Beba com moderação!

Bom é que retenhas isto e também daquilo não retires a mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso (Eclesiastes 7.18)

Beba com moderação. A frase é conhecida dos comerciais de bebidas alcóolicas e se aplica bem ao que queremos falar nesta lição: moderação, um estilo de vida. Muitas pessoas sofrem com atitudes extremas. Seja entregues a vícios ou na prática de comportamentos extremados, como rigidez ética e moral inflexível ou libertinagem ética e moral, muitas pessoas sofrem por agirem assim e outras sofrem com amigos e parentes que assim agem.

Esta lição pretende mostrar como a moderação é um estilo de vida que o cristão deve cultivar. O Eclesiastes nos convida à moderação, pois experimentou os extremos e viu que neles não há vida, e sim a morte, pois viu que nas extremidades estão a vaidade e a ansiedade de quem ainda não encontrou repouso para a sua alma.

Moderado. Cada dia mais difícil encontrar quem se enquadre neste perfil. Primeiro, precisamos derrubar o estigma de que todo mundo é moderado em tudo. Praticamente impossível. Coloque-me diante de uma barra de chocolate 70% cacau que minha moderação “vai pro espaço”. No entanto, ser moderado é um estilo de vida a ser cultivado, como veremos mais adiante. O título da lição é provocativo. A bebida é sempre lembrada quando falamos de moderação na igreja. Pessoas que bebem muito são alvo de preconceito por parte da maioria dos cristãos, quando na verdade deveriam ser alvo de misericórdia e graça. A moderação, no entanto, não deve ser perseguida apenas quando se toma uma taça de vinho ou um copo de cerveja. Ser moderado é ser equilibrado naquilo que faz.

A moderação não é adquirida da noite para o dia. É preciso muita entrega, diante de Deus, muita renúncia do que somos, para que nosso comportamento seja transformado. Infelizmente, temos assistido a líderes cujo temperamento explosivo, ou passivo demais, tem arruinado Igrejas e até mesmo vidas. Falo isso com muito temor, todos estamos sujeitos a sermos vítimas da nossa falta de moderação. Ninguém está isento. No entanto, precisamos aprender a cultivar e exercitar a moderação em todas as áreas de nossas vidas. Para isto, devemos estar dispostos a nos avaliarmos e ver em que precisamos mudar. Para que haja transformação é preciso dedicação, empenho. Entregar-se a uma vida de extremos, como veremos, é um risco muito grande para nossas vidas e para aqueles a quem amamos.

“por que te destruírias a ti mesmo? … por que morrerias fora do teu tempo?” (Ec 7.16b,17b) Pessoas que tendem a extremos em todas as áreas da vida não conseguiram compreender, ainda, a razão de se viver. A moderação é como o cristão lida com as questões da vida. Ser moderado não é ser morno, no conceito de Apocalipse 3. Ser moderado é buscar a sabedoria e o equilíbrio nas questões da vida. Pessoas que procuram os extremos tendem a destruir-se. É isto que o Eclesiastes tenta nos mostrar: como desfrutar da vida se vivemos sempre de maneira intensa e extremada? A moderação é necessária em todos os aspectos da vida, até mesmo na frente de uma barra de chocolate 70% cacau.

Quando adolescente, tudo é muito intenso. Amor intenso, ódio intenso, gostamos na mesma intensidade que desgostamos. Quando amadurecemos, percebemos que as coisas de adolescentes são para os adolescentes, e passamos a agir com moderação diante das circunstâncias de nossas vidas. No entanto, ainda carregamos conosco um pouco daquele adolescente que almeja viver no limite da vida, sem avaliar os riscos. Uma coisa é intensidade, outra coisa é o extremo. Pessoas extremistas, radicais em seus pontos de vista e modo de agir, não conseguem enxergar os dois lados da moeda, não conseguem ver com compaixão o outro e nem a si mesmos. Tendem a ser tão rígidos em seus conceitos, que chegam a cometer absurdos em nome de uma coerência para com aquilo que acredita ser verdade. “Bom é que retenhas isto e também daquilo não retires a mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso” (Ec 7.18) ou seja, é bom não radicalizar, mas sim ter equilíbrio. Quem teme a Deus evita os extremos porque tem compaixão, consegue se colocar no lugar do outro e sentir o que ele sente, e ver como ele vê.

