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Discípulos são separados pelo mestre

Naqueles dias, retirou-se para o monte, a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. (Lucas 6.12)

Discípulos são separados pelo mestre. Não é uma convocação protocolar, nem um chamado genérico. É um chamado pessoal com propósito definido. Ele nos chama pelo nome para que nos relacionemos pessoalmente com ele. Discípulos, o chamado, é uma série de quatro mensagens que nos convidam a atender o chamado de Jesus e cumprirmos nossa missão de ser e fazer discípulos e hoje encerramos esta serie sobre o chamado.

Uma relação de pessoas de diferentes personalidades e estilos, chamadas por um líder para mudar a história da humanidade. Esta é a síntese do texto para nossa meditação de hoje. De pescadores a cobradores de impostos, de revolucionário libertário a funcionário do Império, pessoas tão antagônicas e que dificilmente sentariam na mesma mesa, ou marchariam por uma mesma causa, são chamados por Jesus para serem seus discípulos. É sobre este chamado que falaremos hoje.

Jesus já havia iniciado seu ministério. Contava com um número considerável de seguidores que o acompanhavam e dele aprendiam. Num determinado momento de seu ministério, Jesus separou para si um grupo de doze homens com quem passou a conviver mais pessoalmente. O grupo dos doze, conhecidos como discípulos e chamados por apóstolos, passou a desfrutar da presença mais pessoal e íntima de Jesus. Os ensinos eram mais intensos, revelando sua natureza messiânica e a função dos discípulos como apóstolos. Homens de diferentes personalidades constituíram o grupo dos doze discípulos.

Simão, a quem chamou de Pedro, era pescador, homem de origem humilde e de personalidade explosiva, tornou-se a rocha de Cristo, de personalidade e fé firme. Seu irmão, André, que o conduziu a Jesus. Tiago e João, dois pescadores, também de personalidade explosiva. Tiago foi o primeiro mártir do cristianismo, João, indicam os comentaristas, é “o discípulo a quem Jesus amava”, autor do evangelho, três cartas e o Apocalipse. Foi o último dos doze a morrer. Filipe, sua personalidade indagadora, que busca conhecimento, o fez apresentar gregos que queriam conhecer Jesus e também saber mais do próprio Jesus sobre seu ministério. Bartolomeu, também conhecido como Natanael, foi conduzido por Felipe até Jesus, que o chamou de “verdadeiro israelita” em referência a sua fidelidade a Deus. Mateus, de quem já falamos antes, cobrador de impostos, desprezado pelos judeus. Tomé, marcado historicamente por sua dúvida na ressurreição do mestre. Tiago, filho de Alfeu, pouco se sabe dele, alguns comentarista o apontam como o discípulo que permaneceu aos pés da cruz, juntamente com Maria. Simão, chamado zelote, não era chamado assim à toa, foi o que hoje chamaríamos de revolucionário. Pertenceu ao movimento que lutou pela libertação de Israel da dominação estrangeira, havendo a possibilidade, entravam em conflito armado com Roma. Judas, filho de Tiago, há poucas referências sobre ele, Marcos e Mateus o chamam de Tadeu, à luz de João 14, havia nele uma expectativa de que Jesus se revelasse ao mundo, e não somente aos doze. Por fim, Judas Iscariotes, cujo sufixo, na maioria das referências a ele, entregam sua função: o que o traiu. Jesus chama para si um grupo de doze homens, pessoas para conviver com ele. Ele os chama pessoalmente para uma relação comunitária e pessoal

Diz o texto base da lição que Jesus, “Por essa mesma época, ele foi orar na montanha. Ali ficou a noite inteira em oração, na presença de Deus.” Jesus não escolheu doze homens ao acaso. Primeiro ele conviveu com eles, os conheceu, depois, ele não escolheu ao gosto dele, mas submeteu estes nomes, durante toda uma noite, à presença de Deus. Quais os pré-requisitos? Olhando para a lista dos doze, que brevemente falamos há pouco, você sinceramente confiaria em algum deles? Jesus não viu apenas o que eles eram naquele dia, mas o que eles fariam sob o poder do Espírito Santo.

Você não foi chamado ao acaso. Creia nisso. Jesus não olhou para você e disse: meu querido, vai lá sentar no banco da Igreja. Ele olha para você e te diz: há mais para sua vida que o banco da Igreja. Há mais para sua vida do que o que você vive hoje. De fato, Jesus potencializa em nós a vontade de Deus. Ele transforma nossas vidas sem sentido em agentes do Reino de Deus. O Espírito Santo, com poder e graça, move nossas vidas para que experimentemos o que é conviver com ele. Ele não nos chama ao acaso, ele sabe do que somos capazes, muito mais do que nós mesmos.

Por isso ele nos escolheu, antes mesmo de nós o escolhermos, para sermos seus discípulos. Um chamado com uma missão clara e definida: ser e fazer discípulos. É para isto que fomos chamados, imperativamente, não ao acaso, mas para um determinado fim, dentro dos propósitos de Deus. Nós, imperfeitos, assim como os doze eram imperfeitos, fomos chamados para sermos discípulos e apóstolos de Jesus, não os apóstolos de hoje, que ostentam tal título como uma glória pessoal, mas apóstolos ao modo de Jesus, enviados a fazer discípulos. Ele nos chama para si, e o faz pessoalmente.

