirmação eu gosto de recorrer à definição de JJ von Allmen de que “O culto é o âmbito da ação de graças dos resgatados”. Vamos ao culto como resposta a Deus pela salvação em Cristo Jesus. O culto não é um espaço para expressar nossas vontades, mas sim para render graças a Deus pelo que ele tem feito em nosso meio, tanto em nossa vida, quanto na vida de nossos irmãos.

Esta expressão de ação de graças é encontrada nos evangelhos, vejamos por exemplo, que aqueles que são curados por Jesus saem rendendo glórias a Deus. A mulher enferma: Vendo-a Jesus, chamou-a e disse-lhe: Mulher, estás livre da tua enfermidade; e, impondo-lhe as mãos, ela imediatamente se endireitou e dava glória a Deus. (Lucas 13.12-13). O paralítico que sai andando: Imediatamente, se levantou diante deles e, tomando o leito em que permanecera deitado, voltou para casa, glorificando a Deus. (Lucas 5.25). O leproso que volta para agradecer: Ao vê-los, disse-lhes Jesus: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. Aconteceu que, indo eles, foram purificados. Um dos dez, vendo que fora curado, voltou, dando glória a Deus em alta voz (Lucas 17.14-15). O cego que volta a ver: Então, Jesus lhe disse: Recupera a tua vista; a tua fé te salvou. Imediatamente, tornou a ver e seguia- o glorificando a Deus. Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus. (Lucas 18.42-43). Em todos estes exemplos a ação de Deus gera nos que foram tocados por ele o desejo de glorificar a Deus. De igual modo, cristãos em todos os tempos e em toda parte são tocados pelo Espírito Santo e, em ação de graças, vão à Igreja para dar glórias a Deus.

O culto é, portanto, a forma como o cristão, resgatado e perdoado, vivem para e do Cristo. É o perdão, alcançado por graça por meio do sangue de Jesus derramado na cruz, que nos dá a capacidade de reconhecer a graça de Deus em nossa vida e nos leva a adorar. Por sermos resgatados, salvos e perdoados é que vamos ao culto para adorar e glorificar a Deus.

Cultuamos por ordem de Cristo

Você poderá me perguntar: onde Jesus ordenou o culto? Eu respondo: nos evangelhos. Neles temos o registro da celebração da Páscoa. Nela, os discípulos estão reunidos com Jesus e ele, num determinado momento, toma o pão e o parte, toma o cálice e o ergue e conclui o ato com a expressão “fazei isto em memória de mim”. Em dois dos relatos da última ceia, os evangelistas encerram este momento dizendo que os discípulos, com Jesus, entoaram um cântico e saíram para o Monte das Oliveiras. Portanto, Jesus não rompe com a necessidade de cultuar a Deus. Outros relatos dos evangelhos situam Jesus nas sinagogas e no Templo, como exemplo da necessidade de se cultuar e buscar, na comunhão dos santos, a adoração e ação de graças a Deus.

Em memória de mim, mais que uma menção para que recordemos a celebração da ceia, é uma recomendação para que nos reunamos e partamos o pão, tomemos o cálice e adoremos a Deus. Lembremos que a igreja primitiva celebrava a ceia em toda reunião, segundo o relato de Atos 2.42: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”. A ordem de Jesus se concretiza na igreja dos apóstolos. Sempre que se reuniam, estavam firmados e alicerçados na doutrina que os apóstolos receberam de Jesus e cultivando a comunhão, partiam o pão e oravam. Mais à frente, nos versos 46 e 47 vemos que tal prática envolvia o Templo e a casa das pessoas. Foram, portanto, fiéis à determinação de Jesus em se reunir em seu nome e em memória dele. De igual modo, nós nos reunimos em memória de Jesus, não como um ato simbólico, mas seguindo o ensino apostólico de que o Espírito Santo está presente em cada ato e momento de nosso culto, nos inspirando, ensinando e direcionando nossas vidas.

Cultuamos como testemunho de fé

O ato de estarmos no culto é uma maneira de testemunharmos nossa fé em Cristo Jesus. Veja, vou repetir, uma maneira de testemunharmos nossa fé em Cristo Jesus, não a única. A nossa fé não pode jamais ser reduzida ao culto, pois o culto, como vimos, é uma resposta que damos a Deus por tudo o que ele nos fez. Ao cultuarmos mostramos publicamente a fé que professamos. Quando afirmamos que não podemos assumir outro compromisso no horário do culto, estamos expressando publicamente a necessidade que temos de agradecer a Deus e cumprir a ordem de Jesus de nos reunirmos para adorar a Deus e ouvirmos as palavras de Jesus para nós.

Além do aspecto do testemunho ao mundo, o culto é o testemunho da fé que temos na salvação em Cristo Jesus. Testemunhamos que pertencemos a Deus e somos seu povo. Pertencemos a ele e fomos selados no batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Somos seu povo na medida que celebramos a Ceia do Senhor como nos ordenou Jesus. Os sacramentos são, é última análise, o que determina a existência e a razão de ser da Igreja e, por consequência, do culto. Karl Barth, ao escrever sobre os sacramentos e o culto, nos coloca diante de uma sentença da qual é difícil discordar e com a qual devemos nortear nossa vida como Igreja: “Toda a adoração da Igreja é compreendida, determinada e limitada pela ordem divina concernente ao batismo e à Ceia. De certa forma, esses dois elementos constituem o âmbito necessário – exatamente por serem os únicos apropriados – da adoração”. Claramente o que Barth está dizendo é: se formos e fizermos discípulos, naturalmente os levaremos ao Batismo, e como consequência, os ensinaremos a guardar tudo quanto Jesus nos ordenou. O Batismo e a Ceia são o testemunho de nossa fé, portanto, são os eixos centrais de nossa adoração.

Nosso culto, nossa vida

O culto é a expressão da gratidão e obediência a Deus. Ao cultuarmos testemunhamos nossa fé e cumprimos a ordem de Jesus de ser e fazer discípulos. Devemos compreender que ao nos reunirmos para cultuar não estamos restringindo nosso culto apenas ao tempo que passamos no templo. O culto é parte de nossa vida. Se pregamos o evangelho, discipulamos e encaminhamos pessoas para o Batismo, nossa vida é um culto vivo ao Deus vivo. Sejamos, pois, fiéis a Deus e à ordem de Jesus. Cultuemos com coração agradecido e voltado para a vontade de Deus.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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