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Discípulos são chamados imperativamente

Ele se levantou e, deixando tudo, o seguiu. (Lucas 5.28)

Discípulos são chamados imperativamente. Não quero te frustrar logo de cara, mas não temos opção diante do chamado de Jesus. Dizer não, é assumir as consequências da desobediência à Deus. Dizer sim, é experimentar o que nem sonhamos e imaginamos que Deus tem reservado para aqueles que o amam.

Jesus não nos chama para o exílio social, tão pouco para nos calarmos diante das injustiças sociais. Ele nos chama a unir nosso canto com aqueles que caminham distantes dos direitos básicos de nossa sociedade, ele nos chama a, profeticamente, denunciar a corrupção, a ineficácia do Governo e as estruturas de poder que oprimem a maioria em detrimento do favorecimento de uma minoria. Jesus chamou um cobrador de impostos, funcionário do Império Romano, agente de opressão e extorsão do povo para ser seu discípulo. Um chamado à transformação.

Um cobrador de impostos deixa seu posto de trabalho no meio do expediente e se vai, deixando tudo para trás. Esta é a síntese do texto para nossa lição de hoje. Uma passagem que nos mostra que o chamado de Jesus não é para caminharmos só e que, para atender este chamado, é preciso deixar tudo e seguí-lo.

Levi, também identificado nos Evangelhos como Mateus, autor do Evangelho que leva seu nome. Teria ele recebido este nome de Jesus? Muito provavelmente não, senão tal fato marcante em sua vida teria sido destacado pelos evangelistas, o mais aceito pelos comentaristas é que ele tivesse dois nomes, como Tomé, também chamado Dídimo. Porém, nenhum dos três evangelhos sinóticos aponta para tal fato também, contudo, nos três evangelhos é clara a indicação de que Levi e Mateus são a mesma pessoa. Fato é que este homem é chamado, imperativamente, por Jesus.

Mateus era um cobrador de impostos. Um cobrador de impostos era conhecido popularmente naquela época como publicano. Os judeus odiavam os publicanos, tinham aversão a eles, por conta do contato que os publicanos tinham com pessoas pagãs, pelo fato de manusearem moedas com a insígnia do Imperador e por não respeitarem a lei, inclusive a do sábado. Publicanos eram pessoas que não eram sequer consideradas juridicamente. Não podiam nem ser testemunhas em um processo no Sinédrio, por exemplo.

Este era Mateus. Um homem desconsiderado por todos os judeus. É a este homem que Jesus chama e ele se levanta e o segue. Ele segue sem hesitar. Um ponto que chama atenção em Mateus é que ele precisou largar tudo, absolutamente tudo, para seguir Jesus, inclusive sua profissão. André e Pedro eram pescadores e não o deixaram de ser quando foram chamados por Jesus. Diversas vezes os Evangelhos nos mostram Pedro e André pescando, mesmo depois de chamados por Jesus. Mateus não. Mateus precisou largar sua profissão, não podia ser cobrador de impostos e seguidor de Jesus, porque ser cobrador de impostos implicava em servir e cultuar ao Imperador.

O chamado de Jesus é direto: “venha comigo”. Não é um chamado cheio de justificativas ou passos a cumprir para seguir a Jesus. É simples e direto: “venha comigo”. Também não é opcional: “se quiser, venha comigo”. Jesus vê Mateus sentado na coletoria e o chama. É imperativo. O imperativo é usado para manifestar ordem, é o apelo pela concretização da ação. Há, no uso do imperativo, uma expectativa pela realização do que se impõe como ordem. De certa forma, o imperativo porta um sentido de futuro com ele. É o que Jesus faz com Mateus, o chama, esperando seu cumprimento, e se cumpre, e podemos vê-lo nos versículos seguintes do texto que lemos.

“Venha comigo”. Temos aqui a essência do chamado cristão. Não é “vá a igreja”, “vá rezar”, “vá orar”. É “venha comigo”. Não é sozinho, é junto. É chamado, ainda não é envio, ainda. Todo chamado de Jesus é uma ordem à comunhão com ele e com seus discípulos, não somos chamados a vivermos sós. Por isso o sentido de comunidade que deve ser usado para definir Igreja. Comum unidade, chamados por Jesus a fortalecermos os nossos laços e cumprimos juntos o nosso chamado a caminhar com Cristo. Nós não estamos sós. Ele nos chama e vai conosco.