Nome a nome, Jesus separa para si cada um dos discípulos. Ele não manda alguém chamar, ele vai pessoalmente. Ele não chama os doze de uma vez só, tipo “hei, vocês aí, venham comigo”. Ele não está recrutando funcionários, ele está formando discípulos, o que é bem diferente. Ele não está selecionando pessoas para satisfazer um status pessoal, mas sim para construir algo maior que a própria vida deles, algo pelo qual ele veio, viveu e morreu, venceu a morte e hoje nos chama, pessoalmente, pelo nome: o Reino de Deus.

Jesus te chama pelo nome. O convite é para seguí-lo, desfrutar de sua companhia e aprender dele. Ele não te chamou por meio do pastor, ou de alguma outra pessoa, ele pessoalmente tocou em seu coração e, pelo seu nome, te convidou a caminhar com ele. É um chamado pessoal, pois a relação com ele é pessoal. É um chamado para transformar sua vida no que Deus quer de você. Um chamado para potencializar os dons que Deus lhe deu. Um chamado pessoal de Jesus não deve ser respondido com negligência ou apatia, mas sim, obedecido e cumprido, como filhos de Deus e servos de seu Reino.

Pessoalmente, Jesus chama a cada um de nós. “Que estou fazendo se sou cristão, Se Cristo deu-me o seu perdão?”, pergunta-nos o hino 297 do Cantai Todos os Povos. Jesus nos chama para viver sua vontade, para caminhar com ele, uma caminhada de aprendizado, de conhecimento, não uma caminhada ideológica, mas sim mudança de vida. Um chamado para uma relação pessoal com o Mestre e comunitária com seus discípulos e toda a humanidade.

Jesus não chamou os doze para formar uma sociedade fechada, secreta. Ele não chamou os doze e disse: venham comigo, vamos formar nosso clube. Não, ele os chamou, os capacitou e os enviou. Essa é a razão de ser dessa revista. O chamado, a edificação e o envio dos discípulos sendo destacados para compreendermos que nós somos chamados, edificados e enviados pelo mestre. Não é para uma relação exclusivista que fomos chamados, mas sim para uma relação pessoal com Jesus que se reflete na relação comunitária.

Tenho tido o privilégio de conviver semanalmente com os participantes dos Pequenos Grupos em minha Igreja. Ali, por meio do compartilhar de dificuldades e bênçãos, da oração, dos cânticos, dos estudos da Palavra, tive minha fé alimentada e potencializada. Percebi, em um espaço curto de tempo, o quão necessário é uma relação de proximidade com um grupo de pessoas para que a fé seja fortalecida. O Pequeno Grupo é uma réplica do espaço de comunhão e aprendizado que Jesus fez com os doze. Não digo isso com orgulho, digo isso como um convite a você, para experimentar o que é viver uma fé construída na relação pessoal com Jesus e comunitária com um grupo de pessoas. Tal convívio pode muito bem ser reproduzido em uma classe de Escola Dominical com participantes ativos e dispostos a serem amigos e irmãos de fé.

Jesus agiu assim: num pequeno grupo de doze, viveu intensamente a vontade de Deus, para que eles conhecessem e experimentassem essa vontade. A fórmula deu certo, tanto que, quando Jesus morre na cruz, os onze remanescentes continuam juntos. Por que? Por medo? Talvez, mas porque já havia entre eles um laço de amizade e companheirismo que os unia. Pessoas tão diferentes, histórias e opiniões opostas, mas unidos pela amizade construída na relação com Jesus. É isto que devemos buscar como Igreja de Cristo. Uma relação pessoal com Jesus que fortaleça nossos laços comunitários, dentro e fora do templo.

Discípulos são separados pelo mestre. Ele não nos chama ao acaso, ele nos chama pessoalmente para uma relação com ele e com toda a humanidade. Não somos discípulos para ocupar banco de Igreja, somos discípulos para fazermos discípulos, ocupar o banco da igreja é uma consequência da nossa relação com Jesus e nosso compromisso com o Corpo de Cristo. Se desejamos uma Igreja forte e cheia, devemos desejar conviver com Jesus e com as pessoas, amando-as genuinamente, apresentando-as a Jesus, como André fez com Simão Pedro, como Bartolomeu fez com Filipe.

Jesus é nosso mestre, ele está conosco a todo instante. Ele nos quer com ele e, estar com ele, é conviver comunitariamente. Mais que participar das atividades da Igreja, é participar da vida das pessoas que aqui estão. Construir laços de amizade, de companheirismo, de irmandade capazes de suportar as dificuldades da vida e encarar os desafios que Deus nos apresenta. Ele sabe do que cada um de nós é capaz de fazer pelo seu Reino. Vem Santo Espírito de Deus e tome nossas vidas, para que cumpramos a vontade do nosso Senhor!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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