Discípulos fazem o bem

Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. (Lucas 6.31)

Discípulos fazem o bem. Parece uma frase simples e óbvia. Porém, as implicações nela contida são enormes. Fazer o bem é mais do que doar alimentos para a cesta básica da igreja ou qualquer outra ação social. Fazer o bem é viver os princípios que Jesus nos revela em sua palavra, é ser edificado pelo Mestre para cumprir nossa missão.

Desejar ter o melhor para si não é nenhum pecado. Desejar ter tudo para si, independente do que você tenha que fazer para tê-lo, sim. Seja na esfera governamental ou na nossa casa, tirar vantagem não deve ser a tônica de nossas vidas, por mais que o sistema que vivamos seja um sistema que privilegie o lucro e a vantagem.

Seja louco o bastante para não desejar tudo para si, mas para viver amando incondicionalmente até mesmo os que lhe querem mal. Esta é a síntese do texto da nossa lição de hoje, um convite a sermos edificados pelos ensinos de Jesus, que nos convida a amar os inimigos, a sempre responder com o bem e a tratar os outros como nós queremos ser tratados.

“Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis”, o início do verso 27 na Tradução Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida. Ou seja, em outras palavras “vocês, que me ouvem à um tempo, quero dizer uma verdade”. Jesus chama a atenção de seu público para algo de suma importância que seria dito. Não o faz à toa, o que viria a seguir rompe com o ensino que era dado ao povo. Não é, como vimos à pouco, um novo ensino, mas uma retomada dos valores de Levítico 19.18. Todo caso, “amem seus inimigos” não é bem uma atitude fácil de se tomar. Não é algo simples de se fazer.

“Quem é meu inimigo? Eu não tenho inimigos!” essa pode ser a reação de muitos diante deste texto. Podemos não ter inimigos, de fato, tão declarados assim. A ordem de Jesus é para que amemos quem nos quer mal. Aqueles que prejudicam a nós e nossas famílias. Quantos de nós não convivemos com pessoas que consideramos insuportáveis, difíceis de lidar, com as quais não queríamos conviver? Eis aí a quem você deve amar. Quantas pessoas não nos encaram dessa maneira? Eis aí a quem devemos mudar: nós mesmos. O amor ao inimigo é, antes de tudo, uma ordem de Jesus para a transformação de cada um de nós. Não é ser submisso à todo mal que nos é feito, é vencer o mal com o amor.

Amar não é fácil. Amar quem nos faz o mal, é mais difícil ainda. Você se negar, se entregar por que só quer te destruir é um sacrifício enorme. Mas foi isto que Jesus fez, por mim e por você, na cruz. Nossa natureza é pecaminosa, escravos do pecado só desejam o mal. Jesus se entrega para nos resgatar da escravidão do pecado e nos dar a vida, vida de amor. O que ele nos pede é que façamos o mesmo: se entregue para que, quem odeie, passe a amar, quem quer o mal, passe a desejar o bem. E o bem é a resposta que nós devemos dar.

Os versos 28 a 30 de nosso texto base nos apresenta uma relação de atitudes que devemos ter quando alguém nos faz algum mal. Se falam mal de nós, devemos falar bem deles. Devemos orar pelos que nos fazem o mal. Se nos batem no rosto, devemos dar o outro lado. Se nos tiram uma camisa, devemos dar-lhe nossa melhor roupa. Se tiram vantagem sobre nós, devemos agir como servos. O bem é a melhor resposta. Não devemos jamais nos vingar. A síntese disto talvez seja a frase de Mahatma Gandhi “Olho por olho, e o mundo acabará cego”. Busque só seus interesses e acabe só e cego. Viva o amor de Deus, e experimente a mudança em sua vida. O bem é a resposta que devemos dar.

Como é difícil controlar nossos impulsos e manter nossa alma alinhada com a vontade de Deus. Encontramos explicações e desculpas para nosso jeito. Como bom descendente de italianos, sou levado a jogar nas minhas origens meu temperamento, por vezes, explosivo. Todos nós temos nossas desculpas a dar para as respostas atravessadas que damos. Não é para isso que Jesus nos chamou e ele nos ensina que o bem é a melhor resposta a dar. Como você tem respondido às pessoas com quem você convive, mesmo quando estas lhe desejam e lhe fazem o mal?