Não estamos sós. Por mais que nosso chamado seja difícil, não estamos sós. Jesus vai conosco. Mesmo que tenhamos que deixar tudo, como Mateus o fez, não é um chamado para o nada, é um chamado para caminhar com Jesus. Mas como será? O que acontecerá? Calma, não fique ansioso, diga sim ao chamado, deixe tudo e caminhe com Jesus que, na caminhada, ele te conta como foi, como é e como será sua jornada. Mas lembre-se, é preciso deixar tudo para trás.

O que mais me impressiona é Mateus levantando-se da coletoria e deixando tudo para trás. Como dissemos anteriormente, ele não poderia ser discípulo e cobrador de impostos. Não dava. Ou era um ou outro. A atitude de Mateus é a expressão da convicção de que ele carecia de uma mudança de vida, mas, mais ainda, é a resposta exata de quem é obediente à voz de Jesus. Não se pode ouvir o chamado de Cristo e ficar indiferente a ele. Não se pode receber o convite para caminhar com Jesus e permanecer inerte ante o Cristo nos chamando.

O que é preciso deixar para trás? Mateus deixou sua profissão, a fonte de seu sustento. É uma mudança total de vida, de conceitos, de entendimento do que é a vida e do que é viver com Jesus. O que você precisa deixar para trás? Aquilo que te impede de atender o convite de Jesus “venha comigo”. Ele não te chama para te deixar sozinho, desamparado, sem sustento para sua vida. Pelo contrário. Ele te chama para inverter o conceito do que é vida, do que é riqueza e do que é relacionar-se com ele.

Deixar tudo é compreender que, como Igreja de Cristo, não somos mais uma Igreja, mas sim, corpo vivo, chamado a fazer diferença em nossa cidade, em nosso país, em nossa geração. Dizer sim ao chamado de Jesus é olhar para o próximo apresentar Jesus a ele, para que se una a nós e juntos construamos uma sociedade alicerçada nos valores do Reino. Deixar tudo, é deixar que Jesus nos tome pela mão e passemos a dar os passos que Jesus dá, e caminhar com ele, sem medo e com fé e esperança. É o sim que transforma toda nossa vida. Diga sim ao chamado de Jesus.

Mateus foi chamado imperativamente por Jesus. Não há opção. É sim, e desfrutar das bênçãos que Deus tem reservadas para aqueles que o temem. Ou não, e sofrer as consequências da nossa desobediência. O profeta Jonas experimentou bem estas consequências, leia seu livro, na Bíblia e verás como a desobediência a Deus nos trás consequências que nos levam ao arrependimento e a dizer sim. Diga sim ao chamado de Jesus. Mesmo porquê, é um chamado imperativo. Ele sabe o que é melhor para nós. Ele tem o melhor para nós e sabe o que quer de nós quando nos chama.

Atender ao chamado de Jesus é juntar-se àqueles que lutam por uma sociedade justa e arregaçar as mangas para o trabalho, pois não fomos chamado por Jesus para ficarmos assentados na coletoria, mas sim para seguí-lo, e seguí-lo é dizer sim ao seu estilo de vida.

Não fuja do chamado de Jesus para sua vida. Diga sim a ele. Ele não nos chama para uma vida de religiosidade, nem uma vida de compromissos eclesiásticos. Jesus não nos chama para “bater cartão” na Igreja. Ele nos chama para para realizarmos muito mais do que possamos imaginar, por meio do poder do Espírito Santo em nós. Ele quer transformar nossas vidas e, para isto, ele nos intima “venha comigo”. Encerro com os versos de Sandy Leah, Lucas Lima & Junior Lima, na canção intitulada “Sim”, e que expressam bem o que é dizer sim ao chamado de nosso Senhor:

E eu vi que eu podia mais
Do que eu sabia
Eu vi a vida se abrir pra mim
Quando eu disse sim 

Eu disse sim pro mundo
Eu disse sim pro sonhos
E pra tudo que eu não previa
Sim pro inexplicável
Eu disse sim,
Eu disse sim pra tudo que eu podia
E eu podia mais do que eu sabia.

Diga sim para Jesus, ele tem muito mais do que possamos imaginar para fazer em nossas vidas, em Cristo, nós podemos mais do que sabemos, do que imaginamos, pois “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1Coríntios 2.9). Guiados pelo Espírito Santo nós podemos mais, muito mais do que imaginamos.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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