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Discípulos dão frutos

Não há árvore boa que dê mau fruto; nem tampouco árvore má que dê bom fruto. Porquanto cada árvore é conhecida pelo seu próprio fruto. (Lucas 6.43-44a)

Discípulos dão frutos. Como pode uma pessoa frutificar? A resposta passa pela maneira como avaliamos nossas vidas e o que temos visto como consequência de nossas atitudes e palavras.

Fruto, hoje falaremos de fruto. Como pode pé de jaca produzir melancia? Como pode semente de cajá dar pé de laranja? Estas questões nos levam ao texto para nossa lição de hoje, um convite a olharmos para nossas vidas e meditarmos onde temos nos arraigado e quais os frutos que temos apresentados diante de Deus.

O texto de Lucas 6.43-44 está inserido no contexto do que seria o relato do Sermão da Montanha, mais conhecido na narrativa de Mateus. Os versos que lemos nos chamam para uma reflexão interessante. Eles formam uma linha de raciocínio desenvolvida por Jesus para mostrar a relação entre a necessidade de uma boa base de fé e as consequências de uma vida dedicada ao Reino de Deus. Jesus inicia uma serie de exemplos citando o fato de dois cegos não poderem se guiar pelos caminhos esburacados da Palestina, em seguida, fala a respeito da “trave no olho” e da necessidade de se cuidar de si mesmo, por fim, ele cita o nosso texto e fecha o bloco falando daqueles que clamam seu nome mas não vivem o que ele ensina.

O texto de nossa lição fala de frutos. Numa análise simples e direta, podemos concluir que é realmente difícil uma árvore doente dar bons frutos. Ela, invariavelmente, produzirá frutos ruins para o consumo. O comparativo com a árvore nos revela que Deus, o criador, fez cada árvore para um propósito. A videira dará uvas, a figueira, figos. Com as pessoas não é diferente, somos criados para darmos bons frutos, porém, alimentamos nossos corações com coisas ruins. Pode, por acaso, um coração amargurado ser gentil e zeloso? Difícil, e é disto que Jesus está falando e é sobre isto que meditaremos hoje. Somos edificados para darmos bons frutos, somos uma vida que gera outras vidas.

O estado do fruto indica o estado da árvore. Jesus está fazendo referência ao que produzimos como fruto. Que fruto pode uma pessoa dar? Seriam os conhecidos frutos do Espírito? Também. Aqui, Jesus está dando um claro recado a cada um de nós: de que adianta dizer que você é cristão se suas atitudes e palavras não condizem com o que eu ensino? Do que adianta cantar, ler a Bíblia se as suas atitudes são terríveis? Se o que falam na rádio, na TV e na internet tem mais valor do que o que Jesus nos diz? Afinal, qual o fruto da nossa vida?

Vidas arraigadas em Jesus dão bons frutos. Não se pode esperar que quem alimenta sua fé apenas pelos sermões do pastor e as músicas cantadas dominicalmente, ou durante a semana, seja capaz de dar bons frutos. Para se crescer, se fortalecer e ter raízes firmes em Deus é preciso buscar e conhecer a vontade Deus. Queremos a paz de Deus, o amor de Deus, mas evitamos o próprio Deus. Daí, a vinda a Igreja torna-se algo rotineiro, a participação nas atividades da igreja tornam-se um peso ou uma obrigação e a comunhão com os irmãos um fardo. Vidas arraigadas em Deus produzem como frutos a comunhão e a compaixão, o compromisso e a fidelidade. O que mais tem faltado à nossa geração são frutos dignos a serem apresentados diante de Deus.

Nos omitimos da nossa responsabilidade de cristãos. Achamos que é dever do outro. Somos especialistas em dizer o que nossa igreja precisa, e somos os primeiros a cruzar os braços para não fazer nada por ela. Estes são os cegos querendo guiar cegos. Não enxergam as oportunidades do Reino para suas vidas, mas são capazes de dizer o que devem fazer os que estão ativos em prol do Reino. Um exemplo disso: sabemos da necessidade de nossas crianças terem o ensino da Palavra, os pais sabem bem disso, assumiram este compromisso com Deus no batismo, mas se negam a trazê-las e participar com elas da Escola Dominical. Outro exemplo: todos queremos jovens em nossas Igrejas, poucos se dispõe a assumir a frente de um trabalho com eles. Percebem? Que fruto é esse que apresentamos ao criticar e não nos envolvermos para participar? Que frutos são esses que apresentamos ao sermos infiéis a Deus no ensino de nossos filhos? Frutos do Reino de Deus que não são! São frutos de uma árvore que se encontra enferma e carece dos cuidados de Deus, para que dê frutos que geram vidas! Lembre-se, frutos do Reino geram vida!