Devemos fugir dos extremos. Como? Com sabedoria. A sabedoria que provém de Deus nos dá forças para fugirmos dos extremos. Atitudes extremas nos afastam mais do que aproximam do nosso semelhante. Quantas pessoas “oito ou oitenta” você conhece e tem real prazer em conviver com elas? É difícil conviver com uma pessoa dada a extremos. Nunca sabemos para que lado irá “puxar” mais, qual será a atitude extremista da vez. Por isso, precisamos avaliar se nós não estamos afastando as pessoas de nós, por conta de nossas atitudes. Não devemos nos conformar com nossas atitudes extremistas, precisamos compreender a necessidade primária de sermos testemunhas de Cristo, aproximando-nos das pessoas como Paulo fez: “Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns” (1Co 9.22b)

Agir com compaixão é um dos desafios para nós. Olhar o outro com igualdade de com justiça, sem querer ser mais justo que o Senhor da Justiça. Neste ponto, temos pecado e muito como Igreja. Tenho assistido a uma verdadeira guerra entre aqueles que levam o nome de Cristo e os que defendem causas das minorias GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros). É triste ver cristãos desejando o mal quando deveriam amar. Partem para o extremo da “defesa da fé”, sendo que nossa fé não carece de defesa, mas sim de ser vivida e praticada. Quantos GLBT Jesus lançaria fora hoje? Quantos ele amaria com o fim de mostrar o amor do Pai para eles? Este é só um dos exemplos em que a atitude extremista dos cristão tem prestado um desserviço ao Reino de Deus. Sendo moderados, saberemos olhar para o outro e identificar o caminho a ser trilhado para falar do amor transformador de Deus.

Uma das raízes das atitudes extremas é a ansiedade. O desejo de que tudo caminhe de maneira tão correta faz com que a pessoa anseie pela concretização do desejo, tornando tudo rígido demais ou demasiadamente solto. Jesus, no sermão da montanha, nos fala a respeito da ansiedade. Ela consome boa parte das nossas forças, nos fazendo errar o alvo de nossas vidas. Quando a ansiedade reina, nada mais acontece, então atitudes extremas surgem como um escape para a ansiedade. Nesta hora, precisamos nos lembrar das palavras de Jesus: “Não vos inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta a cada dia o seu próprio mal” (Mt 6.34). Quando formos instigados a agir de maneira extremada, a fazer valer nosso “oito ou oitenta”, Deus estará lá, do nosso lado, para nos ajudar a controlar nosso impulso e sermos moderados e sábios.

O Eclesiastes que nos ensinar a viver com moderação, a fazer da moderação um estilo de vida. “Não apliques o coração a todas as palavras que se dizem” (Ec 7.21a), ou seja, não saia acatando tudo se fala, nem leve tudo a “ferro e fogo”. A palavra dita nem sempre é bem dita, ou bendita. Quando nos atacarem com palavras duras, lembremos que “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15.1), ou seja, ser moderado no responder é mais sábio que atacar duramente. Viver com moderação é saber desfrutar do que a vida tem a nos oferecer, os relacionamento, as oportunidades, sem nos entregarmos à extremos de vida que nos levam à perder mais do que ganhar, a afastar mais do que agregar.

Como, então, fazer da moderação um estilo de vida? Paulo nos dá uma boa direção: amar sem hipocrisia, evitar o mal, ser humilde, manter-se animado e dispostos, ser vigilantes, não se entregar às dificuldades, orar e praticar as boas obras, abençoar os que nos têm como inimigos, rir com os que riem, chorar com os que choram (Rm 12.9ss). Não é fácil cultivar cada uma destas virtudes, no entanto, este é o nosso dever como servos e seguidores de Cristo. Um temperamento transformado, uma vida que busca na moderação um estilo de vida que testemunha o amor de Deus, que não rejeita o pecador mas odeia o pecado.

Beba com moderação. Viva com moderação. Não se entregue às paixões da vida. Amar ainda é o melhor caminho, e o amor de Deus nos convida a sermos moderados em nossas atitudes. Viver moderadamente é aproximar as pessoas, testemunhando do amor de Deus em nossas vidas. Não lancemos fora, com nossas atitudes, aqueles a quem Deus quer que tenhamos por perto. Não façamos da nossas vidas morada de vícios e atitudes extremas, mas transformemos nossas vidas, pela ação do Espírito Santo.

Viva com moderação. Testemunhe do amor de Deus por meio do seu estilo de vida moderado. Lute contra o que te puxa para a prisão dos vícios e práticas não saudáveis. Nós já fomos libertos pelo sangue de Jesus derramado na cruz! Vivamos com moderação. E lembre-se: Vida de extremos: ao persistirem os sintomas, o Senhor da Vida deverá ser consultado, imediatamente!

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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