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Discípulos são chamados para um determinado fim

Pois, à vista da pesca que fizeram, a admiração se apoderou dele e de todos os seus companheiros, bem como de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram seus sócios. Disse Jesus a Simão: Não temas; doravante serás pescador de homens. (Lucas 5.9-10)

Discípulos são chamados para um determinado fim. Jesus não nos chama à toa. Ele não nos escolhe por acaso. Temos uma missão e ela é minha e sua, de mais ninguém. Mas não estamos sós nesta jornada, o Espírito Santo de Deus está conosco, Jesus caminha com a gente e Deus nos fortalece na caminhada.

Discípulos são chamados para um determinado fim. Quer contar a história de Vera Lúcia Dinois, de 54 anos. Talvez você não tenha ouvido falar dela antes, eu também não. Vera Lucia sofreu um acidente em 2011, caiu enquanto visitava parentes em Américo Brasiliense,SP e, desde então, dorme no carro, na garagem de sua casa, o único lugar onde consegue dormir. A Santa Casa de Araraquara não se pronunciava quanto aos três adiamentos de cirurgia a que Vera Lúcia tem que se submeter. De todo este cenário trágico, o que mais me impressionou foi o destaque dado pelo jornalista à fé de Vera Lúcia, que lê diariamente um trecho do Salmo 30: “o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

O que a história de Vera Lúcia tem haver com a lição de hoje? Tudo. Discípulos são chamados para fazer a diferença na vida de pessoas como ela, vítimas de um sistema de saúde ineficaz e incapaz de atender o cidadão de maneira humanizada. Discípulos são chamados a olhar para o testemunho de uma mulher que, em meio a dores insuportáveis, crê que o amanhã chegará e suas dores terão fim. Discípulos são chamados a testemunhar deste amor, que em meio à circunstâncias adversas, revela-se como a segurança e a certeza de que Deus está no controle.

Um barco, uma rede, um pescador e um milagre que mudou a história da humanidade. Esta é a síntese do texto base de nossa lição de hoje. Uma passagem que nos mostra como o servir e a obediência nos dão a perspectiva do que Deus tem para nós, e mais, revelam-nos que discípulos são chamados para um determinado fim.

Discípulos são chamados para um determinado fim, com Pedro não foi diferente e, no lago de Genesaré, Jesus deixa claro como um discípulo deve agir diante do chamado de seu mestre. É o que vamos aprender hoje.

“Jesus entrou no barco que era de Simão e pediu ao discípulo que o afastasse um pouco da margem”. O chamado de Simão Pedro, nesta passagem, não ocorre no fim dela, como muitos pensam, mas sim aqui, quando Jesus pede seu barco e o usa como púlpito. Há, no pedido de Jesus, uma mostra do caráter do chamado que ele tem para todos os seus discípulos: esteja pronto para me servir que eu farei uso do que tens e do que és, nem mais, nem menos, o que tens e o que és.

Muitos pensam que servir é vir ao culto, ou participar de uma igreja. Não, Jesus não nos quer por apenas algumas horas da semana, ele nos quer por completo, e prontos a servir. Você está pronto a servir? Se Jesus lhe pedisse, hoje, o seu barco, você estaria pronto para cedê-lo ao mestre? E se ele lhe pedisse seu coração, você estaria disposto a dá-lo ao Senhor? Coração posto em Jesus é coração pronto a servir. Servir não por interesse, mas por amor, por ser alvo do amor e da graça de Deus. Somos servos do mestre.

A atitude de Pedro é um convite para a reflexão. Jesus já o havia chamado outras vezes. Numa delas, levado por André, seu irmão, e na outra, inclusive, chamando-o de pescador de homens, tal qual aqui. Jesus já havia curado a sogra de Pedro. O mestre não era um desconhecido. Eles se conheciam e a atitude de Pedro de ceder sua embarcação e, com o mestre, afastar-se da margem, revela sua prontidão a servir. Talvez em Pedro pulsasse o espírito de gratidão, mas também havia ali uma confiança, construída em encontros anteriores e que culminaria numa obediência incomum.

“Mas, se o senhor está mandando, vou lançar a rede”. Pedro não era um aprendiz no ofício da pesca. Segundo relatos dos evangelhos, ele e seu irmão André eram pescadores, o que indica uma possível atividade familiar. Há quem afirme serem eles filhos de pescadores. Como tal, sabiam, desde a mais tenra idade, os horários, locais e épocas propícios para pescar. Jesus não, fora criado por um marceneiro. O que sabe um marceneiro de pesca? Nem mar ou lago havia por lá. Mas é fiado na confiança que cultivava em Jesus, fruto de um relacionamento já em construção, que Pedro lança as redes.