Lembre-se que a vida produz vida. Todos nós temos uma história para contar de bons exemplos e do quanto eles influenciaram nossas vidas. É impressionante o impacto de um exemplo na vida das pessoas. Certa vez meu dentista me perguntou como fazer para mostrar para alguém que ela precisa mudar a vida dela. A resposta que lhe dei foi essa: viva, caminhe e seja exemplo para ela. As pessoas querem fórmulas mágicas, mas elas não existem. O que existe é o exemplo de vida que transforma vidas. Só uma vida transformada pelo Evangelho é capaz de servir de exemplo para transformar vidas.

Vivemos um tempo em que os exemplos são os piores possíveis. Nossa geração já está pagando o preço de décadas seguidas de desconstrução dos valores familiares. Não digo isso com ênfase religiosa não, digo isso com ênfase social mesmo. A célula primária da sociedade vem sendo atacada e dissolvida em nome de uma pretensa liberdade individual. Nós, cristãos, estamos sendo atacados por esses valores diariamente, a ponto de abrir mão da vivência em comunidade com os irmãos de fé. O domingo não é o bastante. Aqueles que militam por essa pretensa liberdade individual sabem bem disto, tanto é que bombardeiam sem parar nossas casas com conteúdos que mostram que seguir valores é algo retrógrado e careta.

Vida gera vida. É para isto que fomos chamados, é isto que Jesus nos ensina. Não geramos entretenimento, geramos vidas que também se divertem. É diferente. Não visamos o lucro, visamos a transformação de vidas. Eu não quero o templo cheio à custa de abrir mão da transformação de nossas vidas. Mas é fato que vidas transformadas geram novas vidas transformadas e se nosso templo ainda não está cheio, há algo de errado com cada um de nós aqui, e eu me incluo no que digo, pois somos corpo, chamados para dar frutos, no caso, gerarmos vidas.

Com quem você tem se comprometido? Quem é seu alvo de oração e de transformação? Quem é a pessoa por quem você tem orado e chorado diante do Senhor para que seu Santo Espírito lhe use como instrumento de transformação da vida dela? Vida gera vida. Essa é a premissa do discípulo que quer viver o que Jesus nos ensina. Não dá para cruzar os braços, não dá para viver uma religiosidade de templo, é preciso mais, é preciso tirar a trave de frente de nossos olhos e começarmos a amar e a viver o evangelho que Jesus nos tem ensinado. Somos edificados para dar frutos, não para batermos cartão na Igreja.

Somos edificados para dar frutos. Como está sua vida? Já parou para avaliar como está sua saúde espiritual? O que tem acontecido em sua vida que não reflete a vontade de Deus pode ser o primeiro indício de que você está arraigado em valores que não são os do Reino de Deus. Porém, graças ao amor incondicional de Deus por nós, não estamos entregues à nossa própria sorte, mas temos em Jesus o exemplo de vida e no Espírito Santo a força e a direção para mudarmos a realidade de nossas vidas. Deixe que Espírito Santo transforme sua vida, alimente-se do alimento que Jesus nos oferece.

Uma transformação não acontece da noite para o dia. Leva tempo. É preciso limpar e mudar nossas estruturas mais internas para que o fruto apresentado seja fruto de vida. Não podemos abrir mão da transformação de vida que Jesus nos oferece, pois é a perfeita vontade de Deus. Quais frutos você tem apresentado diante de Deus? Quais os frutos da sua vida? É preciso olhar para os frutos de nossas vidas para sabermos do quê temos nos alimentado. Esperança, amor, fé, perseverança não são obtidos ao acaso, mas sim buscando em Jesus o caminho para ser, cada dia mais, parecido com ele, vivendo a plena vontade de Deus. Quando vivemos a vontade de Deus, vivemos como Jesus vive!

Nem tudo está perdido, é tempo de frutificar, é tempo de olharmos para nossas vidas e nos apresentarmos diante de Deus e clamarmos: transforma, Senhor, nossas vidas. Faz-nos uma árvore frondosa e frutífera para teu Reino. Poda, corta, remove o que precisa ser removido para que sejamos servos fiéis e obedientes, certos de que nosso fruto é consequência da tua obra em nós. Amém.

Reverendo Giovanni Alecrim
Pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil

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