Pensamentos

Desabafo sobre o Café com Alecrim

Passados mais de dois meses do anúncio do fechamento da Editora Alecrim e do Café com Alecrim, percebi que precisava escrever o presente texto. Não só para você que me lê e acompanhou em parte o projeto, mas para mim, principalmente. Trata-se de um desabafo, e como todo desabafo, ele traz consigo reconhecimentos que nem sempre gostamos de assumir, mas preciso fazê-lo. A necessidade de escrever e publicar este texto veio da minha avaliação pessoal de todo o processo, desde o blog no blogspot até o domínio registrado, empresa aberta e tudo mais.

O site, a editora e o canal de vídeos do YouTube nasceram como parte de um projeto, um sonho. O sonho era viver da escrita, ou seja, ser escritor. Podia não parecer, mas tudo girava em torno desse sonho: os textos, os vídeos, os livros, os perfis nas redes sociais. Tudo. Após doze anos de investimento no projeto, percebi que ele não vingaria. Por que? A conclusão que chego é que não sei escrever, ou não tem público que se identifique com meus textos a ponto de querer comprá-los. A maior prova disto são os “sucessos de encalhe” que tenho aqui em casa, e que nem mesmo oferecendo de graça, as pessoas querem. Caí em mim que a busca por ser um escritor não é viável. Não sei se um dia o serei, creio que não. Admitindo isso, reconheço não só a minha incompetência, como a minha incapacidade de sê-lo. Parei de buscar reconhecimento para meus textos, vídeos e livros. Isso mesmo, quem não gosta de um reconhecimento básico, de um apoio e um elogio ao que se faz tão arduamente, não é mesmo? Então, passei a escrever para mim e publicar quando me der na telha, sem esperar nada, absolutamente nada, em troca disso.

O que mais machucou nesse processo, e hoje avaliando chego a essa conclusão, foi perceber que os amigos não apoiaram, uma parte tripudiou (falou mal, achincalhou, desmereceu, etc.) em cima de meus textos, vídeos e livros (vi muito isso nas redes sociais e peguei muito disso nas rodas de conversas). Uns poucos, dá para contar nos dedos, compraram e deram um retorno, quer positivo, quer negativo. Outros tantos simplesmente ignoraram. Os “desconhecidos” investiram, compraram, mas dada a baixa taxa de retorno, não devem ter gostado tanto assim dos textos. Se fosse somar os prejuízos financeiros advindos do site, editora e canal de vídeos daria para comprar um bom carro zero quilômetro, quase daria para comprar minha moto dos sonhos.

Como tudo na vida, tiro lições dessa falência múltipla (com perdão do trocadilho). A primeira é que, se você vai investir em algo na sua vida, certifique-se que você é realmente bom nisso, não seja abaixo da média como eu sou. A segunda é que não dá para contar com os amigos para te apoiar em suas empreitadas, principalmente se envolve adquirir ou compartilhar o que você faz. A terceira é que existem pessoas que gostam do que você faz e te apoiam, e estas estão onde você menos espera. A quarta é que nem sempre é bom ficar falando mal das coisas dos outros, ainda mais pelas costas. Jesus nos ensina que não há nada encoberto que não venha a ser descoberto. Soube, ao longo de doze anos, de inúmeras pessoas que tripudiaram em cima de meus conteúdos mas nunca tiveram a hombridade de falar diretamente comigo. Fica a lição para eu não fazer o mesmo.

Em suma, tudo pode parecer um pessimismo desvairado, o famoso “recalque das redes sociais” não sei. Mas no fundo, creio que é a constatação da realidade, a verdade que assombra de tal forma que me mostra como fui burro ao longo de doze anos. Mas a gente aprende. Eu acho.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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