Mudança. É preciso se submeter à vontade de Deus para ser transformado em uma nova pessoa. Desejamos as bênçãos de Deus, desejamos a paz de Deus, desejamos a vida eterna com Deus e não desejamos a transformação que Deus nos oferece. Não podemos abrir mão de sermos diferentes. Discípulos do Senhor Jesus são aqueles que se submetem à transformação de Deus e essa transformação passa por amar os inimigos e fazer o bem, sempre, fazendo para as pessoas o que queremos que seja feito para nós

O grande mestre judeu Heliel declarou certa vez “O que lhe é detestável, não faça a seu próximo”. Aliás, não é exclusivo de Jesus o pensamento de tratar o outro como se quer ser tratado. Platão, Sócrates, Sêneca, Confúcio e outros escritos antigos registram sentenças de semelhante teor. Na lei, em Levítico 19.18, está o cerne desta afirmação: “amar ao próximo como a si mesmo” não é fazer-lhe o que queremos que nos seja feito? O que difere o dito de Jesus dos demais escritos é seu aspecto positivo, ou seja, ele afirma o que deve ser feito, e não o que não deve ser feito. Ao fazê-lo, ele não o atrela a uma força de vontade do ser humano, mas sim à uma ordem dada por Deus. Fazer o bem é uma ordem. Amar é uma ordem. Posso escolher obedecer ou não, mas é uma ordem.

Eu não posso aqui me negar a dizer: como é bom ser bem tratado, não é mesmo? Ser mimado, receber o que há de melhor das pessoas. É fantástico! Nos sentimos bem, valorizados. Por que, então, negamos às pessoas tal tratamento? Por que desejamos o nosso bem e nunca o do nosso próximo? Porque há em nós algo que precisa ser vencido, algo com o qual devemos lutar, incessantemente, para vencer: o pecado. Não é uma luta contra Satanás, esse já está vencido! É uma luta contra o nosso pecado, o nosso ego, uma luta contra nós mesmos. John Piper afirma que seu maior inimigo não é Satanás, mas sim John Piper. Se não lutarmos, diariamente, contra os nossos desejos, para reduzí-los ao pó e colocarmos os desejos de Deus em primeiro lugar, não amaremos nem a nós, nem ao nosso próximo.

Jesus nos ensina a amar os inimigos, a sempre responder com o bem e a tratar os outros como nós queremos ser tratados. Como reagiremos a este ensino? Os discípulos levaram tempo para assimilá-lo, porém, ao olharmos para as cartas do Novo Testamento vemos o reflexo deste ensino de Jesus na vida dos apóstolos. Uma transformação não se dá da noite para o dia, mas deve ser constantemente buscada por nós. Ser cristão é ter uma vida em constante transformação.

Enquanto escrevia esta lição, ouvia o Coral e Orquestra Barroca de Amsterdam apresentando a cantata “Coração e Boca e Ações e Vida” de Johann Sebastian Bach. No meio desta cantata é interpretada a música que mais conhecemos de Bach: Jesus bleibet meine Freude. Jesus alegria dos homens. “É Jesus nossa alegria”. Sim, ele é a razão de nossa vida e nos mostra como agir, como ser feliz e fazer o bem é uma escolha que fazemos, e não fruto de coincidências ou bens materiais que possamos ter. A nossa alegria é Jesus e como e por ele vivemos, amando que nos quer mal, respondendo com o bem e tratando as pessoas como nós desejamos ser tratados.

Discípulos fazem o bem, sempre, pois o que está em nossos corações não é o nosso desejo mesquinho, mas a vontade de Deus. Amamos porque ele nos amou e nos manda amar. Fazemos o bem porque ele nos faz o bem, sem olhar para nossos pecados. Tratamos bem as pessoas porque Deus nos dá o seu melhor e nós daremos o nosso melhor aos outros. É uma ordem de Deus. Discípulos são edificado para fazer o bem, façamos o bem, sempre..

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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