Somos especialistas em igreja. Sabemos muito bem como ela funciona e, alguns de nós, não fazem a mínima questão de se envolver com ela ou com seu dia a dia. Já outros, acreditam saber tanto da Igreja que pensam poder proibir outras pessoas de se envolver com ela. Especialistas que lançam a rede a noite toda e não pescam um peixe sequer. Estamos cheios de especialistas e temos que nos policiar para não sermos mais um. Temos que nos submeter à vontade de Deus, expressa por Jesus. Ele sabe, melhor que qualquer um de nós, o que é melhor para seu reino e onde estão aqueles a quem devemos pescar e, acredite-me, nem sempre eles estão nos confins da terra, mas sim no nosso dia a dia, onde exercemos nossos ofícios.

A obediência de Pedro não foi cega, foi consciente, tão consciente, que ele ainda diz a Jesus que havia lançado a rede a noite toda, mas que ele confiava na ordem de Jesus e, fiado nesta confiança, lançaria sua rede. É uma obediência voluntária e consciente. É o reconhecimento de que aquele que estava diante dele não era uma pessoa qualquer. E isto se confirmaria depois que puxassem as redes: Senhor, afaste-se de mim. Sou um pecador e o senhor é santo demais para mim. Deixe-me sozinho”. Só somos agentes dos milagres de Deus quando somos obedientes à suas ordens. Todo milagre nos leva a reconhecer a nossa condição de pecadores indignos da presença do Senhor de nossas vidas. Todo milagre não é um fim em si mesmo, mas sim uma ação de Deus para nos dar a perspectiva do futuro.

Impactado pelo que presencia, Pedro se vê indigno, pecador e impuro. No entanto, a palavra de Jesus é mansa e serena: “Não há o que temer”. Do milagre da pesca maravilhosa surge uma nova perspectiva, com objetivos muito mais audaciosos que a pesca dos peixes: “De agora em diante, você vai pescar pessoas”. Não é uma frase de impacto, é um chamado à realidade. “Você é pescador, Pedro, venha, vou te mostrar que, melhor que peixes, é pescar vidas para Deus” é assim que Jesus chama Pedro, com um objetivo claro e definido.

Jesus não te chamou para preencher um espaço no banco desta Igreja, ele te chamou para pescar vidas para Deus. Vir aqui, aos domingos, não é a razão do nosso chamado, mas consequência dele. Vir aqui aos domingos é para adorar e bendizer, aprender e crescer, mas é no dia a dia que somos chamados a viver este amor tão grande, que nos trouxe da morte para a vida, e ele não o fez para nos deixar sentados aqui, inertes à sua vontade. Seja luz, seja testemunha do amor de Deus, seja um pescador de pessoas!

Quantas pessoas você convive diariamente? Para quantas delas você demonstrou amor, interesse genuíno e confiança? Por quais delas você tem orado? Ame as pessoas com quem você convive, eu sei que é difícil, mas é nossa missão, somos amados por Jesus e, você pensa, que é fácil nos amar? Não é não, somos tão cheios de defeitos quanto qualquer pessoa, nem por isso, somos mais agraciados que os outros, mas somos chamados a sermos instrumentos de graça na vida de todos aqueles com quem convivemos.

Discípulos são chamados para um determinado fim: pescar homens, ou em outras palavras, fazer discípulos. É nossa missão lançar as redes e buscar tantos quantos o Senhor nos der. Para isto, precisamos obedientemente servir ao nosso Mestre, só assim teremos a dimensão do que ele tem para nós no futuro. Discípulos são chamados ao discipulado e o culto é uma consequência deste chamado, não o fim dele. Dê um passo a mais na sua relação com Jesus e saia da condição de espectador na margem do lago e deixe-o subir em seu barco e mostrar onde deves lançar as redes.

Em nossas igrejas temos oportunidades de compartilhar experiências, multiplicar conhecimentos e crescer individual e comunitariamente. Não desperdice estas oportunidades, não fique parado na margem do lago, venha para o mar da vida. Enfrentarás tempestades e dificuldades, mas Jesus está conosco, não é assim aquela canção que muitos de nós cantávamos quando crianças? “Com Cristo no barco tudo vai muito bem, vai muito bem, vai muito bem. Com Cristo no barco tudo vai muito bem, passa o temporal”. Ele nos chama para ir com ele. Ele nos envia, mas não nos abandona. É discipulado, lado a lado, um a um, não sala de aula com quarenta, cinquenta, sessenta alunos. Ele está conosco o tempo todo.

Creia, tão somente creia que Jesus não te chamou em vão, ele não se aproximou de ti à toa. Ele não tem cuidado de você por nada. Ele te ama e te chama para navegar com ele no mar da vida, saia da margem e lance-se ao mar. Barcos estão seguros no cais, mas eles foram feitos içar velas e navegar. Lance-se no mar com Jesus e deixe que o sopro do Espírito te guie. Permita-se ser discipulado e seja um discipulador. Ame, ore e viva para que as pessoas do seu convívio sejam alvos da graça maravilhosa que nos chama das profundezas do mar para a luz da vida! Discípulos são chamados para um determinado fim, e este é o nosso.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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